Bons artigos e entrevistas nos jornais

Que tal aproveitar o domingo para ter um bom choque de realidade? Os jornais de hoje trazem artigos muito bons de excelentes economistas que nas suas análises destacam os pontos certos dos nossos dilemas.

O primeiro artigo excepcional que recomendo são dos economistas e amigos Marcos Lisboa e Zeina Latif na Folha de São Paulo. Fazia tempo que não lia em um artigo tão curto as provocações corretas dos nossos dilemas que não estão sendo adequadamente discutidos no debate eleitoral (clique aqui).

Os autores advertem para a piora do cenário econômico, o que prejudica a sustentabilidade das conquistas sociais e mostram, corretamente, que o debate entre ideias não é devido a interesses contrariados mas sim “sobre a eficácia da política econômica adotada a partir de 2009, que resultou na estagnação, comprometendo a agenda social iniciada há duas décadas”

O outro artigo no mesmo jornal é do meu amigo Samuel Pessôa mostrando o mesmo ciclo de politica econômica dos governos militares e dos governo civis. Como bem destaca Samuel, não está em debate a politica social nem o tamanho do estado que é determinado pela rede de assistência social. Mas sim a politica econômica intervencionista que desde 2008 lembra muito a política econômica do ex-presidente Geisel (clique aqui para ler o artigo).

O terceiro bom artigo é do economista Gustavo Franco no jornal o Estado de São Paulo (clique aqui) que mostra de forma elegante como sempre os fatores por trás do crescimento do Brasil no governo Lula e o que explica o crescimento da classe média: “Eis a mágica da classe média: demografia e crédito, com alguma ajuda do salário mínimo. Nada disso tem a ver com o bolsa família, que tem sua utilidade para o que se passa dois extratos mais para baixo, na região da pobreza.”

Gustavo adverte corretamente que tudo isso está em risco com os erros da política econômica do governo Dilma: “O maior dos equívocos é o de sempre: a desordem nas contas públicas. Diretamente, descontada a maquiagem, ou via bancos públicos ou obrigações não reconhecidas, a situação fiscal se tornou crítica, por simples opção ideológica.”

O quarto bom artigo deste domingo é do economista e amigo José Roberto Mendonça de Barros também no Estado de São Paulo (clique aqui) . O artigo é uma das mais competentes análises de conjuntura que li recentemente. Em especial quero destacar um trecho do artigo que mostra muito bem o fracasso da nossa política industrial:

“Há poucos dias a Inepar pediu recuperação judicial, da mesma forma que já haviam feito no passado a Lupatech e a Jaraguá, três dos maiores fornecedores nacionais de equipamentos da Petrobrás. É impossível não se perguntar que política industrial é essa – que acaba por arrasar tantas companhias – que se quer proteger. Esses três casos ilustram o que já se sabe: uma economia não para impunemente.”

Como corretamente adverte José Roberto Mendonça de Barros: “Como as autoridades insistem em dizer que estão a fazer tudo certinho, e que todos os nossos problemas decorrem da situação internacional, o cenário de reeleição é o de “mais do mesmo”, incluindo baixo investimento, inflação alta, desarranjo fiscal, juros elevados e expectativas ruins.” Assino em baixo.

Por fim, e para fechar as recomendações deste domingo, tem a excelente entrevista do economista Bernard Appy (clique aqui), do qual compartilho com praticamente 90% ou mais do que ele adverte. Em especial, prestem atenção na entrevista anexa quando Bernard Appy pede aos entrevistadores para explicar a dinâmica do crescimento do gasto público e a rigidez do gasto, o que impossibilita ajuste fiscal no curto prazo por meio de corte de despesas.

Leiam todos os artigos acima e reflitam. Os mesmos serão recorrentemente citados nas minhas análises ao longos das próximas semanas.