Investimento Público Governo Federal: Fracassou

Uma das grandes decepções do primeiro governo Dilma foi sem dúvida o comportamento do investimento público. Havia uma expectativa de um forte crescimento do investimento pois a presidente foi uma das idealizadoras do PAC. Aqui é preciso olhar o comportamento do investimento com e sem o Minha Casa Minha Vida (MCMV).

Desde 2013, o programa MCMV que era antes uma despesa de custeio (transferências do Tesouro para o Fundo de Arredamento Residencial) passou a ser classificado como uma inversão financeira e contabilizado como investimento público nas estatísticas do Tesouro Nacional.

Ao longo do primeiro governo Dilma, quase todo o crescimento da despesa de investimento (% do PIB) decorreu da forte expansão do MCMV, um programa que, em 2014, teve um desembolso do orçamento da união quase 40% superior ao investimento do Ministério dos Transportes e que teve inicio em 2009.

Os gráficos abaixo foram construídas com base no SIAFI. Os números são um pouco diferentes da tabela do Tesouro, mas mostram exatamente o mesmo comportamento. Sem o MCMV, o investimento público do primeiro governo Dilma foi um FRACASSO. Com o MCMV, que é um programa de subsídios, o investimento aumentou.

A grande decepção do governo Dilma foi o ministério do transporte que, em 2014, pelo SIAFI, investiu em valores correntes R$ 12,4 bilhões, valor menor do que aquele que investiu em 2010: R$ 16,2 bilhões a preços de 2014. Em valores reais, um queda de  23% ou de R$ 3,7 bilhões.

Pergunta: como será o investimento público em um segundo governo Dilma com ajuste fiscal e com as empreiteiras brigando com a justiça e seus executivos com medo de serem presos? 

Gráfico 1 – Investimento Público 2010 e 2014 – R$ milhões de 2014 e % do PIB – sem o MCMV

INV01

 

Gráfico 2 – Investimento Público 2010 e 2014 – R$ milhões de 2014 e % do PIB – com o MCMV

INV02

 

Fonte: SIAFI. Elaboração: Mansueto Almeida

11 pensamentos sobre “Investimento Público Governo Federal: Fracassou

  1. Mansueto, além de toda a farsa que é o MCMV ser considerado investimento, ainda temos o custo social disto: criou uma bolha no mercado imobiliário nacional.

    • Pablo, não saberia responder esta pergunta. Só olho para o programa do ponto de vista da execução orçamentária, mas nunca estudei o resultado e qualidade do programa.

  2. Creio que para gerar uma bolha, haveria necessidade da figura do intermediário. Pela forma como foi estruturado o programa, não parece que seria fácil aparecer tal distorção de mercado. Tudo no condicional, lógico.

    • Pra que haja uma bolha no setor de imóveis basta que os preços estejam descolados dos fundamentos que permitam sua sustentabilidade em longo prazo.

      É muito claro que os preços não são sustentáveis, inclusive já apresentando quedas consideráveis.

      Bolha ou outro nome que as pessoas queiram dar, a terminologia não importa. O fato é que os preços estão escandalosos e o MCMV contribuiu bastante pra isso.

  3. Professor Mansueto: existe razão de ordem técnica que justifique a mudança na rubrica do MCMV, que deixou de ser considerado “despesa de custeio” e passou a ser “investimento público”? Ou é apenas conveniência, maquiagem, para dar um upgrade na conta de investimentos? Agradeço a gentileza deste esclarecimento, e o parabenizo pelas suas análises sempre técnicas e criteriosas.

  4. Daí tu olha pro déficit e ve que piorou uns 4 pontos do PIB ao longo de 4 anos e nada foi pra investimento. Quer dizer, pra investimento, que é um gargalo dos mais críticos do Brasil, não há dinheiro disponível no orçamento, nem tem como conseguir mais. Mas pra programas sociais, aumento de folha, pagamentos do INSS, qqr coisa, aí se faltar um, dois, três pontos do PIB o governo cava, nem que seja ampliando o déficit irresponsavelmente.

  5. Meus caros,
    Dois pitacos:
    (1) O MCMV é muito mal desenhado. Porém, não sei se é responsável pela suposta bolha no mercado de imóveis (eu acho que existe, mas muita gente acha que não). A bolha é bem anterior (lá para 2006 ou 2007). O programa não intervêm diretamente no mercado. Define-se um projeto de habitação popular e os subsídios para este novo prédio pode chegar a 95%. Isto fez com que diversos prédios ruins em lugares ruins apresentasse, no lançamento, valor de m2 equivalente ao do Leblon. Mas isto não interferia diretamente no preço de mercado destes imóveis (e sim na transferência de recursos direta do tesouro para a construtora). O preço dos grandes terrenos disponíveis nas grandes cidades deve ter aumentado (estes não existem mais em muitas grandes cidades), mas não vejo o programa estimulando a bolha. Em tempo, o programa deve contemplar os cadastrados no CadÚnico em cada município. Assim, não dá para construir em São Bernardo para contemplar habitantes de São Paulo capital, por exemplo.
    (2) Classificar o MCMV como imvestimento implica em dupla contagem do investimento. A construção da casa é computada (como investimento privado) e o financiamento também (como investimento público).
    Um grande abraço,
    Claudio

Os comentários estão desativados.