Minha solidariedade com os funcionários da Petrobras

Fica aqui minha solidariedade com os funcionários de uma das melhores empresas do Brasil, a Petrobras, e a minha torcida para que os eventuais erros cometidos pela antiga diretoria nomeada pelo governo atual sejam esclarecidos e, se houver culpados, que sejam devidamente punidos de acordo com a Lei.

A Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça Federal estão de parabéns pelo excelente trabalho em curso para acabar com a suposta quadrilha de criminosos que utilizava a empresa para roubar para partidos da base de coalizão do governo, conforme noticiado pela imprensa local. É uma pena que ainda hoje existam casos do uso político de estatais pelo governo de plantão, uma prática comum do passado que voltou a nos assustar no Brasil do Sec. XXI.

Por sinal, o que se deveria estar discutindo nesta eleição não é a independência do Banco Central, que é algo secundário em um governo que de fato permita ao Banco Central trabalhar de forma independente. O que deveríamos estar discutindo é o eventual uso político da Petrobras, os excessos da política de conteúdo nacional que atrapalham os investimentos da Petrobras e o (semi) congelamento do preço da gasolina.

É importante acompanhar melhor o caso Petrobras porque, se comprovado o que tem sido publicado na imprensa, é um escândalo com o potencial de  manchar a biografia de políticos importantes e dar início a um novo mensalão. É claro que, como me falou um conhecido na Petrobras, há câmeras de segurança em todos os lugares da companhia, o que tornará fácil para a polícia identificar políticos que frequentavam o prédio e mapear o teor desses encontros.

Em resumo, mais importante que o debate da independência do Banco Central talvez seja discutirmos o uso político das estatais financeiras, não financeiras e a influência do governo nos fundos de pensão. Esse uso político de empresas estatais pode mostrar, inclusive, que os mecanismos de transparência exigidos pela legislação que regula os demonstrativos de companhias abertas não é suficiente para evitar “roubo político” de empresas estatais.

Por que o Conselho de Administração não notou nada de estranho? como foi possível que um diretor tivesse tanto poder para levantar recursos sem a suspeita do departamento jurídico da empresa? como a auditoria interna da companhia e auditores externos não identificaram os supostos desvios de recursos? Essas e outras perguntas precisam ser devidamente esclarecidas.

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