Taxa de juros, spread e o grito: o que aconteceu?

Para aqueles que não se lembram, um dos debates mais importantes aqui no Brasil, no início de 2012, foi o debate sobre o “rentismo” dos bancos privados. O governo defendeu a tese que as taxas de juros e os spreads bancários eram elevados porque os bancos privados eram gananciosos.

Como resolver esta situação? Fácil. A nossa presidenta foi para a televisão em cadeia nacional no dia 30 de abril de 2012 e deu uma bronca nos bancos privados em horário nobre (clique aqui para ler a integra do discurso da nossa presidenta) e prometeu que reduziria as taxas de juros estimulando a concorrência por meio de uma atuação mais ativa do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O plano era usar os bancos públicos para aumentar a concorrência e baixar os juros.

Na época escrevi vários posts neste blog questionando esta estratégia de redução dos juros e dos spreads no grito. Em um dos posts que escrevi, no dia 25 de abril de 2012 (clique aqui), destacava o seguinte:

“Se a redução do spread não for permanente, vai ficar provado que não há concentração, ou melhor, práticas de preços abusivos devido à falta de competição, no mercado  de crédito no Brasil — poucos bancos dominam o mercado, mas eles são eficientes e competem entre si. Mas se a redução do spread for permanente e de fato funcionar, então Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (CADE) devem explicações à sociedade”.

Em outro post, no dia 30 de abril de 2012, eu voltei novamente ao assunto (clique aqui) e comecei o post com o seguinte parágrafo:

“Com todo o respeito que tenho pela liturgia do cargo, o pronunciamento da Presidenta da República hoje na TV em rede nacional teve um tom de populismo que há muito tempo não escutava. Para mim foi de mais a afirmação que “…os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos.…o setor financeiro, portanto, não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros“.

Na época nossa presidenta falou que: “Vem daí a posição firme do governo para que bancos e financeiras diminuam as taxas de juros cobradas aos clientes nos empréstimos, compras a prazos e nos empréstimos.”

Como estamos quase no final do governo, chegou a hora de perguntarmos o que aconteceu? Será que de fato houve uma forte queda nas taxas de juros para empréstimos desde o discurso da presidenta em abril de 2012? Será que houve uma forte queda nos spreads bancários (diferença em pontos de percentagem entre as taxas de juros de captação e de empréstimo dos bancos) como queria a nossa presidenta que puxou a orelha dos banqueiros em rede nacional?

A resposta para as duas perguntas é não, mas aqui é preciso um esclarecimento. Primeiro, quando se olha para o spread bancário para o total das operações de crédito, ocorreu sim uma redução. Mas isso é fruto do forte crescimento do crédito direcionado – crédito do BNDES, financiamento habitacional, etc. O saldo do crédito livre era no início do governo Dilma 10 pontos do PIB maior que saldo total do credito direcionado. Mas essa diferença foi reduzida em mais de 50% e trouxe para baixo o spread bancário. Ou seja, o spread baixou pelo efeito composição: aumentou a parcela dos crédito subsidiado no total do crédito concedido (OBS: não fique alegre porque parte desse crédito aumenta o custo da nossa Div. Liquida do Setor Público)

Crédito Livre versus Crédito Direcionado – % do PIB – mar/2007-maio/2014

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Spread das operações de crédito (livre e direcionado) em pontos de percentagem – mar/2011- maio/2014

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Segundo, quando se olha o spread bancário e as taxas de juros de empréstimos do crédito livre, não se percebe redução nem de um nem tão pouco do outro como prometeu a presidenta no seu discurso triunfante de abril de 2012. O spread bancário de hoje (20,68 pp) é muito próximo ao pico do início do governo Dilma (22,65 pp) e o spread já é maior do que os 19,77 pp de maio de 2012. No caso das taxas de juros com recursos livres, essa taxa voltou a subir e já se aproxima do pico do início do governo Dilma.

Spread bancário médio das operações de crédito com recursos livres – mar/2011-maio/2014 – pontos de percentagem

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Taxa de juros média das operações de crédito com recursos livre – % aa – mar/2011-maio/2014

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E se olhamos para o spread e a taxas de juros do crédito livre para pessoas físicas? Neste caso os valores são os mesmos do início do governo Dilma. Não houve redução alguma. O spread desse tipo de empréstimo voltou para o patamar acima de 30 pontos de percentagem e a taxa de juros voltou ao seu valor de 42% ao ano.

