Nos prometeram…….

1) Nos prometeram uma redução na conta de energia e o resultado foi um forte prejuízo para Eletrobras e uma conta bilionária de subsídios que agora será paga pelos contribuintes e consumidores. O Brasil continuará a ter um custo de energia alto e iniciaremos o segundo governo Dilma com reajustes que podem ser de até 30% na conta de energia!

2) Nos prometeram uma revolução na indústria nacional e o aumento da inovação com as políticas de conteúdo nacional e aumento do investimento da Petrobras. O legado foi uma companhia sem caixa para levar à frente o seu plano de investimento e envolvida em um grande escândalo de corrupção que não para de nos surpreender. Os fornecedores nacionais que acreditaram na politica de conteúdo nacional agora estão em situação vulnerável.

3) Nos prometeram que, até 2022, o Brasil gastará 10% do seu PIB com educação, de acordo com o PNE. A principal fonte de recursos para essa despesa seria o retorno da exploração do Pré Sal. Mas com o valor do barril de petróleo abaixo de US$ 70 e com a Petrobras ainda com vários problemas jurídicos, essa meta está comprometida. Ficará apenas no papel.

4) Nos prometerem que a política industrial, o Plano Brasil Maior, levaria a taxa de investimento no Brasil para 22% do PIB, em 2014, e seria um grande estimulo à competitividade da indústria nacional. Em 2014, taxa de investimento ficará abaixo de 18% do PIB e produção industrial teve queda de quase 6% em 12 meses (até novembro de 2014). Indústria hoje continua com os mesmos problemas de competitividade que tinha há quatro anos.

5) Nos prometeram um país mais competitivo, mas em 2014 tivemos o pior resultado da Balança Comercial em 16 anos, com um déficit de US$ 3,9 bilhões e a participação dos produtos básicos na pauta de exportação alcançou até novembro quase 50% das exportações. Brasil ainda é muito vulnerável aos preços de commodities e, logo, ao crescimento da China.

6) Nos prometeram responsabilidade fiscal, mas governo Dilma terminou com déficit nominal do setor público perto de 6% do PIB, ante 2,6% do PIB em 2011, e com crescimento da divida bruta de 10 pontos do PIB de dezembro de 2010 a novembro de 2014. Do ponto de vista fiscal, aumentou muito a vulnerabilidade fiscal nos últimos quatro anos, o que nos levou ao risco de perder o grau de investimento.

7) Nos prometeram controle da inflação, mas, em um mundo de inflação baixa, o Brasil teve uma inflação acumulada no primeiro governo Dilma de 27%; correspondente a uma média anual de 6,16%. Banco Central nos promete agora uma convergência para a meta de 4,5% até 2016. É possível acreditar?

8) Nos prometeram o fortalecimento do BNDES e que a política de empréstimos para bancos públicos não aumentaria o risco fiscal. Governo federal já emprestou mais de R$ 500 bilhões para bancos públicos, 10% do PIB, com forte impacto no custo da divida pública e com passivo (equalização de juros do PSI) que se transformou em um esqueleto a ser pago nos próximos anos. Hoje, mais da metade do passivo do BNDES é dívida junto ao Tesouro e o banco será forçado a reduzir suas operações de empréstimo e aumentar o custo de suas linhas. Adicionalmente, a CEF que era um banco 100% público passará agora por uma abertura de capital, algo que sempre foi negado pelos falsos defensores dos bancos públicos.

9) Nos prometeram crescimento mais rápido da economia brasileira, mas o resultado foi um crescimento médio do PIB de 1,6% ao ano, ao longo de quatro anos do governo Dilma, e a perspectiva de baixo crescimento também para o segundo governo Dilma. Consultores e economistas independentes estimam crescimento médio no segundo governo Dilma entre 1,5% a 2% ao ano, já com a correção de rumo da política macroeconômica.

