Gasto não financeiro do governo central de 1991 a 2014

Na entrevista que dei há pouco à CNB para o jornalista Carlos Alberto Sardenberg falei que todos os presidentes do Brasil depois da constituição de 1988 quando saíram do governo deixaram para trás uma despesa pública maior do que no início do seu mandato – sem exceção. Ver gráfico abaixo com as barras vermelhas identificando o final de mandatos.

Por que agora será diferente? sim, temos um novo ministro da fazenda que é um economista brilhante com capacidade de fazer muita coisa boa. Mas para controlar o crescimento da despesa pública em uma economia com crescimento médio de 1,5% ao ano é preciso muita ousadia e mudanças de regras cujo o efeito no caixa do tesouro nem sempre é imediato. Ainda não está claro para miim que o governo Dilma-II está disposto a bancar o custo politico deste ajuste via corte de gastos.

No gráfico abaixo tem minha estimativa para a despesa primária no final do governo Dilma de 19,66% do PIB, supondo um crescimento nominal da despesa primária do governo central de 12% este ano e um crescimento do PIB nominal de 7,7%. É por isso que enfatizo que acho muito difícil um ajuste de 3 ou mais pontos do PIB,, sem, infelizmente, aumento de carga tributária.

Mas isso é um absurdo! Sim é um absurdo, mas infelizmente a conta chegou e a história das duas últimas dedadas mostra que é sempre mais fácil se criar o consenso para aprovar um novo imposto/contribuição do que cortar gastos. Isso pode mudar agora? pode, mas será difícil. As instituições são as mesmas e as restrições ainda maiores.

Despesa Primária do Governo Central (Tesouro, Previdência e Banco Central) – 1991-2014

Gasto Público 1990 a 2014Fonte: Tesouro Nacional

OBS: despesa primária não inclui amortização da divida e pagamento de juros. Despesa primária é também chamada de despesa não financeira. 

 

2 pensamentos sobre “Gasto não financeiro do governo central de 1991 a 2014

  1. Saberias dizer onde eu posso encontrar um gráfico, ou os dados, sobre a quantidade de títulos públicos emitidos pelo tesouro nos últimos anos?

  2. A situação das contas públicas é realmente muito preocupante. A atual e futura presidenta, como mandatária do país foi a grande responsável pelo difícil momento econômico, fiscal e político que passa o Brasil. O modelo econômico adotado no seu primeiro mandato cujo escopo é “desenvolvimentista” é ultrapassado e só encontra simpatizantes e adeptos nos economistas da Unicamp. Nunca vi tanto atraso e mediocridade teórica por parte dos responsáveis pela escolha do modelo econômico adotado.
    Assim como vc, eu também tenho grande dificuldade em acreditar que neste segundo mandato, a Sra. Dilma estará disposta em respaldar a equipe econômica na adoção de medidas econômicas e fiscais tão necessárias para promover os ajustes esperados.
    Dilma, comprovadamente, não tem cacife e espaço político para bancar os ajustes necessários, até porque o viés econômico do PT e tão medíocre que encontra sustentação apenas na ultrapassada teoria econômica desenvolvimentista.
    É muito atraso, estamos voltando aos anos 60.

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