O Brasil deu certo? E agora?

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Na época que foi lançado o filme,  Brasil deu Certo? E agora? (2013), estava com filho pequeno em casa e não consegui ir ao cinema. Este filme, organizado pelo economista Maílson da Nóbrega, é muito bom e faz um breve retrospecto da história econômica do Brasil e conta com depoimentos de 3 ex-presidentes da República, 12 ex-ministros de Estado, 7 ex-presidentes do Banco Central e especialistas em finanças.

Os entrevistados conseguem, de uma forma didática,  dar uma boa aula sobre a história econômica do Brasil, com destaque para o período pós-1964 e das maluquices que fizemos na década de 1970 com a conta movimento entre o Banco do Brasil e Banco Central, que constituía um orçamento paralelo e a origem de enormes desequilíbrios econômico-financeiros.

Por que vale a pena assistir este filme? Primeiro porque é importante olhar para o passado para entender o que é o Brasil hoje. Segundo, apesar de nosso fortalecimento institucional, precisamos sempre revisitar o passado para evitar erros no presente e no futuro. E passamos recentemente a insistir em erros do passado como o populismo tarifário da conta de energia e o controle no preço da gasolina.

Uma das coisas que me incomoda hoje, no Brasil, é a que algumas pessoas perderam a noção de restrição orçamentária e muitos acham que não há problema algum o país ter uma inflação de 6,5% ao ano, aumento da divida pública para financiar novos projetos com juros subsidiados (alguns justificáveis e outros não), e o uso de truques contábeis para mostrar uma economia fiscal que não é verdadeira.

Assistam ao filme que agora está disponível on line de graça em uma livraria digital da internet – The Internet Archive. Cliquem aqui para assistir ao filme O Brasil Deu Certo? E Agora? (2013)

9 pensamentos sobre “O Brasil deu certo? E agora?

  1. “a conta movimento entre o Banco do Brasil e Banco Central, que constituía um orçamento paralelo e a origem de enormes desequilíbrios econômico-financeiros.”

    Putz, eu ainda sofro calafrios na espinha toda vez que me lembro dessa maldita conta movimento. É coisa tão maluca que, quando estudei a respeito, eu não entendi. Mas não é bem que eu não tinha entendido – eu simplesmente não conseguia aceitar que era aquilo mesmo que eu estava lendo.

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    • Pelo que vi tem uma serie de erros e nossa divida oi construida por decisões equivocadas de vários governos. Não acho que tenha sido roubo.

      Nos últimos 5 anos, por exemplo, emitimos de divida nova mais de R$ 450 bilhões para subsidiar um bocado de coisa. Mas isso foi decisão do governo e representou quase 10% do PIB.

      O Brasil paga um juros anormal mas, quando comparado as outras economias emergentes, o Brasil junto com a India são os dois países com maior endividamento. A divida bruta do Brasil é de 59% do PIB enquanto a media dos emergentes é de 35% do PIB.

      No total pagamos com juros (setor público) 5% do PIB. Se tivéssemos juros mais baixos essa conta seria perto de 3% do PIB. Infelizmente não somos o Japão que gasta com pagamento de juros 0,7% do PIB para uma divida bruta de 240% do PIB. Mas lá a taxa de juros é quase zero porque eles tem um problema de deflação (inflação negativa) e as pessoas se endividam pouco. O Brasil é diferente (para pior).

      Infelizmente, só conseguiremos pagar juros menores quando reduzirmos um pouco mais a divida e eliminarmos vários subsidios. O custo (taxa de juros) da nossa divida liquida do setor público é 17% ao ano – talvez a mais alta do mundo.

      Essa taxa é maior do que a SELIC porque ele consegue captar o efeitos das operações subsidiadas que no Brasil são muitas. Em resumo, infelizmente, teremos que fazer um esforço fiscal maior.

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