Spread bancário médio das operações de crédito com recursos livres (pessoa física) – mar/2011-maio/2014 – pontos de percentagem

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Taxa de juros média das operações de crédito com recursos livre (pessoa física) – % aa – mar/2011-maio/2014

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Em resumo, apesar da boa vontade da nossa presidenta, os spreads bancários e as taxas de juros voltaram a subir e continuam elevados como era no início do seu governo. O que não funcionou? Deveríamos ter gritado mais alto? Será que naquela época os banqueiros estavam com tapa ouvidos ou o nosso problema é outro e não a ganância dos banqueiros?

42 pensamentos sobre “Taxa de juros, spread e o grito: o que aconteceu?

  1. Caro Mansueto, não seria bom colocar os spreads e taxa de juros separando por público e privado já que a nossa presidente utilizou os bancos públicos para redução dos juros? A minha dúvida é se os juros destes tiveram essa trajetória de queda e depois elevação. Um grande abraço.

  2. Eu acompanhei um seminário de metas de inflação (isso era um evento sério) no qual um membro do BC dizia que o Brasil havia se inspirado na Turquia. Isto era em 2012, no auge da heterodoxia de araque. Mas a grande farra do crédito começou antes, com macroprudenciais (?) e reformas institucionais, ainda que necessárias, feitas através do mensalão (Rural, BMG, entre outros).

    Os juros (e spreads) no Brasil chegam a ter explicação simples: muito imposto e farra fiscal derrubando a poupança. Some-se a isso o orçamento paralelo e o crédito direcionado (o BNDES é as duas coisas) e temos a fórmula do spread.

    Mais que isso, é interessante notar que os bancos focados nas modalidades de menor spread para pessoa física (Consignado e Veículos), que em tese tinham garantias melhores, quebraram quase todos.

    A atuação do BC e do governo neste episódio foi vergonhosa, pois o outro lado desta expansão do crédito e redução do spread no grito foi inflação, inadimplência, quebradeira e fraude (Cruzeiro do Sul, Votorantim, Panamericano… a lista é longa). Se Itaú e Bradesco tivessem embarcado nessa, melhor nem pensar.

    De certa forma, temos alguma sorte que a farra do crédito imobiliário não vai estourar no sistema bancário, mas no Tesouro, sendo um esqueleto mais fácil de administrar…

    • Não é somente a baixa oferta de capital de poupança, Rodolfo. Há também a enorme insegurança jurídica, o péssimo ambiente de negócios, a infraestrutura completamente defasada e precária, a elevada burocracia, a concentração de mercado com baixíssima concorrência entre bancos (a concorrência quase zero também justifica as altíssimas tarifas de telecom, por exemplo).

      Passa muito longe da “ganância do banqueiro”. Só o Daniel (aqui dos comentários) acredita nisso.

      E atenção para o crédito imobiliário. A bolha imobiliária está prontinha pra estourar. E não vai feder nos bancos, mas, sim, na pessoa física que entrou nessa barca furada.

      • Pedro, interessante você nortar a questão da insegurança jurídica. Isso é um problema sério, e quase ninguém percebe.
        Quando se fala do custo da insegurança, para empréstimos, não é só relacionado à inadimplência dos devedores. A insegurança do próprio ambiente é grande, e nunca maior do que agora, quando o nosso judiciário resolveu que é perfeitamente aceitável reescreverem as leis e atuarem como xerifes. Claro, o legislativo também muda as leis, e o executivo as regulamentações, mas nada trás mais insegurança jurídica do que um judiciário que devido julgar “conforme sua conciência”.

      • Insegurança jurídica é um conjunto de problemas. Justiça trabalhista, cumprimento de contratos, mudanças de regras tributárias de sopetão, julgamento de situações que ocorreram há 25 anos atrás e por aí vai. Tanto que este conjunto de fatores gerou a expressão “no Brasil, até o passado é incerto”.

        Tudo isso, somado a um outro conjunto de distorções do ambiente, como burocracia excessiva, complexidade tributária, mão de obra de baixa produtividade frente ao salário que ganha, baixa taxa de poupança, infraestrutura terrível, baixa concorrência em todos ou quase todos os setores da economia criam um custo Brasil enorme e são responsáveis por sermos o campeão de juros.

