Posts antigos: Leiam por favor

De vez em quando volto aos meus posts antigos para ver o meu grau de acerto e erro do que falei antes dos fatos acontecerem. O meu blog na próxima semana deve alcançar a marca de 1.000.000 (um milhão) de acessos, o que me deixa particularmente feliz pelo tipo de debate que promovi por aqui e pelo que aprendi com os leitores do blog.

Hoje, que chamar atenção para alguns dos meus posts antigos porque continuam muito atuais. Primeiro, para mostrar o tipo de convicção que não existe na equipe econômica, recomendo a leitura desse meu post (meta fiscal é possível aumentar? não) do dia 23 de janeiro de 2014 no qual mostrava que o governo não devia aumentar a meta do primário porque seria impossível cumprir. Como falei neste post em janeiro:

“Por incrível que pareça, na minha modesta opinião, seria melhor o governo se comprometer com um superávit primário consolidado mais baixo do que o ano passado, mas que seja real, do que tentar aumentar a meta, pois neste caso todos começarão a pensar de novo nos recorrentes truques contábeis até porque os mágicos estão prontos e preparados para uma novo show”. 

A maior marca deste governo é que ele não para de errar. No icio do ano queriam mostrar uma prova de autoridade para o mercado e o que marcou o primeiro semestre de 2014 foram atrasos do Tesouro para a Caixa Econômica Federal pagar benefícios sociais. É este o tipo de governo com “credibilidade” que temos.

Segundo, no dia 31 de janeiro escrevi um artigo no valor (o S do BNDES é de social ou de setor publico) que continua atual e que vai nos trazer um problema daqui a dois anos. Nos últimos dois anos ocorreu forte expansão da divida dos estados e, com o baixo crescimento, esses entes da federação terão problemas de começar os pagamentos daqui a dois anos. Apenas para enfatizar, o aumento da divida dos estados foi algo programa e incentivado pelo governo federal. Hoje, isso só acontece na magnitude que aconteceu se tiver o apoio explicito do Tesouro Nacional.

Terceiro, no dia 21 de fevereiro de 2014 escrevi a pedidos de muito dos meus leitores sobre o contingenciamento de R$ 30 bilhões anunciados pelo governo (clique aqui). Eu escrevi que o governo estava cortando vento e o “corte” de R$ 13,5 bilhões das despesas obrigatórias, na verdade reestimativa, teria que ser revisto até o final do ano. O governo falou que a compensação do Tesouro ao INSS por conta da desoneração da folha de salários seria de R$ 11 bilhões no ano. Falei na época que isso não seria possível. Sabem quanto o governo já gastou até agosto deste ano com esta conta? R$ 11,3 bilhões. Depois das eleições vão anunciar a correção para cima da conta e encontrar alguma desculpa esfarrapada para o não cumprimento do primário.

Eu poderia continuar revistando meus posts antigos e vou continuar, mas em outro post. Por enquanto, o conjunto os três posts acima do início do ano são suficientes para mostrar como o governo atual planeja mal e faz análises inconsistentes. Se o governo tivesse uma boa gestão econômica teria reduzido a meta do primário no inicio do ano e sinalizado para uma recuperação mais gradual depois das eleições. Mas recorreu novamente a truques contábeis e, assim, se reeleito terá que fazer uma ajuste doloroso para a grande decepção de seus eleitores que acreditam que o Brasil vai muito bem e pode gastar muito mais.

E no caso de vitória da oposição? o ajuste será necessário, mas o custo muito menor por causa da confiança que Arminio Fraga passa aos mercados. O simples fato de Aécio ter passado para segundo turno levou a uma forte valorização de mais de 10% nas ações de estatais.

Independentemente do meu viés politico, sem dúvida um ajuste com Arminio Fraga terá um custo MUITO menor do o ajuste com a reeleição da presidente Dilma e a indicação do seu novo Ministro da Fazenda empresário que não vai durar dois anos no cargo. Acho que deixa o governo no primeiro ou no segundo grito que levar da presidenta (PS: não sei se isso é verdade mas os jornais falam que a nossa presidenta não é exatamente uma pessoa calma).