Pós-eleição: “agora a história é outra”.

vale ler o artigo de hoje da jornalista Claudia Safatle sobre as difíceis medidas que o governo deverá ou não tomar para recuperar o superávit primário e a confiança do mercado. Aqui vou destacar apenas os dois últimos parágrafos (grifo em vermelho meu):

“Eleitores menos atentos podem considerar que essas medidas se configuram um estelionato eleitoral. São providências que a candidata à reeleição, presidente Dilma Rousseff, disse que quem as tomaria seria o seu adversário, Aécio Neves.

Foi com um discurso aterrorizante sobre o destino dos juros e dos gastos públicos e seus efeitos perversos sobre o emprego que Dilma atacou o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga indicado para o Ministério da Fazenda caso Aécio vencesse as eleições. Mas, como dizem no governo, aquilo era para ganhar a eleição. Agora a história é outra.

Ou seja, algumas pessoas do governo falam que mentiram e utilizaram um discurso “terrorista” contra os candidatos da oposição para ganhar a eleição. Ser for isso mesmo, mostra muito bem a qualidade de algumas pessoas do governo.

Será  interessante ver ao longo das próximas semanas quase uma noticia ruim por semana. O governo está desesperado, testando nomes para ministro da fazenda com as seguintes características:

1) Seja um profissional de ilibada reputação e respeitado pelo mercado, mas deve obedecer à presidente Dilma,

2) Tenha credibilidade para recuperar o superávit primário e evitar a perda do grau de investimento, mas tem que  obedecer a presidente Dilma,

3) Tenha bom relacionamento com empresários, mas deve obedecer à presidente Dilma; 

4) seja capaz de montar uma equipe econômica competente com nomes respeitados pelo mercado, mas todos devem obedecer à presidente Dilma, e

5) Sempre falar que a culpa da crise foi do governo Fernando Henrique Cardoso e de todos os outros presidentes do Brasil antes de 2003.

Posso estar muito errado, mas o governo não sabe o tamanho do problema que tem para resolver, continuará  escondendo parte das contas e ainda enfrentará uma oposição duríssima no Congresso Nacional. A turma do PSDB no Senado está recrutando bons economistas e essa turma de senadores fará uma grande diferença.

No meu caso, acho que esse processo de ajuste incompleto pelo qual estamos passando e vamos passar mostrará para  a sociedade como a turma do “time do bem” (esse era o slogan dos candidatos a deputados da base do governo aqui em Brasilia) podem fazer maldades. Só que eles terão que fazer muitas maldades porque o custo do ajuste com eles será maior. E quem me disse isso foi alguém muito próximo ao ex-presidente Lula que está  muito preocupado.

Feliz dia das bruxas.