Terrorismo eleitoral ou governamental?

Será que chegou a hora de criticar todos os bancos e consultorias privadas porque vários deles começaram a apostar em uma chance real de vitória da oposição e reagir de forma positiva a este cenário (clique aqui para ler matéria na Folha de São Paulo)?

Bancos e consultorias são empresas privadas que têm direito de fazer suas projeções com erros e acertos. O governo reagiu de forma exagerada a um relatório do banco Santander desta semana que falou o óbvio: quando a oposição cresce nas pesquisas a bolsa reage positivamente. Isso é alguma novidade ou segredo?

O mercado, de fato, está reagindo de forma um tanto quanto pessimista as chances de vitória da presidenta por um simples motivo: não se sabe exatamente qual será a política econômica de um eventual segundo governo Dilma.

A dúvida do mercado é: (1) o governo reconhece que houve alguns exageros e, em caso de vitória, adotaria uma política econômica mais conservadora com a recuperação do tripé macroeconômico? ou (ii) o governo, se reeleito, fará mais do mesmo porque acredita que os indicadores econômicos negativos decorrem de fatores externos: baixo crescimento do resto do mundo?

Esta é a grande dúvida dos analistas do mercado financeiro e dos empresários. O grande culpado por essa incerteza é o próprio governo, que além de culpar o resto do mundo pelos nossos erros aumentou ainda mais as promessas de que haverá subsídios para todo mundo e que a situação fiscal está cada dia melhor.

Qualquer bom estudante no primeiro ano de um curso regular de economia deveria saber que, apesar de o superávit primário em 12 meses de 1,5% do PIB até maio deste ano, metade deste superávit (0,7% do PIB) decorreu de receitas extraordinárias, em novembro do ano passado – R$ 20 bilhões do REFIS e R$ 15 bilhões do leilão de concessão de Libra.

Na verdade, o superávit primário nos últimos doze meses é até menor que 0,7% do PIB porque, neste ano, o governo adiou o pagamento de várias despesas como, por exemplo, o pagamento de sentenças judiciais e precatórios que em geral são pagas nos meses de abril e, em 2014, foram postergadas para o final do ano. Por que? O mesmo vem correndo com praticamente todas as despesas de subsídios ligadas à concessão de crédito.

Em resumo, as análises pessimistas de bancos e consultorias decorrem de fatos concretos – a piora nos indicadores econômicos – em conjunto com a incerteza crescente do que seria a política econômica em um segundo mandato da presidenta Dilma. Adicionalmente, a conjuntura é agravada pelas promessas cada vez mais frequentes que não cabem no orçamento.

Assim, a melhor forma de acabar com os relatórios pessimistas de bancos, consultorias e a falta de confiança dos empresários é o governo sinalizar de forma um pouco mais clara qual seria a sua política econômica em uma eventual segundo governo Dilma. Simples assim. Não precisa perseguir o Santander porque, se for adotar esta linha, terá que perseguir todos os demais bancos, inclusive os públicos que contratam as mesmas consultorias que os privados e participam das mesmas reuniões que os analista de bancos privados.

20 pensamentos sobre “Terrorismo eleitoral ou governamental?

  1. 76 bi de superavit primário em 12 meses. 45 dos leilões do ano passado, 5 bi extras de dividendos desse ano (incluindo 4 bi da sensacional máquina augustiniana de transformar divida em receita, chamado bndes), mais um controle de boca de caixa capaz até de fazer o mes de abril dar menos despesa que o mês homólogo do ano anerior… já não sobra mto superávit mesmo. Fora os esqueletos elétrico, dessas diferenças de juros, mcmv, entre outros, escondidos no armário. Acho que a Dilma pode colocar no seu rol de conquistas um déficit primário. O primeiro desde sei lá eu qto tempo. 98, 99, por lá. Mais de 15 anos, certamente.

    Esse ano déficit nominal de uns 5%, ano que vem uns 6% e se a gente não se cuida, e já começo a temer pela perda do controle dessa dívida lá pra segunda metade da década.

  2. Mansueto,,,,a proposito do Santander….não entendi a postura desse banco, já que essa instituição faz parte do cartel dos 5 grandse,,,,os “Dealers”…..que são os mais favorecidos da politica de gasto do Estado deficitário e que tem o Banco Central como o xerife do sistema bancario….afinal foram essas mesmas instituições que foram as maiores beneficiárias da considerável expansão de crédito verificada no governo petista…..cuspiram no prato que comeu …que feio….rssss….mas depois percebendo isso pediram desculpa….rsssss

  3. Percebem o perigo que representou este “pedido de desculpas” do Satãder? Estamos cada vez mais perto do golpe branco final.

