Entrevista com o Ministro da Fazenda e dúvidas

O Jornal o Estado de São Paulo publicou hoje entrevista com o ministro da fazenda: Joaquim Levy (clique aqui). Impressiona o otimismo do ministro quando é perguntado se a meta fiscal está em risco. De acordo como ministro:

 “Não vejo ameaça. Em 2014, o emprego desacelerou fortemente. Ficou claro que insistir nas políticas anticíclicas não estava dando certo. A incerteza fiscal começou a minar a vontade de investir e isso tinha de mudar. Estamos respondendo a essa realidade. A discussão no Congresso e na sociedade sobre qualquer medida legislativa é natural, e, em princípio, positiva. É da essência da democracia. A população tem entendido a necessidade fiscal das medidas e como elas fortalecem a capacidade do Estado de implementar suas políticas sociais, reduzindo distorções e excessos da lei”.

O problema é que esse consenso não existe na sociedade e pela natureza da democracia e da atuação de grupos organizados é comum que no debate do ajuste cada segmente tente empurrar o custo para os grupos menos mobilizados.

No mais há outras matérias nos jornais de hoje que levantam dúvidas sobre a capacidade de o Palácio do Planalto criar o consenso politico para o ajuste fiscal e reformas necessárias para o crescimento. Artigo do economista Marcos Lisboa no mesmo jornal (Quando termina 2015 – clique aqui) mostra que:

“Enfrentar os desafios fiscais, porém, não garante a retomada do crescimento, apenas reduz a severidade da crise. A produtividade total dos fatores, que cresceu 1,6% na década de 2000, estagnou a partir de 2010, reduzindo o potencial de crescimento da economia ao crescimento da população.”

 O jornalista Fernando Dantas fez uma boa entrevista com Marcos Lisboa no qual o economista mostra que o trabalho de ajuste não pode ser tarefa de apenas um ministro – Agenda não pode ser só da Fazenda- clique aqui.

Mas quem disse que o ministro está isolado? Isso não sabemos, mas entrevista com o novo líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani, mostra que o governo não terá vida fácil no Congresso (clique aqui) e a jornalista Eliane Cantanhêde mostra hoje no final da sua coluna no Estado de São Paulo (clique aqui) que:

“A ilha. Concluída a equipe econômica, está confirmado que Joaquim Levy é uma ilha no governo. Além de Nelson Barbosa (Planejamento), também Aldemir Bendini (Petrobrás), Luciano Coutinho (BNDES), Miriam Belchior (CEF) e Alexandre Abreu (BB) são leais súditos do império petista. Se a coisa não aprumar, adivinha quem será o mordomo da história…”

 Assim, eu e vários amigos meus confiamos muito no ministro da fazenda Joaquim Levy. O problema é que temos uma imensa dificuldade de confiar em um governo que acha que todos os problemas do Brasil começaram com FHC. O governo ainda precisa melhorar muito para que possamos confiar que finalmente passaram a reconhecer os erros dos últimos cinco anos. Se nem o PMDB que é aliado do governo confia no governo como nós podemos confiar?

 

3 pensamentos sobre “Entrevista com o Ministro da Fazenda e dúvidas

  1. Na minha opinião, o PT deveria ter o registro de partido político cassado.
    Que formalizem suas atividades como algum “Comando” do crime e continuem tentando seus golpes torpes longe do meu imposto

  2. Caro Mansueto, em relação a probabilidade de nao se conseguir atingir a meta de 66 bilhões de superávit, Gustavo Franco hoje no Globo e mais otimista – ele acha que o contingenciamento vai dar conta da metade do valor da meta. Chega a dizer que a meta e pouco ambiciosa. Acho que seria surpreendente Joaquim escolher um número e errar. Seria a primeira vez na carreira, e seria grave. Mas acho fundamental que se explicite como ele vai cumprir essa meta, e pelo jeito vai ser com contingenciamento.

    • Sergio dois pontos. Primeiro, contingenciamento segura investimento e adia despesas de custeio. Vamos sim cortar investimento, mas custeio será apenas crescimento de restos a pagar. Segundo, mesmo com isso só conseguimos 0,6% do PIB. Quando Joaquim estabeleceu a meta o governo esperava que o primário de 2014 fosse zero ou um pouco positivo e que a economia fosse crescer 0,8% em 2015. Mas agora a perspectiva é de crescimento negativo e o ponto de partida é um déficit de 0,6%!do PIB. Acho muito difícil a não ser que consiga mais um incremento de receita perto de 0,6% do PIB além do pacote tributário já anunciado e que continue sem pagar os subsídios aos bancos públicos.

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