Competência para confusão

Estou meio afastado do blog e devo continuar menos ativo por absoluta falta de tempo. Isso não significa que não esteja acompanhando os debates. Ao contrário, estou até participando mais ativamente de debates, mas por meio de reuniões fechadas. Nesses últimos dias três coisas me surpreenderam.

Primeiro, a indicação da nova equipe econômica com nomes muito bons para resolver o imbróglio fiscal. A tarefa do time econômico não é fácil. Eles têm que convencer a presidente e o partido da presidente, o PT, do tamanho do problema e das medidas duras (posso chamar de impopulares?) que precisam ser adotadas.

Segundo, mesmo que o governo se convença do tamanho do ajuste fiscal necessário, algo na linha de R$ 150 bilhões, no mínimo, há ainda o desafio de convencer parlamentares da base do governo e da oposição da necessidade dessas medidas. Eu converso com senadores da oposição e sei que o humor hoje para se aprovar qualquer medida “impopular” do governo é “zero”. Assim, o governo terá que organizar a sua base.

Terceiro, mal a equipe econômica foi anunciada, já teve início uma fritura dos economistas indicados para ministro, em especial, Joaquim Levy. O PT deveria levantar as mãos para o Céu e agradecer por Joaquim Levy ter concordado com a sua indicação para tentar consertar os erros da equipe econômica do primeiro governo Dilma.

Mas parece que o PT quer para ministro alguém mais parecido com o ministro Mercadante. O problema é que algumas pessoas do governo sabem muito bem o risco de “brincar” com o mercado em um país com déficit nominal de 5% do PIB, déficit em conta corrente de quase 4% do PIB, índices de confiança de consumidores e empresários baixos, inflação alta, e preços administrados com reajustes atrasados.

Na minha modesta opinião, quanto mais o segundo governo Dilma se aproximar do primeiro governo Lula, melhor será para nós todos. Quanto mais o segundo governo Dilma se aproximar do primeiro governo Dilma maior será o risco de uma crise. A indicação para equipe econômica foi a primeira coisa sensata que o governo fez desde que terminou a eleição e, por um momento, até deixamos de ler as noticias da “suposta” roubalheira na Petrobras.

7 pensamentos sobre “Competência para confusão

  1. Não dura 1 ano este ministro. Aliás, temerária,para a própria reputação, a atitude dele de participar deste governo perdulário. Não vai conseguir trabalhar sem intromissão e ainda vai sair com fama de malvado. Tem que ser muito boa pessoa pra rifar a própria reputação assim.

  2. O Joaquim Levy está sendo um herói. Parabéns para ele, tenho certeza que vai fazer um bom serviço. Estamos precisando de torcida mais positiva para o governo acertar o pé e melhorar a vida dos brasileiros. Vamos parar com essa mania de torcer para tudo dar errado. Estamos melhores. Essa onda de investigações são bem vindas. Pode ser o fim da corrupção e o nascimento de uma classe política mais séria. Não há preço em dormir com a consciência tranquila, não vale nem um bilhão de reais (que são as cifras que esse povo gosta de roubar). Viver tranquilo com a consciência que estamos trabalhando para o futuro das crianças, dos jovens e de todos desse país isso sim é impagável.

  3. É uma posição difícil, de fato, mas depois que o chefe refugou, ficaria impossível para ele recusar o “convite”. Boa sorte, Levy. Deus abençoe o Brasil. Esse é o meu desejo.

    Meu chute é que nem o do Pedro, embora eu ache que ele dura pelo menos até o risco de downgrade desaparecer (espera sentado…) ou no caso do downgrade se confirmar (uma possibilidade maior do que gostaria). 2015 ficou comprido demais e já começou.

    De toda forma, acho que o Levy não se queima se tentar fazer seu trabalho honestamente, coisa que ele vai fazer. Acho que quem está preocupado com o pais, e é responsável, entende o tamanho da bomba que está aí, e sabe que a culpa não foi dele.

  4. A situação econômica e fiscal do país é muito preocupante. Se não houver bom senso, responsabilidade e comprometimento da presidenta e da classe política como um todo, o Brasil corre o sério risco de “venezuelar-se”.

  5. Por outro lado, o retrocesso institucional é tão grave que vai ser necessária um geração inteira para recuperar o que foi perdido. A Lei de Responsabilidade Fiscal foi para o lixo, independentemente de se fazer um ajuste daqui pra frente. O setor elétrico está em frangalhos, e a Petrobrás nem balanço tem. O fato da Dilma ter se eleito com o discurso que teve é gravíssimo, e nem o estelionato eleitoral alivia. Dilma passa, o Brasil fica, e a mensagem que passamos é a de um país de fanfarrões. Para nós mesmos e para o mundo.

  6. Curti o “venezuelalizar-se”. Eu mantenho o que disse em comments liberados e emperrados anteriores. Acho complicado um profissional trabalhar em um ambiente onde há uma liderança de perfil autocrático. A autonomia de um profissional que é reconhecido por sua competência não pode ser tolhida sob risco de queimar esse profissional e deteriorar ainda mais o cenário. Eu gostaria de perguntar aos petistas se posso passar a chave na minha dispensa? Afinal de contas, pelo fato da presidenta ter escolhido um cavalheiro que trabalhava em uma instituição financeira, tenho medo que minha comida saia voando pela janela.

  7. Ninguém parou pra pensar na possibilidade de terem nomeado este especialista só pra quando a crise se mostrar imune a qualquer tipo de disfarce usarem-no como boi de piranha culpando um burguês banqueiro neoliberal opressor por tudo o que o lulopetralhismo causou ao país?

    Não sejam inocentes, estes caras não possuem escrúpulos.

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