Os economistas da campanha eleitoral

Há três tipos de economistas por trás dos candidatos. Por trás do senador Aécio Neves, eu definiria nosso grupo como um grupo bastante eclético, alguns mais liberais do que outros, mas todos nós com uma característica em comum. Temos todos alguma experiência em órgãos diferentes do setor público, sabemos fazer contas, olhamos a evidência empírica, temos forte inserção em debates na academia e setor privado e, dentro ou fora do governo, continuaremos bastantes ativos. Somos um grupo unido, sem preconceitos, acreditamos nas forças de mercado e do papel do estado em promover igualdade de oportunidades e reduzir pobreza.

No nosso caso, acreditamos na importância de o Brasil participar ativamente das cadeias globais de produção e sabemos que será impossível o país ser competitivo em todos os setores da economia, ou seja, não adianta querer se integrar ao resto do mundo e ser competitivo em tudo como parece acreditar alguns economistas do governo. Queremos viabilizar os meios para que o Estado possa investir mais em educação e saúde. Infelizmente, e aqui confesso uma falha nossa, não sabemos como o governo pode aumentar a oferta de serviços públicos para o padrão de primeiro mundo sem crescimento. Na nossa visão, política social e crescimento andam juntas e mente quem diz que a “população não come PIB”. Sem crescimento da economia, o resgate da nossa dívida social será mais lento.

O grupo de economistas por trás da candidata Marina Silva é um grupo brilhante com dois grandes problemas. Primeiro, às vezes usam metáforas  -empresários serão desmamados, Dilma trata empresários como prostitutas, etc.- que aumenta a “zona de vulnerabilidade” deles à ataques do governo.

Ontem em seminário na FGV-SP foi justamente isso que aconteceu quando o Ministro da Fazenda, Guido Mantega,  perguntou em tom de brincadeira  ao presidente da FIESP se ele estava pronto para ser “desmamado”. Meus colegas do PSB precisam compreender que o Ministro da Fazenda Guido Mantega está em plena campanha eleitoral, usa e abusa de sua condição como Ministro para fazer propaganda eleitoral no melhor estilo terrorista (o terrorismo é tão grande que acho que não poderá mais entrar nos EUA). Assim, meus colegas do PSB precisam tomar mais cuidado com as metáforas porque o adversário gosta de dar caneladas.

O outro problema dos meus colegas do PSB é a visão ingênua do setor público e da estrutura do gasto público. Não há como o Governo Central produzir um superávit primário de 2% do PIB em um ano pelo corte da despesa. Vou escrever sobre isso depois. Mas o que eles falam centenas de outros economistas mais velhos e com experiência de governo continuam falando. No caso dos meus colegas do PSB, como são inteligentes, em um ou dois meses aprenderiam rapidamente. O mesmo não se pode falar de economistas que ainda acham que não houve evolução na teoria econômica depois de 1936, quando Keynes publicou a Teoria Geral.

Agora chegamos ao terceiro grupo, o de economistas por trás do partido do governo. Esse grupo de economistas tem a seu favor a crise mundial.  Eles usam e abusam da crise mundial para esconder os seus erros no governo, erros que decorrem de uma visão ingênua e arrogante de micro gerenciamento da economia. Isso não vai mudar e há grande chances de piorar, pois eles continuam achando que conhecem a indústria mais do que os próprios empresários e esses economistas não aprendem. Passam anos no governo e continuam falando a mesma coisa antes e depois. Não há “learning by doing” e nem “learning by studiyng”.

Há ainda algo muito pior neste grupo de economistas que é o processo de autodestruição a que estão submetidos. Eles vivem sempre em conflito interno. Alguns deles condenam as praticas heterodoxas da gestão fiscal, outros acreditam que essas práticas são normais; quase todos gostariam de uma taxa de câmbio mais desvalorizada e acham que taxa de câmbio de equilíbrio decorre da boa ou má vontade do Banco Central; todos aceitam normal uma inflação de 6% ao ano, criticam o Banco Central seja independente ou não como o grande mal da economia, querem resolver todos os nossos problemas de orçamento com o aumento da dívida, e, por fim, fogem da paternidade  da Nova Matriz Econômica como o diabo foge da cruz. Hoje vivemos a situação sui generis de uma política econômica órfã.

