Estelionato eleitoral e o desmonte dos bancos públicos

Hoje, eu realmente me surpreendi com a postura nada republicana do nosso ministro da fazenda. Se ele tivesse um pouco de respeito ao cargo que ocupa escreveria uma carta para Armínio Fraga pedindo desculpas.

Para a surpresa de todos e espanto geral da nação, o nosso ministro da fazenda declarou hoje em São Paulo que (veja aqui no UOL):

 “……uma redução no papel que os bancos públicos vêm desempenhando na política econômica e afirmou que os cortes de despesas em estudo pelo governo deve envolver a redução de subsídios financeiros….. Mantega citou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como um exemplo de onde poderia ocorrer essa redução”.

Quando falávamos a mesma coisa, Mantega era o primeiro a nos acusar que queríamos fechar bancos públicos e cortar o PSI. O ministro vai fazer exatamente a mesma coisa e pior, pois dada a falta de confiança o custo do ajuste com eles terá que ser mais profundo.

Além de falar que vai diminuir os subsídios, algo que a candidata sempre negou ao longo da campanha eleitoral, o nosso ministro da fazenda falou também esta manhã que:

“Do ponto de vista da política fiscal, temos que caminhar para um aumento gradual do [superavit] primário, em relação ao resultado de 2014″, acrescentou. “Para isso nós temos agora que fazer uma redução das despesas, uma redução importante das despesas.”

Os dados fiscais de outubro já fechados e que serão divulgados apenas no final de novembro são tão ruins, do lado da despesa, quanto os de setembro. A despesa com seguro-desemprego e abono salarial, assistência social e previdência vieram novamente muito alto e o crescimento da despesa foi ainda maior do que no mês passado, quando tivemos um déficit recorde.

Na entrevista publicada hoje, no Valor Econômico, a presidenta já sinaliza a possibilidade de modificar o seguro desemprego, mudar o abono salarial e fazer uma reforma da previdência para endurecer as regras de concessão de pensão por morte. Isso é reduzir gasto social. Isso na linguagem da candidata Dilma é estelionato eleitoral.

Para terminar dois rápidos comentários. Primeiro, pelo andar da carruagem, Armínio Fraga será tido daqui a pouco tempo como um economista de esquerda. Acho que, em algum momento, Luiz Gonzaga Belluzzo pedirá a Armínio e outros economistas que participaram da campanha do Aécio para assinar um manifesto contra as “medidas heterodoxas” deste governo.

Segundo, a decepção dos movimentos sindicais e dos sindicatos dos bancários com a presidente Dilma não será daqui a um ano, mas sim daqui a algumas semanas. Isso vale também para muito dos economistas que assinaram o manifesto por desenvolvimento com inclusão social. Eu confesso que não esperava “tanta maldade” do ainda ministro Mantega e da presidente Dilma. Não me surpreenderia se Mantega continuasse no governo já que é o exemplo perfeito de “uma metamorfose ambulante”.

 

 

10 pensamentos sobre “Estelionato eleitoral e o desmonte dos bancos públicos

  1. Mansueto, sabe se dá pra tomar alguma medida contra o governo depois de terem claramente mentido durante a campanha no que diz respeito às medidas fiscais (além de não votar no PT em 2018 de novo, é claro)?

    • A única medida é política. Oposição deve mostrar a contradição entre discurso da campanha é medidas que o governo vai adotar.

      • É uma pena… Acho que o Índio da Costa está querendo apresentar/já apresentou uma proposta para cobrar mais accountability dos políticos em promessas de campanha, mas não sei bem ao certo os detalhes..

  2. Para quem fazia oposição ao próprio governo na campanha, tudo é possível.

    Será que o Mantega vai fazer o trabalho sujo para deixar a casa um pouco melhor para o próximo ministro?

  3. Boa tarde.Meu medo era deixar o barco à deriva como ficou, em especial, nos últimos 04 anos. A despeito da diferença grotesca de discurso entre o pré e pós eleitoral, pelo menos parecem estar mostrando algum sinal de lucidez ante ao caos em que se encontra a situação fiscal do país.

  4. Mansueto, tenho nota que o seus comentários tem assumindo um caráter mais, digamos, passional, em relação ao governo. Talvez por ressentimento em função dos ataques baixos da campanha eleitoral. Só não deixe isso atrapalhar a racionalidade com que você costuma expor as suas posições, porque aí o blog vai perder a importância que tem, pelo menos para um seguimento que sabe diferenciar da mera retórica eleitoral das posições políticas reais. Uma sugestão. abs

  5. Mansueto,

    Como é possível crescerem os saques do seguro-desemprego ao mesmo tempo em que o número de empregados aumenta? Até hoje não vi NINGUÉM questionando essa discrepância !!! Que raios de “pleno-emprego” é esse??

  6. A maldade se faz de uma só x ….a bondade a conta-gotas, então já começou a ‘maldade’ porém duvido que o custo seja suportável politicamente….sempre me questionei se não foi melhor para o Aécio ter perdido, assim ele não fica com o ônus da ‘maldade’ de ter ‘tirado o prato de comida da mesa dos pobres’….possivelmente se continuar com esse governo incompetente vão perder até a mesa.

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