Vale a pena ler e pensar

1) Duplo estelionato eleitoral: matéria do jornal Folha de São Paulo de hoje mostra que as medidas de restrição ao seguro desemprego, abono salarial e pensões foram estudadas e elaboradas pelo ministério da fazenda em meados de 2014, antes portanto das eleições – clique aqui para ler a matéria. Isso significa que o estelionato eleitoral foi duplo: a candidata não apenas omitiu que planejava mudanças e ainda atacava quem falasse sobre o assunto.

2) Risco de racionamento já está em 50%: excelente matéria no valor com o consultor Mário Veiga da PSR que mostra, entre outras coisas, que o novo ministro das minas e energia e demais representantes do governo mentiram sobre as reais razões do apagão da segunda feira da semana passada. Segundo Mário Veiga, o problema é sim a falta de geração em cerca de 20 mil MW. Se o ministro Eduardo Braga não consegue explicar de forma clara o que aconteceu e esconde fatos relevantes da população talvez fosse o caso do ministério contratar um consultor para explicar o que o governo deveria explicar. Como declara Mario Veiga:

“O ONS alega que a demanda está alta, o que não é nenhuma novidade. O sistema é planejado para ter reserva suficiente. Estamos nessa situação porque o governo em 2014 decidiu apostar que choveria no início deste ano e que o verão seria ameno. Não foi feita nenhuma medida de racionalização de consumo, deixando os reservatórios chegarem ao pior nível da história”.

3) Outro consultor respeitado do setor de energia, Claudio Sales, deu entrevista à Folha de São Paulo com os mesmos alertas (clique aqui). Segundo o consultor: “São grandes as possibilidades de que apagões voltem a acontecer no restante do verão. Nos últimos três anos, os recordes de demanda foram em fevereiro, perto de 4% acima dos do ano anterior.” O que fazer? um racionamento preventivo que já deveria ter começado. Sobre o apagão Claudio Sales vai na mesma direção do Mário Veiga:

“No apagão da última segunda, não caiu nenhuma torre nem explodiu nenhum transformador em subestação. Se a restrição é inerente ao sistema, não importa se a energia é gerada no Sudeste ou no Nordeste. O importante é que não houve capacidade disponível no momento necessário.”

Ponto final: O ministério da fazenda tem conseguido gerar várias “noticias positivas” para os mercados que tem animado o investidor em renda fixa. No entanto, não há como o governo recuperar de forma rápida a confiança dos empresários, ainda mais quando há um risco grande de racionamento de energia e talvez seja necessário novos aumentos de carga tributária aliado a cortes do investimento público para cumprir a meta do primário. No mais, o governo precisa urgentemente melhorar a sua comunicação.

 

4 pensamentos sobre “Vale a pena ler e pensar

  1. O Brasil, num ano em que crescerá zero ou próximo a zero, precisa mesmo de 1,2% do PIB de superávit? Mansueto, como você diminuiria nosso déficit de balança de pagamentos? O câmbio não está sobrevalorizado?

  2. Não entendi muito bem essa matéria da Folha. Mudanças no seguro-desemprego e no abono salarial já eram planejadas pelo menos desde 2013, e isso saiu nos jornais, com fala de Mantega e tudo (isto é, não foi preciso recorrer a fontes anônimas): http://oglobo.globo.com/economia/para-reduzir-despesas-mantega-quer-dificultar-concessao-de-seguro-desemprego-10621150.

    Parece que a imprensa está com memória curta.

    Isso não muda o fato de que a propaganda eleitoral petista foi ridícula, claro.

  3. Mansueto

    Interessante que nesse debate todo esqueceram de propor mecanismos mais eficazes para a detecção de fraudes na concessão de benefícios do INSS. Se não me falhe a memória o TCU divulgou um relatório em 2006 sobre o ano anterior. Em 2005, o INSS concedeu 146 bilhões em benefícios sendo que cerca de 33 bilhões foram concedidos irregularmente. As irregularidades eram: concessão de benefício para pessoas mortas, fraudes no cadastro em relação a idade, fraudes envolvendo a ocupação e o salário recebido para tentar obter benefício maior que o teto estabelecido pelo INSS, acúmulo de benefícios. Por que não há a discussão sobre o reforço no controle de concessão de benefícios do INSS? A título de curiosidade foram estimados em 33 bilhões de benefícios concedidos irregularmente, mas o déficit previdenciário em 2005 foi de 37 bi. Estranho que essa discussão não se fortaleça……….

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