Pedaladas fiscais

O que são pedaladas fiscais? A prática recorrente de atrasar o pagamento de serviços prestados por fornecedores do setor público, atrasos no repasse dos ministérios setoriais para que bancos públicos e privados paguem os benefícios sociais e postergação no pagamento de subsídios devido a bancos públicos.

Por que governos fazem isso? Governos fazem isso como uma forma de aumentar artificialmente o resultado primário para cumprir com a meta anunciada. Em alguns casos, se trata de uma forma legal, porém antiética, para tentar enganar o mercado, jornalistas e os contribuintes.

Quem se beneficia dessa prática? O governo de plantão. Ninguém mais se beneficia dessa prática e o seu uso recorrente afeta a credibilidade e saúde das finanças púbicas de um país.

Essa prática pode gerar esqueletos? Sim, principalmente no caso dos subsídios concedidos pelos bancos públicos e não pagos pelo Tesouro Nacional. Esta conta hoje já é de mais de R$ 30 bilhões e ate o final do ano deverá crescer para perto de R$ 40 bilhões.

O governo atual pretende controlar ou acabar com a pratica de pedaladas fiscais? Não. O governo atual tem feito um grande esforço de aprimorar essa prática de pedaladas fiscais para mostrar um resultado primário maior do que o real. Dada a piora no cenário fiscal, TENHO MUITO MEDO que o governo atual faça uso mais frequente desse expediente.

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7 pensamentos sobre “Pedaladas fiscais

  1. Descobri o blog a pouco, indicado pelo Samor. Parabéns por tão bem discutir temas importantes a sociedade . Uma única correção …. Nos links propostos , o blog do Gary Beckr and Richard Posner foi encerrado há 3 meses

  2. Mansueto, acompanho seu blog há muitos anos. Gostaria de pesquisas a relação entre o tamanho dos municípios e sua capacidade de se sustentar sozinho, ou seja, sem ajuda de transferências federais. Onde consigo o valor das transferências do Fundo de Participação dos Municípios, detalhada por município? Obrigada,

  3. E mesmo com todas as pedaladas, o resultado público de julho foi 6 bilhões pior que o mesmo mês no ano anterior.

    É o apocalipse fiscal.

  4. Pingback: Pedaladas Fiscais | Giro Monetário

  5. Mas Mansueto, no caso de pagamentos recorrentes (ex: mensais), o resultado dessas “pedaladas” sobre o resultado primário é sentido apenas no primeiro mês, não?

    Se deixo para fevereiro o pagamento de janeiro e para março o pagamento de fevereiro, o resultado sobre o primário de fevereiro (e meses subsequentes) é desprezível.

    Qual o furo do meu raciocínio?

    • Nenhum. Voce diminui a conta em um mes, mas depois se ficar repetindo no acumulado a conta será menor do que a real. Por exemplo, se o governo faz em janeiro e depois repete sem aumentar, o efeito de redução artificial do gasto é só em janeiro, mas no acumulado janeiro a julho a gasto será menor do que o real. Quando o governo parar de pedalar a despesa dará um pulo.

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