Dilma: A afilhada rebelde

A edição 97 de outubro de 2014 da revista Piauí tem uma longa matéria sobre a presidente Dilma e sua relação com Lula e o PT. Vale a pena ler para entender melhor o que foi o mandato da presidente Dilma, suas virtudes e problemas.

Três coisas na matéria me chamaram atenção. Primeiro, a já conhecida falta de articulação política da presidenta. A presidenta literalmente não sabe fazer o jogo político, logo, teve dificuldades em votações no Congresso Nacional. Como fala a matéria: “No Congresso, Dilma perdeu em várias votações relevantes para o governo. Com uma articulação política frágil, sem vocação para fazer o jogo da arraia-miúda, ela ficou à mercê do fisiologismo. “No segundo e terceiro anos de governo, como estava sem anteparo, ela se expôs muito”, comentou o deputado Paulo Teixeira, do PT de São Paulo…”.

Segundo, a relação conflituosa entre Dilma e Lula. A presidente sempre fala que ninguém fará intriga entre ela e Lula, mas todo mundo que conhece Lula já escutou pelo menos uma vez criticas fortes do ex-presidente ao estilo de sua sucessora governar. Outro trecho da matéria fala que:

“…No meio da crise, foi ela quem pegou um avião para São Paulo para se encontrar com Lula. O poste precisava de luz…..Foi quando Lula sugeriu a saída de Guido Mantega. Mais uma vez, ela se fez de surda. “A maior força de Mantega durante todo o governo foi ter sido vulnerável. Poucos naquele cargo permitiram tamanha ingerência do presidente da República”, comentou um ex-integrante da equipe econômica. Para ela, demiti-lo significava perder o poder irrestrito de mandar na economia. Nessa época, Lula comentou com um grupo no Ipiranga: “Ela não vai mudar”.

Terceiro, se o ex-presidente Lula está um pouco decepcionado com sua afilhada (não vou nem citar nós brasileiros), o que aconteceria se Dilma fosse reeleita. O último parágrafo da matéria dá uma dica:

De nada adiantara mostrar as obras, os programas, as falas de Lula. A vantagem só foi recuperada quando o PT pegou em armas e passou a atacar sem piedade a adversária. As dificuldades do governo, segundo meu interlocutor, nunca foram de macroeconomia, mas de estilo. “Arrogância”, ele disse. Argumentei que, se eleita, ela poderia fazer um governo mais livre, sem se preocupar com Lula ou com o PT, já que provavelmente seria seu último cargo político na vida. Ele balançou a cabeça e deu um sorrisinho. Antes de se retirar, arriscou o porvir: “O fato é que, se ela ganhar, foi o PT que ajudou. E aí, no dia 1º de janeiro, o governo passa a funcionar no Ipiranga. Se perder, ela vai levar essa culpa para sempre. Infelizmente, isso é a política.”

A matéria deixa implícita que, na hipótese ainda remota de reeleição, o suposto (e cada vez mais incerto e distante) segundo governo Dilma seria uma queda de braço constate entre a “afilhada rebelde” e o escritório do Ipiranga. Um cenário que considero desastroso para a urgência de reformas que o Brasil precisa. E claro que já há uma crise política contratada em virtude das denúncias envolvendo a Petrobras.