Alguns desses economistas fazem uma mea culpa capenga, reconhecem a necessidade de ajustes e dizem que haviam alertado antes para a necessidade de correção de rumo para o seu colega de sala ou de ministério. Mas talvez o mais desonesto é quando promovem a visão que o que está em jogo nesta eleição é o debate entre o bem e o mal, entre os economistas que se preocupam com a redução da desigualdade e com a indústria versus outros economistas que representam o mercado financeiro.

Um grupo grande de economistas do governo ainda está preso na luta de classes do pós-guerra e tem uma visão ingênua dos capitalistas. Os da indústria têm que ser estimulados e controlados e, os do setor financeiro, precisam ser eliminados. Falam de uma tal “grande capital” como se esse ente abstrato fosse o responsável pelo atraso na definição dos marcos regulatórios, excesso de intervenção na economia, etc.

Em resumo, eu me preocupo muito com os “economistas do governo” e tenho zero de preocupação com os economistas que assessoram os candidatos de oposição. O ex-presidente Lula falou ontem que a candidata Marina deveria proibir os seus economista de falarem bobagens. O correto deveria ser o ex-presidenrte “proibir” o governo federal de fazer bobagens, em especial, as bobagens que tiverem início no segundo mandato do ex-presidente Lula e se intensificaram no governo Dilma.

29 pensamentos sobre “Os economistas da campanha eleitoral

  1. Estamos no mato sem cachorro, pois um legião de eleitores que ganham até dois salários mínimos não acompanham as noticias e comentários econômicos e ficam a mercê de fanfarrões como o aiatolá Lula e toda turma que vivem do subsidio partidário e empregos que o partido garante.

  2. Mansueto, ótimo artigo. Eu tenho muito mais afinidade com o grupo que vc participa, mas tenho muitas dúvidas em relação ao economistas vinculados ao PSB no que diz respeito à independência de suas ações. Será que não se submeterão à interesses externos? Se tiver algo a escrever sobre isso e desejar, seria um ponto importante para conhecimento. Não que isso altere já minha opção no primeiro turno, mas, saber quem a gente estaria apoiando em um segundo turno.

  3. Eu tenho maior afinidade com os economistas libertários. Então, por falta de opção, prefiro o PSDB, que é o mais próximo disso.

  4. Os economistas da Marina estão bastante fora de órbita. O tal de Alexandre Rands, cujo o irmão sempre foi um grande deputado, não cabe nem comentários, até porque já tomou uma enquadrada do presidente do PSB.

    O Gianetti, na entrevista recente que deu para a Folha, falou também coisas meio estranhas. Ele disse que pretendem realinhar os preços da Petrobras e além disso, voltar com a CIDE. Depois, na mesma entrevista, disse que não iriam aumentar a carga tributária, só esqueceu que havia falado da CIDE, enfim. Será que ele quer gasolina a R$ 4,00 na bomba ? Sei lá, ta parecendo que sim. Disse ainda que vão cortar os subsídios. Ou seja, como vão fazer obras de saneamento que o País precisa ? A iniciativa privada vai fazer ? Há. E o MCMV, o maior programa habitacional que ja tivemos, na certa vão cancelar o programa, sem subsídios não há outra forma, principalmente com relação ao 0 a 3 SM. E as casas que estão sendo construídas, como fica a segurança jurídica ?
    A meu ver outro erro da Marina é não dar prioridades ao petróleo do pré-sal e querer mudar o método de exploração. Ela não deveria entrar nessa. Ficar mudando marcos regulatórios a todo momento não é nada bom, ainda mais de algo tão importante assim.
    O problema que vejo nas candidaturas oposicionistas é que parecem focar excessivamente na parte fiscal da economia. Não falam de desenvolvimento. Não explicam qual modelo se utilizarão para fazerem as obras de infra-estrutura que o País precisa. O PT bem ou mal e lentamente fez muitas obras de infra, infinitamente mais que o Governo anterior. Então a oposição precisa explicar o modelo que vai se utilizar.
    Falam apenas coisas genéricas como “escola de tempo integral”, que inclusive é algo bem difícil de se implementar, na prática, em todo o imenso Brasil. Ou melhorar saúde, 10% de pib para sáude, etc…A mesma oposição que barrou a cpmf, ou seja, retirou recursos da saúde, em um imposto que era excelente, agora quer mais recursos.
    A Marina ainda tem chance, mas parece que os ventos estão mudando. Ou ela assume uma postura mais determinada e explica melhor o que pretende fazer ou apenas os antipetistas radicais e os sonháticos não darão a vitória a ela.

