Aécio e Bancos Públicos

É impressionante o terrorismo eleitoral que se faz em cima dos bancos públicos. Você que trabalha em um banco público, olhe ao seu redor e me diga o que aconteceu nos últimos oito anos? Veja quem é o seu chefe e notará que nem sempre ele é o mais competente e qualificado da sua área.

Se você trabalha na sede do Banco do Brasil, no Setor Bancário Sul em Brasília, e almoça em um daqueles restaurantes self service de R$ 30 a 40 o kilo, nós possivelmente já nos encontramos algumas vezes. A minha rotina era almoçar ali todos os dias e aproveitar para conversar com colegas dos bancos públicos que sempre me contavam de alguns casos de indicações políticas para cargos de chefia no Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Na Caixa Econômica Federal, outra instituição de excelência, o excessivo controle do Planalto no direcionamento de alguns empréstimos do Banco desagrada funcionários de carreira. O banco foi inclusive obrigado a se tornar sócio de frigoríficos a pedido do governo. Olhe ao seu redor e veja também se os mais competentes funcionários de carreira estão sendo devidamente reconhecidos pela direção do Banco.

Há um grupo de pessoas que não consegue discutir ideias e tenta inventar mentiras, com destaque para edição de um vídeo com o economista Armínio Fraga que o Sindicato dos Bancários do DF colocou na sua página na internet e que sugere, equivocadamente, que Armínio defende o fechamento de bancos públicos. Não há a mínima possibilidade disso acontecer.

O que o senador Aécio quer é justamente o contrário. Ele quer fortalecer os bancos públicos, diminuir a ingerência política nessas instituições e premiar funcionários de carreira que tenham se destacado no cumprimento de suas funções.

Como todos sabem, o uso politico dos bancos públicos tomou uma dimensão tão grande que a própria Caixa Econômica Federal (CEF), incomodada com os atrasos de repasses de verbas para o pagamento dos programas sociais, passou a questionar o seu Departamento Jurídico e a AGU para ver se o Banco estava financiando o Tesouro Nacional, já que passou a pagar benefícios sociais e não recebia os repasses de recursos do Tesouro. O Banco Central e o Tribunal de Contas da União passaram a investigar essas operações.

Ontem, amigos meus na CEF me falaram de uma suposta operação na qual dois milhões de contratos com problemas (2.000.000!!!) foram repassados da CEF para a EMGEA para “limpar” o balanço da instituição e estes contratos não seriam contratos de financiamento habitacional. Será que isso é verdade? Se for será mais um escândalo.

Há no entanto duas grandes mudanças planejadas para os bancos públicos. Primeiro, o programa do senador Aécio quer despolitizar os bancos públicos e valorizar os funcionários de carreira dessas instituições. Não existirá mais pressão “de cima” para a CEF, por exemplo, se tornar acionista de frigoríficos ou financiar o Tesouro Nacional.

Segundo, o funding para os bancos públicos precisa ser devidamente debatido e os custo explicitados para a sociedade como acontece com os demais programas de politica pública. Não é normal o Tesouro Nacional aumentar o seu endividamento em quase 10 pontos do PIB para emprestar para bancos públicos, em especial o BNDES, quando deveríamos estar debatendo uma fonte de recurso estável e permanente para todos os bancos públicos que não fosse o aumento continuo da dívida em uma País que já paga de juros mais do que a Grécia.

Um grupo de funcionários do Banco do Brasil (BB) me enviou um documento no qual mostram que o Banco tem um fluxo de caixa confortável mas que não tem uma situação confortável de capital próprio e, assim, será necessário, no futuro, uma nova capitalização do BB. Isso é verdade? Por que até agora o governo não resolveu este problema?

Assim, para que não fiquem dúvidas, o candidato Aécio Neves pretende fortalecer o papel dos bancos públicos e o mesmo vale para Armínio Fraga. Mas se o seu chefe de divisão for alguém tradicionalmente ligado ao PT e sem competência para o cargo, há o risco de você funcionário de carreira se tornar o chefe dele. Ele sim deve se preocupar, pois o “chefe que chegou de São Paulo indicado pelo partido” será algo do passado.