Resultado Primário do Governo Central: Pior resultado desde 1991

O Banco Central disponibiliza a série histórica do resultado primário do governo central (tesouro, previdência e Banco Central) desde janeiro de 1991. Para que não fiquem dúvidas do resultado ruim divulgado ontem, um déficit primário de R$ 19,5 bilhões ou de 0,5% do PIB, acumulado de janeiro a setembro deste ano, é o pior para o mesmo período desde 1991.

Na verdade, desde o inicio da série do Banco Central, não se observa nenhum déficit primário para o governo central de janeiro a setembro até este ano. Claro que, com a inflação elevada do período anterior ao Plano Real, atrasos nos pagamentos de um ou dois meses faziam grande diferença.

De qualquer forma, se olharmos apenas para os resultados pós Plano Real o resultado não é diferente. O resultado divulgado ontem, um déficit primário de 0,5% do PIB, é o pior para os nove primeiros meses do ano.

Gráfico – Superávit Primário Governo Central – JAN-SET – 1991-2014 – % do PIB

Primário JAN_SET

Fonte: Banco Central

Ontem recebi um e-mail inusitado de alguém perguntando se, ao invés de criticar, como os economistas de oposição ajudariam a resolver o problema. Me pareceu uma brincadeira de mau gosto, pois ao longo dos últimos quatro anos todos que alertavam sobre o crescimento das despesas e o uso recorrente de truques contábeis foram tratados com indiferença e descaso pelo governo.

Acho que o governo ganhou uma excelente oportunidade para corrigir os seus erros dos últimos anos na área econômica. Isso não será fácil ainda mais quando nas eleições enfatizaram repetidamente que não havia necessidade de ajuste algum.

O cientista político André Singer, que como outros simpatizantes do PT acreditavam que o que estava em jogo nas eleições era a continuidade ou não dos gastos sociais e de um modelo de inclusão social (ver aqui artigo medindo forças que o colunista da Folha escreveu em abril), não perceberam ou não quiseram acreditar que o real debate era o modelo econômico, com mais ou menos intervenção e controle do Estado na economia e não os gastos sociais.

O colunista no seu artigo de hoje na Folha de São Paulo (clique aqui) já se mostra decepcionado com os primeiros passos do governo que aumentou a taxa de juros, já fala da necessidade de ajuste fiscal e até de nomear um banqueiro como ministro da fazenda. A tendência é que essa decepção aumente ainda mais no próximo ano, pois a única forma de o governo começar bem é se ele abraçar uma agenda econômica que a presidente e seus ministros tanto criticaram. Com uma grande diferença. Dada a perda de credibilidade do governo atual, o custo do ajuste com eles , como sempre falei, será muito maior.

2 pensamentos sobre “Resultado Primário do Governo Central: Pior resultado desde 1991

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