      • Chegou o rapaz da bolha imobiliária (se ja estourou ou se estourará logo ainda não decidiu né) e seus reducionismos. Nem tudo é culpa da crise, o que nao quer dizer que temos crise desde 2008. Acha o que, que as propostas do Gianetti vão minorar os efeitos da crise e colocar o Brasil no rumo certo ou trazer uma recessao enorme ?

      • Essa eu respondo. J;á estamos em recessão e o governo se comporta de forma irresponsável. Na segunda no seminário da FV o ministro Mantega fez no final de sua palestra terrorismo eleitoral com mentiras sobre propostas da oposição. Voce já escutou alguém falando que vai fechar o BNDES? não.

        Sinto muito Daniel, o PT e o governo menten, e isso está passando dos limites.

        Eduardo Gianneti fala a verdade e as políticas que ele defende não levarão à recessão, Nós estamos em recessão por causa de uma política econômica fracassada e de pessoa ignorantes e arrogantes no governo que acham que sabem mais do que todo mundo,

      • 1 – Bolha imobiliária é outro assunto. Quando ele aparecer, conversamos sobre isso. Seu ad hominem pouco surte efeito nesta discussão.

        2 – Reducionismo puro e simples porque esta é a verdade. Seu chefe joga tudo na conta da crise, apesar de agora você reconhecer que nem tudo é culpa dela. Eu diria que nada é culpa dela, mas reconheço sua evolução.

        3 – Eu acho que as propostas do Gianetti são as corretas a serem feitas. Não estou discutindo sobre como minorar a crise. Ela já chegou, é inevitável e não é papel de governo controlar crise. Ela chegou por culpa de vocês, vai ganhar força, vai causar desemprego e tudo isso é culpa única e exclusiva do PT e de gente como você que respalda idiotice desses senhores.

        O PT atrasou o debate brasileiro em 20 anos. Voltamos a discutir controle de inflação, autonomia de BC e responsabilidade fiscal. E usa isso, como você usa aqui, pra fazer terrorismo em torno do necessário ajuste de rumo do setor público. Se ele trará recessão, é culpa do PT que bagunçou tudo, não de quem propõe colocar as coisas em ordem.

        A única forma de resolver esta crise é deixando ela vir e fazendo os ajustes necessários nas contas públicas e retomando a credibilidade perdida. O governo tenta empurrá-la pra frente propositadamente pra que estoure no colo de outro e que possa fazer seus ataques ferozes de oposição pra se vender como solução em 2018.

        É uma lástima a involução petista na economia brasileira.

        4 – Por gentileza, poste aqui seu curriculo pra gente comparar com o da equipe da Marina e do Aécio. Talvez você tenha uma vaga no governo deles, você parece ser muito bom.

      • Em primeiro lugar se você concorda que as ideias do Gianetti farão bem ao País é direito seu. Eu respeito, mas eu não concordo.

