Tesouro retém repasses ao Banco do Brasil?

Hoje matéria do Valor fala que o Tesouro está retendo repasses dos subsídios do crédito agrícola ao Banco do Brasil. Como a despesa de equalização de juros é uma despesa primária, esse atraso nos repasses para o Banco do Brasil aumentaria, artificialmente, o superávit primário. Segundo o jornal: “Os créditos que o banco federal têm a receber da União praticamente dobraram em um ano, chegando perto de R$ 8 bilhões em junho”.

Mas a presidenta Dilma Rousseff negou que isso esteja acontecendo (clique aqui) e até usou o tradicional “meu querido”. Segundo a presidenta declarou:

“Eu não concordo, você me desculpe, mas eu não concordo que o Tesouro federal esteja fazendo isso. Não, não concordo”, disse Dilma, em visita de campanha as usinas do rio Madeira, em Rondônia. “Meu querido, eu não concordo com essa análise. Não concordo, não concordo, sinto muito.”

E agora, quem tem razão, a presidenta ou o jornal valor econômico? Acho que o jornal e é muito fácil ver isso. Como? é só pegarmos o valor inscrito em restos a pagar desses programas e comparar o fluxo de pagamento e quanto falta a ser pago até o final do ano, comparando com o mesmo período do ano passado. Eu já havia feito essa conta até junho e cheguei a um número muito próximo do valor. Vou atualizar os dados de janeiro a julho com mais detalhes e depois mostro aqui. Mas apenas para antecipar a minha tese, a situação é muito pior do que a matéria do Valor sugere. 

Além de atrasar os repasses dos programas agrícolas, algo que falei no programa da Globo News quando lá estive há cerca de um mês e o meu colega Márcio Holland prontamente falou que eu tinha mentalidade de contador, o governo não está pagando a conta do PSI e nem mesmo contabilizando os subsídios recentes do PSI como restos a pagar, já que por uma norma do Min da Fazenda o governo só reconhece como devido os subsídios do PSI após 24 meses. 

Querem um número? pois bem aqui vai um número que depois vou provar com documentos oficiais. Hoje, se o governo fosse pagar todos os subsídios do PSI e do credito agrícola já concedidos pelos bancos públicos e não pagos pelo Tesouro, estaríamos falando de uma conta entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões. Não se preocupem que a conta vai continuar crescendo, pois o governo não tem recursos para pagar. Como dinheiro infelizmente não nasce em árvore, todos nós teremos que pagar essa conta (posso falar em bondade?) em algum momento no futuro. 

10 pensamentos sobre “Tesouro retém repasses ao Banco do Brasil?

  1. 35bi apenas considerando credito agricola e PSI!

    Mansueto, considerando um ajuste one-off para normalizar as contas publicas, qual seria seu numero? 50/70 bi?

    abraco

  2. Mansueto, você disse que o governo não tem recursos para pagar os subsídios do PSI. Fora as outras malandragens nos repasses para a Caixa. O país está quebrando? Quanto tempo o Brasil aguenta essa bandalheira, já que o país não está crescendo?

    • Quebrando não porque temos crédito na praça. Mas teremos que aumentar o primário que neste ano, o primário sem truques, será próximo de “zero”

    • Eu creio que são bem complicadas essas comparações. Quem apoia um lado dirá que as políticas dele foram melhores por tais e tais argumentos. Quem pensa o contrário também achará dados e números que supostamente corroborem esta tese. O melhor é a população avaliar a sua vida atual, como está, se melhorou ou não. O que mesmo assim é subjetivo, ja que quem melhora quer sempre mais. Como o Mansueto está apoiando Aécio, é óbvio que divergirá totalmente deste artigo, é natural.

      • isso, mas acho que eu não concordaria com o Artigo apoiando ou não o Aécio. Mas acho o debate saudável. Na academia discordo de várias teses de amigos meus mas continuamos amigos. Quanto mais debate tivermos no Brasil melhor. No mais, quem vai bater o martelo é a população (ainda bem que é assim).

      • Não tem nada de complicado. No caso do artigo citado acima, os autores usam como tese que o PIB do Brasil cresceu menos que o resto no período que chamam de “liberal” (90 a 2002) e performa melhor depois, de 2003 a 2013.
        O “probleminha” é que eles dividiram o período em dois, dando base 100 ao PIB global, ao das economias avançadas e ao do Brasil em 1990 e, depois, em 2003. Estatisticamente, a evolução deveria ter sido linear, de 90 a 2013. A quebra distorce a comparação. Em termos analíticos, não há valor no que fizeram. E isso sem falar que a métrica apropriada seria comparar Brasil com os emergentes e/ou a América Latina.
        E eles são professores de Economia…

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