A maior piada que já escutei

OBS: esse post é para descontrair e quebrar os debates áridos de economia.

Acho uma imensa injustiça quando alguém fala que a presidenta do Brasil é uma pessoa dura e não muito simpática.

Na sua entrevista de hoje ao Jornal Nacional, a presidenta resolveu quebrar o clima tenso com uma piada. Quando o William Bonner perguntou sobre economia e inflação, a presidenta então respondeu:

“…….Além disso, a inflação, Bonner, cai desde abril, e agora, ela atinge, hoje, se você não olhar pelo retrovisor e olhar pelo que está acontecendo hoje, ela atinge 0%. Zero. O último dado do IPCA que saiu, se não me engano hoje ou ontem, chegou a 0,08%. O que eu estou dizendo, é o seguinte, o Brasil….”

Claro que foi uma piada. A inflação de um mês foi próxima de zero, mas a inflação no ano será maior que 6% e a inflação de serviços acima de 8%. Mas a inflação está próxima de zero? Não conhecia esse lado divertido da nossa presidenta.

18 pensamentos sobre “A maior piada que já escutei

  1. É um poço de desonestidade intelectual. Pena que é um poço raso, que não resiste nem a um leitor desatento do caderno de economia. Todo ano a inflação esfria no meio do ano e volta com tudo no final, quando estão concentrados a maior parte dos reajustes, principalmente salário mínimo que vai puxando tudo. Dilma sabe disso. Mantega – que tb já usou esse argumento – tb sabe. Qualquer um sabe. Mas a cretinice não lhes deixa perder a chance de vomitar essas asneiras.

  2. Nossa presidenta deveria ter dito: “…Nunca na história deste país estivemos tão perdidos e sem saber o que dizer ao eleitor…” Acho que ela deve ter dado uns tapas no Bonner depois da entrevista.

  3. Assim fica difícil. Como pode tentar esconder a realidade escancarando ou a falta de conhecimento sobre o que fala ou contando com a iganorância de quem ouve. Os tempos de 2002/2010, do ufanismo do protagonismo mundial, com a auto-suficiência em petróleo e a exploração do pré-sal já foram por água abaixo. O crescimento “pibão” de 4%, nunca existiu, de 2010 até 2013 e não vai sê-lo e 2014. A inflção está de volta acima do centro da meta, que caberia ao BC atingir. Realmente é uma piada. Lendo comentários na rede, hoje, apoiadores afirmam, dentre outras coisas engraçadas que “…Bonner não conseguiu domá-la…”. Oras, ontem ocorreu uma entrevista sobre aspectos importantes de uma gestão no mínimo sofrível. O que significaria esse “domá-la”, soa como uma confirmação de que a entrevistada não respondeu o que foi-lhe perguntado. Impressionante.

  4. A entrevista da “candidata” ao JN me fez lembrar o personagem Rolando Lero, da escolinha do Prof. Raymundo, criada pelo saudoso Chico Anysio. Só faltou dizer: Amado Mestre!

  5. Vou lhes contar uma história sórdida sobre manipulação do índice de inflação:
    Ano passado, um colega foi chamado para uma reunião de última hora no gabinete de um dos ministérios tipicamente petistas. A pauta era:
    COMO USAR OS PROGRAMAS DE AQUISIÇÕES PÚBLICAS DE ALIMENTOS PARA MANIPULAR O ÍNDICE DE INFLAÇÃO DO IBGE.
    Lembro que havia representantes do MAPA, MDA e Casa Civil. A ideia era usar o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), vinculado ao MDA, e o AGF (Aquisições do Governo Federal), vinculado ao MAPA, para comprar alimentos mais críticos na composição do índice de inflação. Na sequência, faria-se o escoamento desses produtos exatamente nas capitais dos Estados onde os preços seriam pesquisados pelo IBGE.
    Não averiguei detalhes, mas suponho que o escoamento dos produtos estaria casado com os momentos das realizações das pesquisas. Considerando que todos os órgãos são aparelhados, o PT não teria dificuldades…
    Não fiquei sabendo sobre os resultados desse plano sórdido, mas lembro que, no primeiro trimestre desse ano, a TV noticiou sobre o fechamento do índice de inflação para 2013. Os especialistas haviam ficado surpresos, pois esperavam que o índice ultrapassasse a meta, mas não ultrapassou. Também lembro, alguns dias depois, de outra notícia, dando conta de que os preços dos alimentos tinham voltado a disparar. Liguei as duas notícias e lembrei da história contada pelo nosso colega.
    Não posso dar nome aos bois, para não correr o risco de prejudicar esse colega que presenciou a reunião e nos contou.
    Eu sei que uma história dessas deixa qualquer economista de cabelo em pé, pois vocês sabem o quanto o índice de inflação é parâmetro para diversas políticas macroeconômica, para estudos econômicos, além de servir para correção dos preços em contratos, entre outros. Enfim, achei uma sujeira deplorável, digna de quem é capaz de tudo pelo poder.

    • Mas não é. Da forma que a presidenta falou passa essa impressão. No tom: “não se preocupem que está tudo bem é a tendência é de queda” . Não é verdade.

    • Não se engane. O índice pode momentaneamente estar em queda. Momentaneamente. Todos sabem que o período de junho-setembro é de IPCA menor.

      O dólar, os gastos públicos e o resto do mundo que está adotando políticas pra combater a deflação não permitirão que a inflação ceda. Teremos novas elevações de juros brevemente pra controlar a inflação.

    • Discordo que seja otimista, acho que é Hilário mesmo. Índice de inflação obedecendo a tendências, séries históricas… como assim?
      Séries históricas são usadas para estimar o comportamento de variáveis sujeitas a alto grau de incerteza. Variáveis sobre as quais você não tem nenhum controle. É exatamente o contrário do índice de inflação, que é altamente dinâmico e influenciado por outras variáveis sujeitas às decisões humanas, políticas, sujeitas inclusive a manipulações, como denunciei acima. Fala sério!

  6. “acho que é Hilário mesmo”
    Cara criativo !!!
    Parabéns !!

    O IPCA deverá fechar 2014 abaixo do teto da meta. Essa é a expectativa. Aliás, como tem acontecido nos últimos anos.

    E aí Mansueto, como foi sua participação no seminário ” O fim do Brasil” ???!!! Chegaram à conclusão de quando ocorrerá o fim do Brasil ??!!

    ………Tenho que ser otimista, mesmo……….

    • Claro que não. O debate foi o que fazer para o pais crescer mais e manter as conquistas sociais. Ninguém joga contra o Brasil.

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