        Agora, em segundo lugar, esse tipo de insinuação que você faz NÃO é direito seu. Eu estou fazendo comentários políticos sobre os economistas da campanha da Marina. Não ataquei nenhum comentarista nem insinuei que que voces trabalham para o Aécio ou para a Marina. Portanto não aceito esse tipo de colocação. Não tenho partido nem chefe de nenhum partido politico.

        E nem vou entrar nesse jogo sujo seu de atacar comentaristas para constranger a pessoa a não mais comentar.

        A questão aqui não é meu currículo. Ainda que eu fosse um analfabeto e estivesse aqui ditando para alguém escrever, ainda assim eu teria o direito de dar a minha opinião sobre os economistas da Marina ou qualquer outro assunto do post em questão.

        Veja bem Mansueto, quem ousa comentar diferente da maioria aqui em seu blog está sendo chamado de empregado da Dilma e constrangido a não mais comentar.

      • Não vai entrar no jogo sujo? E o que é o “garoto da bolha”? rssss

        Desde quando vi seu primeiro comentário, por sinal perto do começo do processo eleitoral, só o vejo atacando a oposição e defendendo a situação. Se você não é empregado da Dilma, deve ser serviçal, já que parece trabalhar de graça.

        Sim, eu sou um serviçal da oposição. Estou plenamente convencido de que qualquer um é melhor que a coisa que tá aí para a qual você trabalha de graça.

        Se não sabe brincar, não brinque.

    • Alexandre Rands é um dos economista mais brilhantes deste país. Nós economistas somos sempre enquadrados.

      Assim, o problema não são economistas da Marina mas os do governo atual. Você deve concordar com o que Arno Augustin tem feito no Tesouro. ou não ? isso é transparente?

      E ministro ligar para revista pedindo para não publicar matérias? sabia que isso aconteceu. Converse com economistas do PT que não estão mais no governo e voce vai ficar chocado.

      Sim a oposição barrou a CPMF e vai barrar novamente. A carga tributária não caiu com o fim da CPMF e parte da CPMF foi compensada com o aumento do IOF que aumentou os recursos para educação.

      O problema do PT é este: acha que podemos ter uma carga tributária de 40% do PIB e que isso não vai atrapalhar o crescimento. Mas depois o próprio governo começa escolher setores para reduzir um pouco a carga tributária e depois aumente novamente e por ai vai.

      • Bom, ja que voltaram os comentários vou colar o que fiz em outro post, aqui, que fica mais adequado:

        Caro Mansueto, no outro post, como foram desativados os comentários, não tinha como eu lhe responder. Tentarei sintetizar aqui.

        Nâo conheço esse economista, Alexandre Rands, mas pelo que li o problema foi a forma como ele se expôs, de maneira inclusive ofensiva. Ele pode ser bom tecnicamente, mas com esse tipo de linguagem que ele usou não vai conseguir entrar nos debates sérios e não vai conseguir influenciar.

        Eu não considero as ações do Arno boas, mas comentei especificamente a respeito dos economistas da Marina. Aqui todos são contra o Governo, simplesmente eu gosto de diversidade e não teria graça também apenas atacar o Governo. O que não quer dizer que eu concorde com tudo. Nâo concordo. Acho que a Dilma deu uma boa bagunçada na economia, na área fiscal, em relação a Petrobras e ao setor sucro alcooleiro e também em relação ao setor de energia. A redução de tarifas, apesar de tecnicamente justificáveis acabou sendo um desastre na prática. Dito isso, considero as propostas do Gianetti piores ainda para a economia brasileira.

        Eu realmente não tenho esse tipo de informações de bastidores que ministro ligou para revista para barrar matérias. Mas não concordo com esse tipo de expediente. Agora, convenhamos que praticamente todos as revistas semanais são totalmente contra o Governo ( fora a Carta que é quase irrelevante do ponto de vista de abrangência). Mas mesmo assim não justifica pressões para não publicações, considero esse tipo de coisa sempre um tiro no pé.