10) Nos prometeram a continuidade das políticas sociais e que a queda de desigualdade de renda e a redução da pobreza não dependiam muito do crescimento da economia. Existia o mundo dos ricos (crescimento do PIB) e o mundo dos pobres (crescimento da renda da PNAD) e um dependia muito pouco do outro. Agora, escutamos que, sem crescimento de produtividade e da economia, o progresso social está em risco e governo precisará restringir a concessão de seguro desemprego em um momento que a taxa de desemprego crescerá e o seguro desemprego, corretamente, deveria aumentar.

Depois de tantas promessas não cumpridas qual a grande esperança? Que a Presidente da República deixe de ser o (verdadeiro) ministro da fazenda e que o ministro da fazenda passe a ser algo muito próximo do que se espera que seja um “Presidente da República”.

 

21 pensamentos sobre “Nos prometeram…….

  1. Mansueto nos prometeram um crescimento econômico que não se concretizou e para piorar, a retórica culpa a situação externa de uma economia mundial enfraquecida. Enquanto isso, o nivel de investimentos cai,a nossa capacidade competitiva se esvai e o capital humano residente piora com o desfacelamento da nossa educação. Esses episódios minam a credibilidade do empresariado e do consumidor brasileiro que serão os principais agentes que contribuirão para uma retomada de crescimento e um novo equilibrio fiscal. Triste mas essa é a realidade..

  2. “Precisamos sair do zero a zero e arrumar no segundo tempo para começar a fazer gol” (J. Levy em café da manhã com jornalistas).

    Zero a zero!

    Com Dilma I tomamos goleada mais vexaminosa do que aquela da Alemanha. Neste post, Mansueto narrou pelo menos 10 gols tomados.

    Em bate-papo no facebook Levy afirmou que a inflação de 6,41% ficou “dentro do combinado”.

    “Dentro combinado” foi o mantra do Dilma I, para a inflação e para o superávit.

    Levy sabe muito bem que o combinado é a meta de 4,5%.

  3. caro mansueto, é melhor dizer prezado, grato por mais este brilhante artigo. parece que a marolinh está ficando um tsunami.
    amadeu rezende

  4. No facebook da presidente colocaram-na como a heroína da economia brasileira… Tudo por aqui sempre esteve e continua maravilhoso na linguagem dos mentirosos.

  5. Acho que já leram.

    Levy na Fazenda indica que:

    1. Dilma atesta o fracasso da “nova matriz econômica”.
    2. Dilma não acreditava no que dizia durante a campanha.
    3. Reconhecimento, mesmo que envergonhado, da excelência do programa de ajuste e de modernização econômica elaborado pela equipe do candidato Aécio.

    Ótima entrevista de Edmar Bacha no jornal Valor de hoje:

    Valor: O sr. declarou voto em Aécio Neves, como avalia essas alterações tanto na equipe quanto na política econômica de Dilma?

    Bacha: O discurso do Joaquim, do [Nelson] Barbosa, e os outros discursos estão numa direção mais modernizante, mas vamos ver se Dilma vai acompanhar isso ou não. Isso depende dela.

    Valor: O sr. chegou a dizer que, se reeleita, Dilma quebraria o país. O sr. mantém essa afirmação?

    Bacha: Eu temia isso. Mas ela teve uma primeira decisão e deve ter sido difícil para ela porque está sendo altamente criticada tanto no PT quanto entre os economistas de Campinas por colocar o Joaquim Levy lá [no Ministério da Fazenda]. Não existe ninguém mais ortodoxo no Brasil. Fora o Meirelles [Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central], é difícil encontrar alguém mais ortodoxo do que o Joaquim no Brasil. Ela colocou lá um símbolo. Acho que a direção é essa, a do ajuste. Obviamente há um problema muito sério, porque essas coisas você precisa fazer primeiro com convicção e segundo, com credibilidade. E, infelizmente, dada a experiência da Dilma no primeiro mandato, não parece que ela tenha convicção. E credibilidade ela não tem. O fato de ter que ganhar esse espaço torna o ajuste mais custoso e, portanto, mais problemático. É UM PROBLEMA QUE NÓS NÃO TERÍAMOS.

