O que falta na nossa política econômica?

Olhando neste final de semana algumas das minhas fotos, notei que poderia explicar de forma rápida o que falta na nossa política econômica. Em poucas linhas, nos falta:

sevilha03 228

Harmonia. Esta foto tirei em Sevilha e mostra mãe e filho dormindo na mesma posição, segurando as máquinas na mesma posição, com a cabeça posicionada e pernas cruzadas exatamente na mesma posição. Esse tipo de harmonia não vejo na nossa política econômica. Escuto técnicos do Bacen reclamarem de medidas da Fazenda e vice-versa. Dependo com quem você conversa no governo, tem-se a impressão que há uma grande falta de comunicação dentro da equipe econômica.

Beleza. A foto abaixo tirei na rua de Sevilha. Quando olhei este casal passeando e sorrindo depois de sair de uma missa, em uma manhã de um domingo, posicionei minha câmera para tirar fotos. Eles gentilmente notaram e começaram a dançar. Nossa política econômica com os excessos de intervenção do governo na economia e controle de preços não é bela. Meus colegas economistas Samuel Pessoa e Fernando Holanda Barbosa Filho do IBRE-FGV fizeram os cálculos e mostrarem que, de 2011-2103, o crescimento da produtividade do trabalho não diminui. Mas o crescimento da produtividade do capital despencou. Segundo eles, fruto do excesso de intervenção do governo na economia.

Sevilha01 325

Elegância. Se espera que a política econômica seja clara e sem modificações bruscas. Acho que chamaria isso de elegância. O ambiente pode ser confuso e com muito ruído, mas uma boa política econômica perpassa todos esses problemas com elegância e sinaliza um caminho para os agentes econômicos. Essa foto de duas senhoras andando com elegância perto de um estádio de touradas em Sevilha , apesar do barulho e confusão de pessoas, mostra o tipo de equilíbrio e elegância que gostaria de ver na nossa política econômica.

Sevillha02 017

Mas então o que seria a nossa política econômica? há muitos anos passeando em Paris me deparei com o que parecia ser uma obra de arte, mas era na verdade uma lona que cobria  um prédio em reforma. A lona dava um efeito visual bonito de um prédio se derretendo, mas escondia um prédio em ruínas que poderia ou não se tornar um belo edifício. Acho que estamos mais ou menos neste ponto. Alguns dados não são ruins, mas difícil saber se estamos olhando para uma lona que cobre um “prédio” em reforma que poderá ou não se tornar um belo edifício. O que temos certeza é que o prédio precisa de uma boa reforma, não importa quem seja o engenheiro ou o mestre de obras.

Prédio 01

Predio 03

 

11 pensamentos sobre “O que falta na nossa política econômica?

  1. Caro Mansueto, um amigo esquerdista me enviou um video da Maria Lucia Fattorelli, auditora da receita federal, sobre a dívida pública brasileira. Fiquei muito surpreso com as opiniões dela. Ela, por exemplo, nega a existência do déficit da previdência, que segundo é “inventado” porque não se contabiliza a arrecadação do Cofins e outros impostos. Só de assistir os primeiros 10 minutos é possível pegar suas ideias.

    • Não perca seu tempo, pessoal. Se o saci não existisse, ninguém perderia tempo tentando provar que ele não existe.

      Essa auditora está mais preocupada com a perda de sua aposentadoria ou de algum ente do que evidenciar a realidade dos fatos.

      Lembre-se: não é porque detém um cargo de alto escalão que passa a ter autoridade em todos os assuntos. Culto ao diploma ferra o Brasil.

  2. Se há ou não déficit eu não sei, mas a contabilização do inss é realmente equivocada. Deveriam se separar o que é benefício social — por exemplo de quem não contribuiu para receber aposentadoria, que deve mesmo ser bancado pelo tesouro — e do que é previdência. Sem falar em alguns impostos ou percentuais que, por lei, devem ser destinados ao inss. Só a partir desta devida contabilização é que se pode fazer um estudo sério para uma possível reforma.

  3. OK Daniel. O RGPS apresenta uma distorção, a partir da promulgação da Constituição de 88, visto que os pagamentos das aposentadorias rurais passaram a ser contabilizadas erroneamente. Ou seja, caberia, ou melhor, cabe, em termos contábeis, ao Tesouro assumir esse ônus, e não a Previdência Social.

    Ano passado, p.ex.: a área urbana arrecadou R$ 307 BI, e pagou R$ 282 BI. Portanto um superavit de R$ 25 BI.

    Nesse mesmo ano, a área rural acumulou deficit de R$ 75 BI, perfazendo saldo negativo de R$ 50 BI, lembrando que esses benefícios rurais não tiveram a contraparte da contribuição, ou seja, formou-se um desequilíbrio atuarial.

    Portanto esses R$ 50 BI de deficit (2013) devem ser cobertos pelo Tesouro. E assim, todo ano………..

    Quanto à essa contabilidade criativa à avessas, e à própria transparência dos dados fiscais, os fiscalistas, monetaristas e os remanescentes neoliberais nada comentam, nada criticam.

    Curioso, não ?????

    • Na verdade não há muita discordância desse ponto: separar da previdência o que é poupança e o que seria assistência social.

      Não é muito claro, no entanto, se isso modificaria a questão da necessidade de o governo arrecadar mais recursos para cobrir o gasto.

      Por exemplo, se continuássemos com a previdência pública (INSS) mas com contas individualizadas com contribuição definida, qual seria o tamanho do rombo que o governo teria que cobrir de assistência que hoje chamamos de previdência? Eu ainda quero descobrir essa conta. Tem um professor titular da USP da matemática que está fazendo.

      • Reforma sempre vai precisar ser feito, visto que as expectativas de vida vem aumentando. Creio que uma reforma estilo 95/85, idade + tempo de serviço, seria bem razoável. Ou até mesmo 93/88.

  4. rsrsrs Obrigado, Mansueto. É muito bem-vindo aqui. Se voltar daqui a pouco, entre em contato comigo e mostro a cidade toda para você.
    Conheço muitos lugares baratos e onde se come espetacularmente.

Os comentários estão desativados.