O PT sai menor das eleições para o Legislativo.

O Partido dos Trabalhadores (PT), sem dúvida, conquistou vitórias importantes neste pleito com destaque para dois estados: Minas Gerais e Bahia. No primeiro ninguém esperava que o ex-ministro Pimentel conseguisse uma votação expressiva que o levasse a vitória no primeiro turno. No segundo, o partido teve votação muito maior do que o esperado e o candidato Rui Costa ultrapassou o candidato do DEM e ex-governador, Paulo Souto, que sempre estave à frente nas pesquisas.

Há três coisas interessantes. Primeiro, os dois casos de sucesso acima não decorreram da intervenção do ex-presidente Lula. Os candidatos do ex-presidente Lula em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro não tiveram boa votação.

Segundo, a bancada federal do partido encolheu 20%. O PT tinha 88 deputados federais e agora passa a ter 70. Para se ter uma ideia ainda maior do drama, antes o PT tinha o dobro do numero de deputados federais do PSDB (44). Mas agora o PSDB cresceu para 54, e a diferença passou para 16 deputados e não mais de 44.

Em relação ao PMDB, a diferença de 17 deputados a favor do PT caiu para apenas quatro. Ou seja, o PT perdeu poder na Câmara dos Deputados. Os três maiores partidos são na ordem: (1) PT com 70 deputados; (2) PMDB com 66 e (3) PSDB com 54. Desses três partidos, apenas PSDB aumentou sua bancada em 10 novos Deputados Federais – um crescimento de 22% na bancada.

Terceiro, no caso do Senado Federal, PMDB e PT perderam um senador cada partido e, o PSDB, perdeu dois. Isso pode mudar com o segundo turno. Esses mesmos três partidos dominam a bancada do Senado: (1) PMDB com 18 senadores, (2) PT com 12, e (3) PSDB com 10. Esses três partidos juntos respondem por 40 dos 81 assentos no Senado.

Em resumo, PT, PMDB e PSDB continuam sendo os três principais partidos na Câmara e no Senado, mas com uma forte retração de 20% da bancada no PT na Câmara e crescimento semelhante do PSDB. Eu havia escutado que a redução do numero de deputados federais do PT seria de 10% e não 20% como o correu.

Essa forte redução do partido na Câmara e o baixo rendimento dos candidatos a governador do ex-presidente Lula no Rio, São Paulo e Paraná tiraram um pouco do brilho das vitórias do partido em MG e BA. Para mim isso significa duas coisas.

Primeiro, se a presidenta Dilma for reeleita, o que não espero que aconteça, aumentou a possibilidade de independência ainda maior da presidenta do seu criador, o ex-presidente Lula, o que aumenta a possibilidade de o governo continuar com a atual politica econômica e caminharmos para uma crise.

Segundo, se com uma bancada maior Dilma não conseguiu aprovar nada de muito interessante no seu primeiro mandato, imaginem com um partido que teve uma redução de 20% na sua bancada. Para aprovar qualquer coisa teria que se tornar uma excelente gerente da sua coalizão, o que não conseguiu no seu primeiro mandato.

Ou seja, o resultado da eleição até agora é uma presidente Dilma ainda mais independente do ex-presidente Lula e com um partido mais fraco no Congresso. Um cenário que não é nada bom para quem almeja que o país faça reformas. Para aprovar reformas é preciso um presidente que seja MUITO politico e tenha habilidade de negociar com os diferentes partidos. Ainda bem que a eleição para presidente está indefinida.