        Eu sei que o Governo elevou outros impostos no lugar da CPMF. Apenas continuo acreditando que era dos melhores impostos que tinhamos. Custo de arrecadação baixíssimo, sonegação praticamente zero e pegava todo mundo, apenas com o inconveniente de ser regressivo. Nem a proposta de última hora do Governo de botar toda a CPMF na saúde a oposição aceitou.

        A carga atual não está em torno de uns 35% ? Será que chega a 40% ? Até onde eu sei, não chega.

        Só se os economista da Marina forem mágicos para conseguirem fazer tudo que ela propõe sem aumentar a carga tributária. Mesmo cortando todos os subsídios – e alguns não podem ser cortados – não daria para fazer.

        Enfim, o seu blog está totalmente voltado para a defesa das oposições, o que é legítimo. Eu tento fazer o contraponto mesmo não tendo, nem de perto, conhecimentos de economia como você e alguns outros que aqui comentam.

        Acrescentando:

        Não vai trazer recessão na sua opinião Mansueto. Na minha opinião vai sim. Ele propoe um choque nos combustíveis ainda com aumento de aliquota de impostos, com certeza vai levar a um aumento de inflação que deverão ser corridos por juros altos do BC independente da Marina. E não concordo que seja questão de se dizer “verdades” ou “mentiras”, até porque não disse que Gianetti mentiu, não é nada pessoal. Mas em toda campanha eleitoral existem mentiras e exageros.

      • Apenas uma observação: político fazer pressão em veículos jornalísticos não é exclusividade do PT.

        Jornalistas de diversas redações podem confirmar que grandes nomes do PSDB, do PMDB e do então PFL já fizeram o mesmo. Estou falando de veículos grandes, como Folha de S.Paulo e Estado de Minas, para ficar em dois alvos dos tucanos.

    • São tantos “brilhantes” neste país que há 500 anos estamos na mesma. A produtividade cai, a inflação ameaça e o governo não reage. Porém, colocar pessoas que seguem uma cartilha internacional sem questionar não melhorará em nada. Que diga a crise que vivemos desde 2008. Os mais brilhantes do mundo não souberam o que fazer e até hoje não sabem. Apenas ditam velhos textos e que são vomitados no país por nossos “brilhantes”. O brilhantismo leva a viver em uma torre de marfim e esquecer a realidade do país.

      • “Enfim, o seu blog está totalmente voltado para a defesa das oposições”

        Errado, Daniel.
        O blog está voltado para entender a economia (o que faz muito bem por sinal). “Defesa das oposicoes” é a consequência lógica….

  5. Mansueto, esse post infelizmente comprova uma impressão minha: com o decorrer da eleição, seus discursos ficaram eleitoreiros demais.

    O mesmo ocorreu com os do Giannetti, talvez de maneira até mais explícita.

    Lamento muito porque gosto de ambos. Até achei bom quando vocês se associaram a candidaturas nestas eleições, pois acredito que os dois têm muito a contribuir, mas sempre temi o efeito que isso (o alinhamento a um partido) poderia ter no discurso público de cada um.

    Talvez seja uma consequência inevitável, porém não deixa de ser triste.

    Esse post, por exemplo, mostra boas críticas aos economistas do PSB e do governo e uma autocrítica nula em relação aos do PSDB — o que talvez seja até esperado, mas, como eu disse, não deixa de ser lamentável (e, em certos momentos, um pouco constrangedor).

    Outro problema que vejo nesse post é uma agressividade que julgo desnecessária nas críticas ao PT. Lembrou um pouco o Alexandre Schwartsman — que também é capaz fazer análises precisas, mas frequentemente exagera na linguagem. Compreendo que determinadas ações do PT (principalmente durante o período eleitoral) são estupidamente revoltantes, mas admiro a capacidade de reagir a essas coisas de maneira mais sóbria. O Samuel Pessoa e o próprio Giannetti, por exemplo, geralmente conseguem ser bem “elegantes” em suas críticas.

