Curva de aprendizado?

Hoje no valor tem uma matéria na qual a chefe da assessoria econômica do Ministério do Planejamento, Esther Dweck, defende que a manutenção da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) em patamares baixos é um “trunfo” para fazer avançar o nível de investimento privado da economia brasileira. Segundo a economista: “As empresas privadas que não estão envolvidas em concessões contam também com taxas de juros mais baixas do que a Selic, o que as deixa de fora dos impactos do aperto monetário. 

Para quem acreditava em curva de aprendizado como eu é um balde de água gelada (mais do que fria). Há quatro problemas com a insistência de o governo não corrigir ou de não sinalizar uma eventual correção no valor da TJLP dado o valor elevado da Selic. Primeiro, aumenta absurdamente a conta de juros do setor público e a taxa de juros implicita da Div Liquida do Setor Público que hoje é de 17% ao ano, mesmo valor de 2002 quando a Selic era mais de 20 pontos. 

Segundo, o governo ao invés tentar melhorar os fundamentos da economia para ter juros mais baixos para todo mundo continua insistindo que inventou a roda com o BNDES e que, assim, teria condições de financiar qualquer coisa a qualquer custo. Não tem e o aumento dos subsídios deve aumentar muito a conta de juros do setor público e piorar a dinâmica da dívida interna. A taxa de Juros de Longo Prazo está em 5% ao ano, um valor menor do que a inflação anual. Não é comum um país ter juros reais de longo prazo negativo – não somos EUA e tampouco a Alemanha. Mas queremos ser por decreto. 

Terceiro, obras de infraestrutura de elevado retorno social devem ser subsidiadas. Não se discute isso. Mas o problema é querer subsidiar todas as obras e ainda aumentar o percentual do financiamento público nas concessões com forma de assegurar a queda no preço das tarifas à qualquer custo, independentemente do benefício social. E concessão de subsídios exige maior  economia fiscal para o governo arcar com essas despesas. Mas o governo atual usa o subsídio financeiro, que aumenta o custo da Div Liquida do Setor Público, para não ter que explicitar e pagar, como seria o esperado, a conta de subsídios no orçamento.

Quarto, a equipe econômica do governo tem uma visão ingênua de economia e que  taxa de juros, taxa de câmbio, esforço fiscal, etc. é tudo fixado em uma disputa entre os samaritanos de boa vontade contra os “pessimistas neoclássicos”. O governo não precisa de oposição. Vai continuar insistindo nos mesmos erros e o Brasil será punido pelos mercados por continuar o mix esquizofrênico de política macroeconômica. No mais, quanto maior a proporção do crédito subsidiado maior será o aumento da taxa de juros Selic para combater o aumento da inflação. Quem está protegido ganha temporariamente e, quem não tem acesso a crédito subsidiado, perde hoje e no futuro, pois todo mundo terá que pagar mais impostos para o governo pagar sua dívida.

O governo acredita que com crédito subsidiado e escondendo o custo da sociedade – pois o governo não paga o custo orçamentário dos subsídios- pode recuperar o investimento. Mas não foi exatamente isso que fizemos na segunda metade da década de 1970? Sem curva de aprendizado, parece que o caminho é redobrar a aposta e, logo, ………..

4 pensamentos sobre “Curva de aprendizado?

  1. Mansueto, uma vez que você está no meio das formulações econômicas para a próxima eleição, seria interessante um texto onde ficariam claras as diferenças na condução da economia entre as plataformas do Aécio e Marina. Eu não confio em matérias da imprensa. Provavelmente, sua base de conhecimento é maior para escrever sobre isso. Fica como sugestão.

  2. Olá, Mansueto, tudo bem?

    O Nelson Barbosa apresentou uma proposta de elevação da TJLP, que é até citada nessa mesma matéria do Valor. Para os que não leram, segue abaixo a matéria do Valor da semana passada:

    http://www.valor.com.br/brasil/3648736/tjlp-deve-ter-alta-gradual-e-seguir-pib-esperado-diz-barbosa

    O que você achou da proposta?

    Eu confesso que tenho dúvidas sobre se o Nelson teria “voz ativa” em uma eventual reeleição ou se, economistas como a Esther seriam mais ouvidas pela presidente. Meu palpite, pelo posicionamento do Marcio Holland, representando a campanha da presidente, é que a segunda opção é mais factível.

    Acompanho o Nelson sempre que ele vai à GV aqui do Rio e gosto de suas propostas e do seu esforço em conversar com economistas divergentes, como o Samuel ou o pessoal da Casa das Garças.

    Enfim, o que acha da ideia dele?

    1 abraço,

    Vítor Wilher

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