    Valor: Nós?

    Bacha: A equipe do candidato para o qual declarei meu voto.

  6. Estou achando que usaram o Super Simples/Simples e o EIRELI para atrair as pessoas para a formalidade e enfiar o aumento de IR depois.

    Agora além de pagar 27,5% de IR o cara inda paga PIS, Cofins e ISS/ICMS. Desculpem-me o termo mas é o único em nosso vernáculo para essa situação: enfiaram no rabo dos pequenos empreendedores.

    • E desde quando o pequeno empreendedor paga 27,5% de IR ? Quem paga isso é empregado. Ademais, essa proposta que cita é do Levy que a turma aqui adora endeusar.

      • Desculpe, mas se o governo implantar, é porque houve anuência da desPresidente e do desPartido. Por favor, mas honestidade intelectual. Aqui não é conferência do PT.

      • Qual a sua alternativa, nobre honesto?

        Lembre-se de uma coisa: toda carestia pela qual você e eu passamos e passaremos tem um único grupo culpado: o Partido dos Trabalhadores. É obra prima petista a bagunça econômica que existe no país.

        Fossem competentes não recorreriam a alguém que fez campanha pelo opositor pra ajustar as coisas.

        Se o PT endossa a proposta, a proposta é, sim, dele. Não há como dissociar o PT do estelionato eleitoral que pratica.

  7. “O Brasil continuará competido para ter um custo de energia alto em relação aos nossos concorrentes” — a frase ficou estranha! Não seria em verdade para ler-se “O Brasil continuará comprometido por ter um custo de energia alto em relação aos nossos concorrentes” ?!…

    • queria dizer que nos esforçamos tanto para reduzir quando na verdade temos a impressão que queríamos era aumentar o custo da energia dada as medidas que foram aditadas e desorganizaram o setor. Vou escrever de uma forma mais clara.

  8. Mansueto a campanha ja terminou. Esse post seu está mais para eleitoreiro que outra coisa. É melhor voces focarem nos erros cometidos para não repeti-los em 2018 ao inves de só descer o sarrafo no Gov.

    • Qual o problema de perder? Se for desejo do eleitor temos que nos conformar. Mas escutando joaquim falar tenho a impressao que se trata de uma mudanca muito radical muito alem do que eu esperava e muito diferente do discurso da candidata Dilma. E acho estranho o silencio da presidente na defesa das propostas de sua equipe.

      • No último Triconomics, Carlos Eduardo Gonçalves fez interessante comentário sobre o silêncio de Dilma para o que disse Levy sobre os erros da equipe anterior.

        Observou que Nelson Barbosa levou um humilhante puxão de orelha da Dilma por causa do que disse sobre o salário mínimo, Mas Dilma não deu um pio sobre o esculacho da Dilma I por Levy, que disse que tudo o que foi feito nos últimos quatro anos só deu m…. (patrimonialismo, campeões nacionais, controle de preços, etc).

        Por que será que Dilma rodou a baiana com Barbosa e afinou com Levy? 🙂

    • Você está satisfeito com a escolha do Levy para a Fazenda? Esse é o tipo de política econômica que você esperava quando votou na Dilma?

  9. A grande ilusão das pessoas é achar que crescimento econômico e desenvolvimento dependem do governo.

    Não depende. Depende das pessoas. E as pessoas precisam de liberdade para trabalharem e produzirem.

    Se o governo ‘entrasse em greve’ e deixasse a coisa fluir estaríamos em uma condição melhor no caminho da prosperidade.

  10. Mansuetto….somente um esclarecimento sobre Eletrobras ….sempre foi uma empresa com péssimos fundamentos….a diferença é que antes apresentava lucros inconsistentes….neste governo passou a ter prejuízos consistentes ,,,,rsssss…atualmente na casa dos 7 bilhões….Petrobrás ao menos possui lucros de 20 bi….

Os comentários estão desativados.