    Acredito também que uma linguagem mais equilibrada colabora para que as críticas sejam ouvidas e eventualmente aceitas mais facilmente pelos adversários e pelo público não especializado. Um discurso mais virulento tende a agradar apenas os que já compartilha da mesma opinião ou um público mais radical.

    De qualquer maneira, continuarei a acompanhar o seu trabalho.

    • vou tomar mais cuidado. Mas confesso que quando escrevi este post estava um pouco com raiva de ver o terrorismo eleitoral que o Ministro Mantega fez em evento na FGV.

      Sempre convivi muito bem com amigos do PT e não tenho problema algum com argumentos diferentes e gosto muito de um bom debate. Vou tentar controlar o viés político.

  6. O colega Emerson tem razão. Eu entrava frequentemente no blog pelas informações ali contidas, por sinal, de excelente qualidade.No entanto, as informações técnicas e didáticas deram lugar a um claro víes político que não auxília em nada quem entra no site em busca de informações.

    Creio que a maioria aqui possui conhecimento suficiente para reconhecer os efeitos positivos e negativos de determinadas políticas econômicas e dificilmente seriam negligentes com o ponto de vista que defendem. Algumas críticas são pertinentes, mas outras… O que é um pedido de submissão de reportagem de uma revista perto do escandalo que orbita a aura do PSDB, que simplesmente tem a conivência dos principais meios de comunicação do país.

    E a Marina, é apenas mais um fantoche para que o mercado financeiro volte a ditar as regras da economia – assim como ocorria na era FHC. Juros subindo para que os bancos tenham lucro sem risco comprando títulos do tesouro, CEF e BB privatizados, BCB institucionalizado e outras merdas mais. Ou seja, a ênfase vai ser no capital improdutivo e especulativo. O país tem maturidade pra isso??

    Na realidade, o debate não é político nem econômico, Ele é social! O que preocupa alguns é a “reserva de mercado”, ou seja, o sujeito quer sair nas ruas de carro importado e quer chegar rápido em seu destino, sem as complicações causadas pelo trãnsito, que agora não distingue classes sociais. Quer chegar ao aeroporto e embaracar sem atraso e, além disso, não ter a possibilidade da presença de um subalterno no mesmo voo. Quer ter a exclusividade de estudar medicina nas universidades federais sendo bancado indiretamente por quem ele não deseja tender depois de formado. Essa é a quetão! Sejamos sensatos, as “bolsas” são pra todos: de bolsa família a bolsa BNDES. E vc ainda me diz que não se trata de uma luta de classes??

    Tenho pena da grande massa que não sabe distinguir os riscos implícito de determinados programas políticos. Essa mesma classe é quem paga a maior parte do ônus gerado por aqueles que ajudaram eleger. O PT, tem lá os seus problemas, mas o Lula foi o único que, além de “aumentar o bolo”, apud DN, distribuiu mais “pedaços” para as classes menos favorecidas. Justo ou não, deixemos a resposta com os dados socieconômicos,

    Enquanto nosso país não investir macissamente em educação, teremos grupos incompetentes (PT, PDSB, PSB, entre outros), que não discutem os assuntos mais importante para o progresso do nosso país, pois simplesmente falam para a grande massa, que possui a maioria dos votos, mas, em contrapartida, menor capacidade de discernimento.

    Portanto,voltemos a falar de economia, que apesar de estar intrinsecamente relacionada com a política, será mais produtivo do que as questões políticas – tão necessárias, mas extremamente inconvenientes para um público capaz de entender do que realmente se trata a questão.

    • As duas coisas estão relacionadas. No meu blog sempre critiquei a politica econômica do governo atual porque, na minha opinião está, errada. Aqui não é um local para buscar informação. isso agente deveria fazer com instituições públicas. O blog escrevo por lazer e, por sr algo pessoal me dou ao direito de escrever o que quero e costumo respeitar debate e divergências.

