Não aprenderam ou querem especular?

A primeira entrevista do antigo ministro da fazenda, Guido Mantega, depois das eleições mostra muito bem a razão da sua demissão. O ministro fez uma entrevista coletiva para não falar coisa alguma e ainda interpretou a vitória da presidente Dilma como uma sinalização positiva do mercado e da população que aprova a politica econômica da presidente (clique aqui). O ministro ainda falou que a queda da bolsa brasileira hoje é fruto da queda do preços das commodities no mercado internacional. Qual a commodity que o Banco do Brasil vende?

Alguém com um pouco de bom senso ao escutar a entrevista do ministro da fazenda hoje deve se perguntar: como que essa pessoa conseguiu durar oito anos no governo? Eu faço a mesma pergunta e não tenho a resposta.

Os sinais que o governo emitiu hoje para o mercado foram ruins. Primeiro, a entrevista do ministro da fazenda, que não falou coisa alguma e ainda falou o absurdo da aprovação da política econômica, reforçando a tese que não é preciso mudar nada. Será? Acho que o Planalto ainda não tomou conhecimento da herança maldita que eles próprio criaram. O ministro ainda teve coragem de falar da volta do otimismo dos investidores com a economia brasileira. É claro que tal declaração repercutiu lá fora como motivo de piada.

Segundo, a presidente reeleita não acenou com um discurso de paz com a oposição. O governo recomeça com uma base parlamentar menor e credor da boa vontade do PMDB e do Deputado Eduardo Cunha que nunca morreu de amores pelo governo Dilma. Nas próximas semanas, o Congresso Nacional aprovará o aumento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o governo terá que revisar os parâmetros do orçamento de 2015. O novo governo (de ideias novas?) começa com um cenário econômico e político muito adverso e o governo tinha que desarmar esta bomba ontem.

Terceiro, o secretario executivo do ministério da fazenda, ­ Paulo Caffarelli, se reuniu hoje com o presidente da ANFAVEA para discutir novas medidas de estimulo ao setor automotivo (clique aqui). Este governo tem um fetiche por carros muito maior do que eu tinha nos meus 16 anos de idade. Mas a verdade é que o governo não tem nenhum grau de liberdade para ajudar a indústria automobilística neste momento. Curioso para ver as medidas para o setor.

Pelos movimentos do hoje do ministério da fazenda, o governo, ao que parece, não tem ideia da gravidade do cenário econômico. Dá a impressão que estavam tão preocupados em demonizar a independência do Banco Central que não se prepararam para o “day after” da eleição em caso de vitória. Enquanto isso eles criam um prato cheio para especulação.

Vamos torcer para que o governo sinalize logo o que irá fazer para recuperar o superávit primário e reduzir a inflação. Se tentar empurrar o problema com a barriga nós pagaremos um preço alto.