A prova do pudim

Desde que voltei de férias no último sábado, já conversei rápidamente com 3-4 jornalistas e todos me informaram que até ontem continuavam com os mesmos problemas de sempre para conseguir informações do Tesouro nacional.

Por exemplo, quais estados estão gastando com pessoal além do limite estabelecido pela LRF? qual o total de endividamento novo dos estados no Brasil nos últimos dois anos? Qual a dívida do Tesouro junto ao BNDES referente aos subsídios não pagos no âmbito do PSI? Quais estados e municípios não estão cumprindo integralmente a LRF? Se o Tesouro Nacional sabe, não fala nada como se os tópicos acima fossem segredos de estado. A equipe econômica mudou.

A melhor prova do pudim em relação a transparência é ver de que forma as dúvidas dos jornalistas serão corretamente explicadas e a demanda por informações atendidas pela nova direção do Tesouro Nacional. Na gestão anterior além de informações serem recorrentemente sonegadas (não consigo encontrar uma palavra melhor), os técnicos que gostariam de falar não tinham autorização nem a liberdade institucional para fazê-lo.

Espero e torço para que a transparência das contas públicas melhore. A prova do pudim quem fará serão os  jornalistas.

4 pensamentos sobre “A prova do pudim

  1. Meu trabalho de conclusão do curso de Ciências Sociais foi sobre o ORÇAMENTO PARTICIPATIVO de POA. Minha formação média é a de Técnico em Contabilidade (1956). Minha trajetória profissional inclui ex-BB e ex-industrial. Tenho, portanto, familiaridade com os números o que não agrada aos cientistas sociais. Quando tentei obter dados sobre o referido OP era tudo escondido. Alguns dados que obtive não coincidiam com o discurso. Por ex: 500000 participantes. Na verdade nunca passaram de 20000. É a escola do Arno Augustin.

    • Olha: orçamento participativo é a maior lorota da paróquia. Assuntinho cansativo e surrado. É o maior 171 petista que existe por aí. Não me vou estender no assunto porque há muitos trabalhos, principalmente no exterior, sobre o tema “participação”.
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      O importante é que não confundamos as coisas. Uma coisa é o governo de turno. Esse que está aí e do qual ninguém gosta. Outra coisa são dados e informações contábeis, em relação aos quais os técnicos do Tesouro Nacional, servidores do Estado, fazem um esforço danado para oferecer ao público.
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      Outro dia, mesmo, no sítio do Tesouro, baixei os dados orçamentários de quase 4.900 municípios, escolhidos por terem população igual ou inferior a 80.000 habitantes. Consegui os dados num tapa e terminei o trabalho com outro tapa. Portanto, acho que os jornalistas mencionados pelo Mansueto estão nervosinhos à toa.
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      Nem sempre os dados estão atualizadíssimos. Conforme o tema a pesquisar, há defasagem que varia de 2 a 4 ou 5 meses “after the fact”. E a defasagem, é importante ENSINAR, não decorre da má vontade dos técnicos e de vieses partidários. Está lá, prevista na legislação. Portanto, para tudo há explicação.
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      Acho importante que as críticas sejam feitas. Mas as críticas devem ser producentes, justas e adequadamente precisas.

  2. Que bobagem… Esses jornalistas com quem você conversou devem sofrer de histeria pós-reveillon. Há uma avalanche de dados e informações disponíveis em numerosos sítios, a exemplo do do Tesouro Nacional, do Senado Federal, da Câmara do Deputados, etc. O problema é que esses carinhas não sabem ou não querem ler demonstrativos contábeis. Querem tudo explicadinho e, ainda, se dizem jornalistas especializados.
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    Se há informação indisponível, isso se deve ao fato de que ela, a informação, simplesmente ainda não existe. Ponto final. O resto é conversa mole. Puro pudim…

  3. Não entendi. Será que estes jornalistas sabem procurar os números ? É provável que você tenha mais expertise nisso que eles né…Pode ser problema de realmente não haver os dados ou então de compilação de dados.

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