      Não existe isso de debate social que não se relaciona com o politico e economico. Quando se discute modelos economicos diferentes, o intuito de todos é alcançar maior progresso social. Argentina e Venezuela são exemplos do que não se deve fazer e este blog vai cada vez mais bater em modelos e politicas que considera equivocada. Dar dinheiro barato para quem não precisa via bancos públicos é errado. Acho impressionante a esquerda aceitar e defender tal tipo de política e a presidenta Dilma prometer ainda mais subisidios.

      O que está em debate é o modelo econômico e o atual é desastroso e algumas pessoas no governo utilizam de práticas desonestas como, por exemplo, esconder o custo das políticas e ainda tentar enganar a população com truques contábeis. Tenho pena da grande massa que acha que dar subsídios para rico e controlar o Banco Central nos levará a ser um país desenvolvido. Ademais, reserva de mercado é uma política DESASTROSA. Na semana passada comprei um computador pagando 100% acima do preço internacional. Eu posso pagar. E quem não pode? isso é reserva de mercado. Abs

    • Vinícius

      Você escreveu que “o colega Emerson tem razão” e que o blog teria descambado para um “claro víes político que não auxília em nada quem entra no site em busca de informações.”

      Meu caro, você vem aqui acusar Mansueto de incorrer em desvio e pede insenção dizendo ao dono do blog para que “voltemos a falar de economia”.

      Engraçado você acusar Mansueto de desvios e sair-se com este argumento contra Marina e FHC:

      “E a Marina, é apenas mais um fantoche para que o mercado financeiro volte a ditar as regras da economia – assim como ocorria na era FHC.”

      Façam-me o favor!

  7. De onde vc retira as informações? Após sintetizá-las e dar a sua opinião (que muitas vezes compartilho), deixam de ser informativas?

    Existe sim prezado Mansueto. O que está por trás de alguns modelos econômicos é algo muito além da busca pelo progresso social. “Dar dinheiro”? Creio que as operações bancárias são mais complexas do que isso. Ademais, a política de “subsídos” do BNDES é que opera com juros abaixo da taxa de referência = dar dinheiro.

    Concordo que o modelo seja desastroso em vários aspectos e que a falta de transparência é um aspecto gravissímo deste governo, mas não existe somente coisas ruins. Sejamos mais coerentes, caso contrário, estariamos votando com os pés. Sou contra um BCB funcionando como um quarto poder e, pior que isso, nas mãos daqueles a quem ele deveria regulamentar. Quanto ao seu computador, creio que esse problema seja estrutural e, portanto, esteja relacionado não apenas a um partido político, mas a políticas erráticas adotadas ao longo de vários governos.

    Abs.

  8. Peço moderação aos senhores, por favor!
    Nesse distinto Blog discute-se economia. Eu creio que a linha que separa a política da economia, em muitas vezes, é muito tênue. Dou razão as críticas do Mansueto sobre a forma da condução da política econômica desse governo e acho que muita gente está de cabeça quente com a eleição. Gosto muito desse Blog e vejo que estou enriquecendo muito meus conhecimentos sobre a economia de uma forma geral e garanto que a maioria das pessoas que entram no Blog pensam assim.. Peço parcimônia aos senhores para que o Mansueto continue postando sobre assuntos de fundamental importância, mantendo esse Blog rico em informações e que para mim o Blog é de utilidade pública! Keep Calm!

  9. Apenas passando para concordar com a crítica do Emerson.
    Dar parabéns ao Mansueto, que prontamente “rebateu” com uma análise de nossas contas em novo post.
    E incentivar o Daniel a aparecer e comentar no blog. É fundamental essa visão contrária para alimentar boas discussões e desenvolvermos o conhecimento.
    Agora, Daniel e Mansueto: dá pra acreditar no desenvolvimentismo?

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