Sobre as pesquisas eleitorais

Apenas hoje tive a chance de assistir ao último programa da jornalista Miriam Leitão na GloboNews com o cientista politico Carlos Pereira (FGV) e com a diretora do IBOPE , Márcia Cavallari, sobre as eleições e as pesquisas eleitorais.

Quando questionada sobre os erros do IBOPE no primeiro turno, a diretora do IBOPE deixou muito claro que:

(1)  as pesquisas são boas para definir tendência, mas não para acertar resultados. Quando há um grande número de indecisos é impossível saber em quem esses eleitores votarão no dia da eleição;

 (2) as pesquisas eleitorais não são probabilísticas, mas sim pesquisas com “amostragem por quotas” que trabalham com uma amostra pequena e, assim, sujeita a erros maiores; e

 (3) não faz sentido, nesse tipo de pesquisa que não é probabilística, falar em margem de erro e em intervalo de confiança. Mas os institutos de pesquisa o fazem porque o TSE os obriga a definir margem de erro – que neste caso não faz o mínimo sentido.

O que tudo isso mostra? Que quem acredita ao pé da letra que no que os institutos de pesquisa mostram, em uma eleição tão competitiva como esta, pode quebrar a cara.

Vários analistas tentam corrigir de forma diferente o viés das pesquisas do IBOPE e DATAFOLHA. Recebi na minha caixa postal dois tipos de correção. Uma corrige essas pesquisas comparando a amostra dos institutos com os microdados da PNAD. Neste caso, a amostra dos institutos de pesquisa tem mais pobres do que a PNAD e, assim, a presidente Dilma ganha pelo menos uns 6 pontos de intenção de voto por “viés da amostra”.

A outra forma de corrigir essas pesquisas é confrontar a amostra dos institutos neste segundo turno com os resultados do primeiro turno. As pessoas entrevistadas declaram seu voto no primeiro turno, mas pelo que essas pessoas declaram Aécio teve um votação menor e Dilma uma votação maior do que o resultado efetivo do primeiro turno. Fazendo essa correção se chega hoje a uma situação de empate técnico.

A eleição para presidente do Brasil deste domingo é uma eleição muito competitiva e o resultado incerto. É impossível afirmar baseado nas pesquisas disponíveis quem será o vencedor.

Mas o que está em jogo é muito mais do que o simples resultado das eleições e o grau de acerto dos institutos de pesquisa, mas sim o futuro do nosso país. No meu caso, me identifico com a proposta de governo do PSDB, uma proposta que consegue aliar ajuste econômico como progresso social (vejam meu artigo amanhã no Estadão com Armínio Fraga) e porque o governo atual nos meteu em um enrascada econômica que não sabe como resolver (escrevo amanhã outro artigo no Estadão sobre este assunto com José Roberto Mendonça de Barros).

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