A maior contradição do governo do PT

O segundo governo Lula e o governo Dilma estão mergulhados em um eterno conflito: ser ativo na áreas social e ser ativo no projeto de promoção setorial e de empresas. Mas é impossível conciliar essas duas agendas no orçamento público, porque os gastos sociais e gastos com pessoal absorvem quase 90% do orçamento da união.

Não há como o Brasil ser China e Finlândia ao mesmo tempo. Se quisermos ser como a China que gasta apenas 2,5% do seu PIB com previdência social ao invés de 12% do PIB como o Brasil, significa gastar menos com o social e mais com o setorial. Mas se quisermos ser como a Finlândia, significa gastar mais com o social e muito pouco com política setorial.

Mas a lei que impera na cabeça dos nossos governantes do PT é que o Brasil pode ser ativo no social e no setorial. Nós podemos tudo e não há limites. Limites é coisa de “neoliberal safado”. Mas isso é impossível. O estado brasileiro com essa dupla função não cabe no orçamento.

Qual a solução? Aumentar impostos? Se fizessem isso o custo de perseguir esse duplo objetivo ficaria claro para a sociedade e os jovens reclamariam do favorecimento a empresas e setores.

E se for pelo aumento da dívida? Neste caso a sociedade não notaria o custo da política, pois o seu custo apareceria no serviço da dívida que envolve várias outras coisas, inclusive o custo de carregamento das reservas internacionais. Assim, o forte crescimento da divida bruta (ver abaixo) para emprestar para bancos públicos foi uma estratégia de conciliar o Estado ativo no social e no setorial, o estado moderno do sec. XXI que prioriza o investimento em capital humano como o velho estado desenvolvimentista do sec. XX que priorizava o investimento fixo com recursos públicos e promoção setorial.

 Dívida dos Bancos Públicos junto ao Tesouro Nacional – R$ bilhões e % do PIB – 2007-2014 (agosto).BNDES divida

 Fonte: Banco Central

Quando isso vai parar? Em um governo Dilma nunca vai parar porque as pessoas deste governo têm convicção que o beneficio dessa estratégia é maior do que o seu custo. Há alguma evidência para essa crença? Nenhuma e foi exatamente a mesma estratégia que nos levou à década perdida.

Não tenho dúvidas que, em caso de reeleição da presidenta Dilma, uma possiblidade ainda que remota, o Brasil perderá o grau de investimento, o que levaria a um aumento no custo de financiamento das empresas e do país. O mais engraçado que tudo isso feito com o apoio de alguns “trabalhadores” que acham normal aumentar o endividamento para financiar “amigos do rei” e/ou “compensar” os nossos vários problemas que reduzem o nosso potencial de crescimento.

Depois, alguns “trabalhadores” (não todos) gritam palavras de ordem contra os juros altos e a favor do não pagamento dos juros escorchantes. Parece paradoxal, mas o PT hoje é o grande defensor da estratégia da marcha forçada do governo Geisel, uma politica que deixou como legado uma dívida elevada e com juros altos e que, agora, corre o risco de acontecer o mesmo.