A semana começa sem rumo

Esta semana começa com as mesmas dúvidas e indefinições da semana passada e que não serão solucionadas nesta semana, pois o governo tem o seu tempo que é diferente do tempo do mercado. Enquanto isso, os problemas não resolvidos da gestão atual vão se agravando.

Vou fazer aqui alguns rápido comentários. Para aqueles que acham que o destino do país será definido por um excelente ministro da fazenda que montará uma equipe espetacular e solucionará os problemas do país, sugiro que leiam o artigo do economista Marcos Lisboa de hoje na Folha de São Paulo (clique aqui).

O problema fiscal é menos econômico e mais político. Como fala marcos: “A baixa confiança é resultado dos problemas, e não a sua causa. Ela requer uma agenda de governo, e não apenas um novo ministro da Fazenda”.

O que o mercado torce, mas não fala, é que o próximo ministro da fazenda seja forte o bastante para tornar o ex-presidente Lula o real mentor das ações na área econômica. Eu não acredito nisto até porque o “dream team” da presidente Dilma acredita que aumento da divida e subsídios são positivos e resolverão todos os nossos problemas. A politica de conteúdo nacional será cada vez mais presente independente da evidência se funciona ou não.

A imprensa noticiou recentemente que o governo já estuda um novo empréstimo de R$ 20 bilhões ao BNDES (clique aqui). Se daqui a seis meses o governo achar que não foi suficiente farão um novo empréstimo. Isso está no DNA do governo atual e não mudará, apesar dos discurso que esses empréstimos diminuirão.

Hoje, matéria do jornal o Estado de São Paulo mostra que o governo planeja ampliar os subsídios (clique aqui) para o setor produtivo. Eles fazem isso não é por maldade, mas por convicção que subsídios setoriais ocasionam mais crescimento. Não há nenhum evidência disso, mas as pessoas costumam ser muito seletivas da forma que olham a evidência empírica.

Adicionalmente, na dança das cadeiras, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, continuará muito forte ou até mais forte em um segundo governo Dilma como mostra matéria de hoje do jornal Folha de São Paulo (clique aqui). Segundo a matéria do jornal:

 “O atual secretário do Tesouro Nacional deve assumir, a partir do próximo ano, o cargo de assessor especial da Presidência, com direito a sala ao lado do gabinete presidencial no Planalto. Funcionários do alto escalão dizem achar que, caso assuma a nova função, Arno será uma espécie de “grilo falante”, dando ideias à presidente não só na agenda macroeconômica, mas também na micro. Ou seja: sua influência aumentará em 2015.”

O mercado continuará sua procura, ao longo desta semana, por sinais de mudança na política econômica. Os rumores de quem será o novo titular da fazenda continuarão. Nada disso solucionará os nossos grandes dilemas que são políticos e, aqui, o governo continuará desconfiando do setor privado. O governo achava e continua achando  que será o principal ator na definição dos grandes projetos de investimento e do crescimento do país.  Não sei se essa veia intervencionista mudou. Acho que não.

Assim, a semana começa sem novidades e com o governo fazendo o que sempre fez que é tentar convencer aos outros que o maior problema da política econômica é o resto do mundo e não o tipo de política intervencionista que caracterizou o primeiro mandato da presidente Dilma. Há muitas razões para apostarmos em um cenário do mais do mesmo até perdermos o grau de investimento.

17 pensamentos sobre “A semana começa sem rumo

  1. Mansueto, posso confiar meu dinheiro ao governo comprando títulos do tesouro com juros altíssimos diante deste cenário catastrófico ou os defensores dos pobres se apressarão em culpar os banqueiros malvados e declarar moratória?

  2. além do encarecimento de novas dívidas quais serão as principais consequencias no medio e longo prazo após a perda do grau de investimento Mansueto? Abraços!

  3. Trabuco acabou de recusar o cargo. A presidenta tentará convencer Meirelles para ser o salvador da pátria. Acredito que ele também irá recusar, pois, provavelmente, sabe do tamanho da encrenca em que estará se metendo.

  4. Mansuetto, um off-topic aqui, estou querendo montar um site bem didático interativo com dados sobre a economia; quero focar principalmente na área Fiscal. Se puder me indicar boas fontes de dados e estudos para isso, agradeceria demais… Estudos sobre corrupção seria legal também, tenho procurado mas não achei muita coisa.

    Abraço.

    • Daniel,

      teria que pesquisar um pouco. Mas na área fiscal há muitos dados mas falta interpretação. Exatamente o que você quer abordar?

  5. Caro Mansueto, gostaria de saber sua opinião sobre os resultados/perspectivas dos programas do governo para investimento em infraestrutura (PAC 2). Na página do Programa, há inúmeras obras de infraestrutura. É possível ter alguma expectativa de melhora na produtividade à medida que essas obras forem terminando? Muito obrigado,Gustavo

    Date: Mon, 3 Nov 2014 14:13:06 +0000 To: gugahirsch@hotmail.com

    • Gustavo, eu tinha uma expectativa muito positiva sobre o PAC em 2007. Nos primeiros anos, o programa funcionou bem, mas depois perdeu o ímpeto inicial.

      Quando se retira o Minha Casa Minha Vida que é na verdade o pagamento de subsídios, o investimento público do governo federal (sem estatais) em 2013 foi basicamente mesmo do final do governo Lula em 2010: 1,1% do PIB.

      Há várias obras do PAC-1 com atraso superior a quatro anos e com um aumento de custo superior a 50%, como é o caso da transposição do Rio São Francisco. A verdade é que o PAC 1 e PAC 2 não resolveu nossos problemas de planejamento e execução de grandes obras públicas.

      Eu já escrevi alguns postos no blog sobre esse assunto, Mas o contas abertas fez um levantamento cuidadoso do PAC-2: http://www.contasabertas.com.br/website/noticia/pac2

      Por fim, sim é possível que a produtividade melhore com o a conclusão de algumas obras. Mas no Brasil há mais de uma década o investimento em infraestrutura tem sido em media de 2,5% do PIB ao ano e, apenas para manter a qualidade, deveríamos investir pelo menos 3% do PIB. Assim, para fazer diferença no crescimento da produtividade temos que investir muito mais.

    • Se fosse eu acharia muito bom porque ficaria muito clara a diferença entre a nova matriz econômica e o tripé macroeconômico. Adoraria ver Mercadante como ministro da fazenda. Mas seria uma grande dor de cabeça para o Banco Central.

  6. Pelo visto está entre o Henrique Meirelles e o Nelson Barbosa. Prefiro o segundo, com certeza, mas vamos aguardar. Uma boa também seria um político, estilo do Jacques Wagner e com bons técnicos abaixo dele, mas pelo visto isso já está descartado.
    Parabéns pelo trabalho na campanha Mansueto, perderam, mas vocês, certamente fizeram o melhor. Espero que o trabalho seu e de outros ajude o atual Governo a concertar o que estiver de muito equivocado.

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