        Minha renda fixa agradece.

  3. A velha jogada de marketing do Governo atual, onde se aproveita do pouco entendimento econômico da maioria da população e se lança em Rede Nacional como os salvadores da pátria. Gostei de lembar desse pronunciamento da presidenta Dilma.

  4. A maior parte do prejuízo com o crédito imobiliário (basicamente o MCMV) vai estourar na Caixa. O Governo não vai retomar os imóveis. Por isso eu digo que quem vai aguentar o tranco é o Tesouro.

  5. Achei esse artigo bem legal…só não entendo como vc consegue ser tão produtivo em análises variadas, caro Mansueto…vc não dorme???

    Em particular, gostei do comentário sobre a bolha imobiliária, mas acho que não vai estourar e sim vai minguar…as empresas imobiliárias aqui em São Paulo e Santos já estão fazendo liquidações de imóveis…com os preços nas alturas, nem mesmo com muito crédito as pessoas estão entrando nessa roubada…tudo tão caro, mas não são só os imóveis, tudo está muito caro, especialmente os serviços privados de boa qualidade…que coisa horrível tanto imposto e serviços públicos de qualidade sofrível…

    Eu acho que para melhorar e muito, a solução é mudar o modelo, de ajuste pelo aumento dos receita para controle dos gastos…sempre… o duro é achar um governante que adote esse tipo de postura…ou seja, o que precisamos é um novo desenho fiscal para tentar ao menos racionalizar a ação pública…o que deve remeter a uma reforma política…difícil dados os interesses envolvidos…

    • Não caia neste engodo de reforma política. O PT não vai fazer nada no sentido de melhorar o ambiente. A constituinte da reforma política que querem fazer será no sentido de dar uma guinada mais a esquerda ainda. E a esquerda sí pensa em aumentar gastos. Se o PT emplacar o plebiscito, vote não com toda a certeza.

  6. Falaram ai sobre “bolha imobiliária” que estaria prestes a explodir, inclusive citando meu nome. Então vem a resposta:

    Não existe bolha imobiliária nenhuma no Brasil, então, obviamente não haverá explosão alguma. O problema é que muita gente confunde aumentos de preços de ativos com bolhas, não tem nada a ver.

    Ativos sobem e baixam de preços, coisa normal em qualquer mercado, ora com mais, ora com menos intensidade.

    Bolhas podem ser formadas quando existem altas taxas de crédito em relação ao PIB, ou mesmo derivativos de crédito imobiliário expalhados pela economia, caso dos EUA há 6, 7 anos. Nenhum desses fatores ocorre no Brasil atualmente. No Brasil a inadimplência relacionada ao crédito imobiliário é baixíssima, o crédito ainda é baixo em relação ao PIB, os contratos geralmente são com parcelas decrescentes e com juros bastante razoáveis.

    Os leigos geralmente acreditam que só porque houve um grande aumento de preços dos imóveis – e realmente houve – necessariamente isso é uma bolha, e mais cedo ou mais tarde, ela terá que explodir – com quedas expressivas de preços – afetando grande parte da economia. Alguns simplesmente vão na onda de “especialistas” que propagam essas bobagens, outros simplesmente divulgam porque torcem para acontecer.

    Felizmente não há nenhuma evidência nem de bolha e muitos menos de grande estouro, com queda drástica de preços de imóveis.

    É provável sim que os preços ou parem de aumentar nesse rítmo dos últimos anos – a maioria já parou – ou até que hajam reduções. Podem ainda acontecer, em alguns segmentos pequenos e específicos – ex: salas comerciais de determinada cidade – algumas baixas maiores, mas nada que vá afetar a economia de maneira tão significativa.

  7. Daniel,
    acho que com relação aos imóveis comerciais já não há dúvidas de que houve bolha e de que ela estourou. Se isso quebra o país, é outra história.