  4. Estamos em eleição e se os bancos e consultorias privadas têm o direito de ter seus prognósticos, mas também tanto a candidatura da situação quanto a da oposição têm o direito de agir contra o que consideram até campanha eleitoral, em última instância. Se não me engano, recentemente, a justiça determinou a retirada do ar daquele material absurdo da tal “empiricus”. Na minha opinião, quem mistura investimentos privados, com política e previsão de futuro é picareta ou oportunista. Simplesmente porque não tem como saber quem vai vencer as eleições. Independente de quem vença, não é possível saber a política que se adotará e muito menos qual o impacto na bolsa, na renda fixa e em outros mercados, com relação a estas políticas. Na verdade são apenas informes publicitários para estimular o giro dos clientes. Além do que, correlação não significa relação de causa e efeito.
    Estamos em campanha eleitoral e campanha significa propaganda com informes parciais com objetivos claros, não adianta esperar muita veracidade em campanhas.

    • Há de concordar, no entanto, que isso não é o caso de demissão? O banco poderia ter resolvido isso sem muito estardalhaço. Mas ainda acho que foi tempestade em copo d’agua.

      • Sinceramente não sei, é meio subjetivo. Depende da política do Banco, e se o funcionário agiu mesmo contra essa politica. Mas um grande banco como esse sujeitar decisões de investimentos a politica é meio complicado. Acho que devem sempre criticar o Governo, o que não dá é dizer, se fulano ganhar tal investimento vai piorar ou melhorar.

    • O que percebi foi que o Partido (ou governo; infelizmente hoje são a mesma coisa) possui poder dentro do banco e o banco os teme. Típico de governo autoritário e intervencionista, maior player da economia. É melhor perder imagem e bons funcionários do que “peitar” o poderoso. O rito correto seria o eventualmente ofendido processar o eventual ofensor. Isso não aconteceu, foi um rolo compressor. Chegamos num ponto em que não se pode falar nada mal do governo/partido, mesmo sendo a verdade do emissor da opinião.

  5. Daniel, vc está completamente errado. Apenas se a Dilma ganhar é que temos incerteza, e foi isso que saiu no tal relatório do Santander. No caso da vitória do Aécio, basta ler o blog do Mansueto, ou um livro um pouco mais sério sobre economia, para saber onde ele vai agir nas questões principais.

    • Ele sequer leu o texto do comunicado – que não tem nada demais, diga-se de passagem – e aparece aqui pra militar.

      Todo o mercado está ciente de que mais 4 anos de Dilma serão terríveis pra economia.

      “quem mistura investimentos privados, com política e previsão de futuro é picareta ou oportunista” – Comecemos então condenando toda a equipe econômica do governo. São nada menos que futuristas falando besteira e sempre tomando choque de realidade do mercado que prevê mais certo que eles.

    • Não vejo certeza alguma com nenhum dos candidatos. Livros são de teorias e não práticas de Governo. O Mansueto, pelo que sei, não é porta voz do candidato. Não se sabe quem tem prevalência na campanha de Aécio, se o Anastasia (que a meu ver é o melhor quadro) ou os economistas da época do FHC, com a liderança talvez do Armínio Fraga. E é como eu disse acima, campanha é propaganda com interesse específico, ninguém vai dizer certinho o que vai fazer.

      • “…se o Anastasia (que a meu ver é o melhor quadro) ou os economistas da época do FHC, com a liderança talvez do Armínio Fraga…”
        Então, alguma incerteza que teremos um governo sério? Ou o Anastasia não fez parte do (hercúleo) esforço de ajuste fiscal do governo de Minas na gestão do Aécio?

      • De uma coisa tenho certeza: se o Aécio economizar um prejuízo do tamanho de PasaDILMA, dá pra ele construir aeroportos em 125 cidades do Brasil… rs

  6. Manuseto, por falar nisso, o que achou do relatório da empiricus? No seu ponto de vista, algo produtivo que possa ser levado a sério?

  7. OK, Daniel. No caso da vitória do Aécio, pode ser que ele decida aprofundar o nacional-desenvolvimentismo e dê novo fôlego para a “Nova Matriz Econômica”. No caso de vitória da Dilma, talvez o Mansueto se torne secretário, com Armínio na Fazenda.

    É uma caixinha de surpresas!

    • Antes politica e economia fosse assim tão fácil de se prever, não é mesmo. Uma coisa são as críticas outras são as atitudes reais.

  8. Fazer estudo de cenarios possiveis dos rumos da economia com base no contexto atual e o programa dos candidatos e’ campanha eleitoral?

    Nao consigo concordar com isso! Na pratica todo o mercado esta atento e fazendo isso, o que o governo fez foi so cercear a publicacao “de forma oficial” por parte das instituicoes financeiras.

    O pessoal vai atras do risco calculado, ja conhecem Dilma e sua equipe economica; tambem ja sabem quem aconselha Aecio e quem aconselha Campos.

    Os 2 casos so mostram a inseguranca da atual governamente e seu partido, uma atuacao lamentavel do governo no caso e poe em duvida a capacidade do governo de aceitar criticas e aprender com elas.

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