    A consideração mais simples para se entender a capacidade de pagamento das famílias é o comprometimento de renda. O movimentos de subida de juros que vimos aumentou drasticamente o comprometimento de renda das famílias, e isso vai se refletir em alguns meses nos índices de inadimplência. Com relação ao credito imobiliário especificamente, o MCMV é um projeto fadado à inadimplência, o que é normal até certo ponto, uma vez que se pretende dar moradia aos mais pobres.No caso da classe média-alta também é preocupante o declínio das vendas e dos preços dos imóveis. Eu honestamente não consigo entender uma família com renda menor que 40 mil financiando aparamento de 1 milhão. E tem acontecido bastante. Uma hora isso explode.

    • As pessoas confundem bolha com o estouro. O crédito imobiliário em relação ao PIB nada tem a ver com a formação de bolha. Estouro trágico, muito menos.

      Japão ficou 20 anos sofrendo com sua bolha, sem estouro, sem quebra da economia. O povo que investiu, porém, tomou prejuízo.

    • Meu caro, se for assim fica muito subjetivo. Se um ativo subiu de preço e depois abaixou um pouco, não significa, pelo menos a meu ver, que uma “bolha tenha estourado”. É como eu disse, ativos sobem e baixam de preços, coisa normal em qualquer mercado. Um ou outro agente ganha muito na alta e perde na queda, também normal. A economia cresce na alta e sofre um pouco na queda, tudo normal. Se querem tratar isso como estouro de bolha vai de cada um. A meu ver, não é, longe disso.

      Me desculpe, mas você simplesmente está pegando um dado – que é o aumento de juros não tão grande assim e presumindo que vai ocorrer aumento excepcional de inadimplência. Pode não ocorrer aumento algum, pode ocorrer um aumento pequeno – normal – ou pode ocorrer uma catástrofe, mas não há nada que indique isso.

      Por que o MCMV é um projeto fadado à inadinplência ? Nâo entendi. As taxas de juros são muito baixas e há cadastro bem razoável dos participantes.

      Ora, é feita análise de crédito, quem está contratando não pode comprometer mais de 30% da renda com a parcela. Nâo é razoável isso ?

      O que o Governo deveria fazer então, travar o crédito imobiliário ?

      No Brasil o crédito imobiliário ainda é baixo comparado com vários outros países e há, ainda, muita demanda reprimida por moradia.

      • Você não conhece este mundo mesmo rsrs
        Vá a uma corretora qualquer e diga o seguinte: quero financiar um imóvel de 300 mil e não tenho renda.

        Pode ter certeza que o corretor te ensina a comprovar renda, afinal, ele quer é a comissão no bolso. Dentre as práticas, a preferida é movimentar boa soma de dinheiro entre uma conta e outra com constância por 3 meses e lá está o comprovante de renda que a CEF pede.

        Novamente, você fala sem conhecer do assunto. Estamos no Brasil, a terra do jeitinho. Acorda!

        Sobre demanda reprimida, ela é reprimida justamente porque não pode pagar os preços pedidos, e, por sinal, vem aumentando ao longo do tempo. A demanda reprimida por comida na Etiópia é enorme. Pelo seu raciocinio, o mcdonalds teria o maior lucro do mundo lá.

        Nesses países de “primeiro mundo”, onde a relação crédito imob PIB é alta, a distribuição desse mesmo PIB é bem mais acentuada que no Brasil.

        No Brasil, a distribuição do PIB é tão ruim, mas tão ruim, que simplesmente é tecnicamente impossível o crédito imob ir tão longe, simplesmente porque a massiva maioria dos tomadores não possui a RENDA necessária para se permitir o crescimento dessa relação (crédito imob – PIB).

        Assim, para o caso do Brasil atual, é muito mais válido observar o comprometimento da renda mensal familiar, o qual tem a ver com a renda REAL das pessoas. E esse comprometimento está muito, mas muito mais alto que o americano, mesmo na fase da bolha deles.

        Neste contexto, quem entrar agora na pirâmide, estará em baixo, na base, e pagando o preço caro para quem está na parte mais alta. Mas isso se dá com risco alto altíssimo dessa pirâmide ruir na cabeça de todos os debaixo, pois há um altíssimo e alarmante risco de desvalorização futura do imóvel. Imóvel no Brasil, hoje, só compensa se for com descontos muito generosos, da ordem de uns 30% ou 40%, como, aliás, algumas construtoras estão oferencendo unidades prontas que ficaram encalhadas, nesses saldões, feirões, etc, como eles chamam nos jornais todos os finais de semama (sendo que, mesmo assim, ainda compensa mais esperar mais, pois a oferta de encalhes vai aumentar ainda muito mais nos próx. anos)

        Nã dá para ficarmos pensando que “dessa vez será diferente”. Os ciclos econômicos são movimento normal de qualquer economia, por mais modernos que sejam os tempos. Atualmente, estamos vivendo o ciclo da maior alta especulativa que já se viu no Brasil. Amanhã veremos umas belas de umas quedas e, pasme ou não, isso será tido por coisa normal para os especialistas sérios.

        E esse tipo de previsão de “previsão” nada tem. O ciclo especulativo é mais do que visível e isso ninguém discute mais. Mas eles jamais na história conseguiram se manter, por uma razão simples: uma hora a boiada acorda, ou o dinheiro dela acaba.

        A bolha especulativa pode existir e seu estouro ser impedido pelo Governo (enquanto der e tiver dinheiro do contribuinte para faze-lo) ou mercado fortemente monopolizado por empresas (enquanto der e tiver dinheiro para manter a aparência).

        É o que acontece hoje na China. Lá o Governo comunista financia o crescimento da infra-estrutura e a construção de imóveis como ninguém no mundo. MAS eles já possuem mais de 65 milhões de residências vazias, além de centros comerciais, metrôs, etc, todos vazios. Verdadeiras cidades fantasmas. E eles continuam construindo ainda mais. ENTRETANTO, há mais de 100milhões de pessoas sem teto decente, morando em favelas. Essas pessoas simplesmente não tem RENDA para a compra das casas.

        Se eles quiserem vender essas coisas, os preços desabarão assustadoramente. Um estouro dessa bolha lá significaria um cataclismo para os balanços dos empresários que possuem ativos imobiliários lá (inclusive o Governo), levando muitos à falência. Mas o Governo financia o “status quo” e vai fazê-lo até onde der (até onde tiver $$$ do contribuinte. Mas eles são um país de economia rica, embora de população pobre)

        No Brasil, o Governo também está tentando impedir o processo de correção, para baixo, dos preços especulados pelo mercado. Vimos os prazos de financiamento mais que dobrarem. Vimos o crédito ser esticado. Vimos o balanço da CEF sendo enxugado pela EMGEA e entrada de recursos do BNDES – capitalizado com $$$ do contribuinte – para aumentar a oferta do crédito. Todas essas são medidas para tentar segurar a demanda mais alta. MAS será que conseguirão chegar mais longe? A China tem muito $$$$ e tem conseguido manter as aparências com aquelas cidades inteiras fantasmas. O Brasil é sempre mal das pernas para a maioria da população e para as contas do Governo e não acho que terá como segurar o reajuste do mercado… (Aliás a dívida pública atual já é a mais alta de todos os tempos – vão criar mais dívida para jogar liquidez no mercado de consumo, especialmente o imob, até quando?)

        O Brasil é a sétima maior economia do mundo. É um país muito rico. Mas é uma riqueza que tem servido para pagar juros e amortizações de dívida pública e os bolsos de muito poucos brasileiros. Em termos da realidade, o Brasil é um país de maioria massiva de pessoas pobres. A distribuição de renda é quase a pior do mundo atual. A maior parte do nosso PIB anual vai para o bolso de alguns empresários, especialmente bancos. O restinho está nas mãos de pessoas ricas que já possuem vários imóveis. E uma micro-parte está nas mãos da população em geral. Isso impede que a relação crédito imob-PIB consiga crescer no Brasil, tal como cresceu naqueles países de primeiro mundo de renda melhor distribuída (isso a não ser que comecem a dar crédito de centenas de milhares de reais a qualquer pessoa de salário de R$2k para pagar em 50 anos).

      • Deixe de ser ingenuo Pedro, uma ou outra fraude podem ocorrer, mas até parece que um número considerável de tomadores vai se valer desse tipo de expediente. Isso daí está incluído no risco do negócio ora. Fora que é bastante burocrático conseguir um financiamento.

        Não vou cair nas sua provocação nem nas suas ofensas gratuitas, até agora o fato que mostrou foi uma inadimplência de 2%. Ademais, o fato de voce acreditar que uma inadimplência de 4% vai “comprometer o patrimonio liquido dela” ja mostra o seu desconhecimento no assunto em questão.

        Ainda não disseram qual política o Governo deveria adotar para impedir ou mitigar possíveis bolhas imobiliárias.

      • Pra você que não conhece o conceito de alavancagem e ignora o risco da concentração de mercado não tem problema mesmo… Vai fundo! rs

      • Meu caro Pedro, enquanto eu estiver estudando alavancagem e concentração de mercados, vou também aguardar o estouro da bolha imobiliária, que segundo voce, será em breve. Um abraço.

      • Que fique registrada a sua desonestidade intelectual, como sempre.

        Eu e o Rodolfo não fixamos data para o estouro. Aliás, na minha opinião, ela já estourou em 2012, quando o mercado começou a registrar quedas de venda e de preços constante.

        Da próxima vez, argumente. Você escreveu um compilado de pseudo argumentos como déficit habitacional, crédito imobiliário x PIB e outros que são corriqueiramente encontrados em qualquer blog de imobiliária e corretor. Todos tão batidos que em 5 minutos foram respondidos.

        Bolha imobiliária é coisa séria. Milhares podem ir à ruína e a prática do mercado de desinformar a população não pode ser permitida. Sempre que eu vejo desinformação, procuro rechaçá-la se houver espaço pra isso. Farei o mesmo por aqui.

      • Voce não sabe mais o que dizer.

        Antes, comentou que a bolha estava pronta para estourar (27 de junho 3:16 pm).

        Agora, diz que acredita que ela já estourou em 2012.

        Decida-se, meu caro.

        Ora, se a bolha ja estourou então a hora de comprar imóveis é agora ? Estão todos com preços baixíssimos, descontos de 40% não é mesmo ?

        É muita confusão mental.

    • Apenas acrescentando, com relação ao MCMV faixa I, que é o de participantes com renda até 1,.600,00 estou de pleno acordo com voce. A casa é praticamente inteira subsídiada, apenas são cobradas parcelas simbólicas de R$ 50,00, até por isso mesmo que os dados de inadimplências desta faixa não fazem qualquer efeito na economia, se a inadimplencia da faixa I é de 20 ou 50% nao muda nada, pois ja estava praticamente precificado que era subsídio mesmo.

      • E mesmo assim a galera não paga. O que te leva a crer que o emprego continuará em alta pra segurar a adimplência das maiores faixas?

        Aliás, esta qustão de inadimplência é bem relativa. Pra uma instituição alavancada em 30x e detentora de quase 70% do crédito imobiliário do Brasil, como é a CEF, 4% de inadimplência são suficientes pra comprometer todo o patrimônio líquido dela.

        Vocês e seus patrões, como apedeutas e curiosos, não entendem isso, e ficam usando de desinformação nos debates achando que todo mundo vai cair nas histórias que contam. Obviamente quebram a cara.

      • Pedro e Daniel, aprendi muito com o bom debate entre os dois. Mas agora entramos em um debate sobre bolha imobiliária que não foi abordado no post. A tese do post era muito simples: o governo prometeu uma forte redução da taxa de juros, em abril de 2012, que não ocorreu.

        O custo do crédito livre hoje é praticamente igual ao que era no início do governo Dilma em 2011. Assim, grito não resolver e nem vai resolver o problema das nossas elevadas taxas de juros e do elevado spread bancário.

        Vou agora fechar os comentários desse post para o clima de disputa não aumentar. E nem se preocupem que vem mais posts e poderemos todos continuar esse debate. Aprendi muito com esse debate de voces dois. Abs, Mansueto

  8. Alias, Pedro, excelente esse site “Defenda seu dinheiro”. Não sei quem escreve, nem se cientificamente é correto, mas é pertinente.

    • Eu também não conheço o autor, mas ele também posta no bolhaimobiliaria.com sobre o nick CA.

      Produz excelentes análises.

  9. Conta de padaria (melhor que o BP da Petrobrás): 200 bi do MCMV, se a inadimplência for de 20% (bem conservador), a Caixa precisa ser capitalizada no mesmo montante. Quebra o país? acho que não, mas deixa um rombo razoável… some ao da Petrobrás, da Eletrobrás, ao da Previdência a e gente monta um quadro fiscal bem ruim.

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