O ENADE é ideológico?

OBS: na pressa, havia escrito esse post trocando ENADE por ENEM. Segue agora o post devidamente corrigido. 

Nos últimos anos, já nos acostumamos com os problemas do ENEM. Primeiro, como sempre lembra o jornalista Elio Gaspari, o Ministério da Educação nunca conseguiu fazer duas provas do ENEM por ano como havia prometido há algum tempo. Segundo, tivemos alguns casos de fraudes com o ENEM, que parecem que foram solucionados. Terceiro, ano passado tivemos o escândalo da correção das redações, quando se descobriu que algumas redações receberam notas máximas apesar de erros de ortografia e concordância.

Agora, o presidente do INSPER, Claudio Haddad, nos brinda com uma entrevista nas páginas amarelas da Veja na qual mostra que ele, um PhD em economia por Chicago, errou metade das questões do ENADE que, segundo ele, é uma prova com forte conteúdo ideológico. O ENADE é o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes que tem o objetivo de aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências. O exame faz parte do Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) e objetivo é avaliar a qualidade dos cursos de formação superior.

Reproduzo abaixo apenas o início da matéria da Veja para que os interessados comprem a revista. Um governo sério deveria convida-lo para se reunir com a cúpula do Ministério da Educação e com um painel de acadêmicos para discutir suas críticas. Quem fez essas críticas não foi alguém sem conhecimento de causa. Mas um profissional que montou uma das melhores faculdades de economia e administração do Brasil e vai montar um novo curso de engenharia.

Isso é um assunto muito sério. O que impressiona é que essa avaliação critica do ENADE não tenha sido feita pelo próprio Ministério da Educação. Para acabar com eventuais mal entendidos, o Congresso Nacional deveria fazer uma audiência pública sobre o assunto e chamar Claudio Haddad. A ver.

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19 pensamentos sobre “O ENADE é ideológico?

    • Na verdade agora notei que a notícia é sobre o ENADE, porém me fez lembrar de uma conversa com uma colega, nas vésperas do ENEM, naquele clima todo de refazer as provas antigas visando se preparar para a que viria no domingo, que praticamente dava saltos de felicidade ao concluir que o ENEM era uma prova “boa pra quem pensa vermelho”. E foi (mais ou menos) isso que cansei de dizer no ano passado: o ENEM é tendencioso.

  1. De qual exame está se falando aqui: do ENEM (Mansueto Almeida) ou do ENADE (Revista Veja)?
    Acho preocupante que se fala em escândalo de Provas de Redação, citando erros de ortografia e de concordância. Sem dúvida, tais falhas são passíveis de crítica. Mas, numa prova de redação, o essencial é a qualidade intelectual, a ideia, a criatividade, a argumentação, o estilo.
    A própria redação do Mansueto contém erros de gramática (um exemplo: “… uma entrevista nas páginas amarelas da Veja NO qual mostra que ele …”,

    • ENADE e tens toda razão quanto ao erro gramatical do post. Se fosse uma redação eu deveria perder pontos por isso.

    • O Enade é parte de um programa nacional de avaliação do ensino superior: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).

      Quanto menor nos estudantes o conhecimento e a habilidade na gramática da língua portuguesa, maiores serão as suas desvantagens, relativamente aos melhores preparados nesse quesito. Não por acaso, alunos oriundos de escolas particulares de elite costumam ter melhor desempenho nessas provas, relativamente aos egressos do ensino público. Essa desvantagem dos menos preparados fica evidente quando esses jovens disputam com os mais preparados as melhores oportunidades no mercado de trabalho.

      No escopo do Sinaes, uma prova de redação com tema obrigatório (i.é, não é tema de livre escolha pelo examinado) tem também como objetivo mensurar a quantas andam as habilidades cognitivas e de raciocínio lógico num texto produzido por um estudante de nível superior, o qual deve necessariamente seguir as regras gramaticais da norma culta da língua portuguesa.

      Isso é bem distinto da produção de um texto literário, no qual o escritor é livre para inventar, experimentar, transgredir. O estudante submetido ao exame do Enade não tem e nem pode ter essa liberdade do escritor de prosa literária.

      Por quê? Porque o objetivo desse tipo de prova é mensurar a competência do estudante no que se refere ao emprego da ortografia em sua íntima relação com a sintaxe da nossa língua.

      Infelizmente, os dados indicam que essas habilidades dos estudantes brasileiros são precárias, refletindo ainda deficiências cognitivas, sobretudo as de raciocínio lógico. E esses dados, por sua vez, são reveladores do estrago que a hegemonia de longa data de uma filosofia da educação autoproclamada libertária (na verdade, uma ideologia de granito, na expressão de Claude Lefort) provocou na formação desses estudantes.

      Os responsáveis pelo Sinaes, funcionários públicos cujos salários são pagos pelos nossos impostos, têm a obrigação de tabular e examinar criticamente os dados fornecidos pelo Enade.

      • Paulo, concordo com o que dizes. Por gentileza, onde posso conseguir mais sobre Claude Lefort, que você citou? Qual a bibliografia produzida por este estudioso que mais ajusta-se ao caso?

        forte abraço
        bergen

  2. Mansueto,

    Apesar de toda a sua educação e neutralidade, este tipo de pergunta do título do seu post é dispensável. TUDO o que o PT faz é com cunho ideológico.

    Livros escolares retratando os guerrilheiros assassinos como heróis que lutavam pela democracia, secretaria de direitos humanos fazendo o jogo da luta de classes, movimentos de minorias (que quando somadas são uma imensa maioria) atacando a oposição de pensamento e tentando criar um pensamento coletivo único cujo objetivo é destruir o pensamento cristão heterossexual ocidental, enfim, TUDO O QUE ESTE PARTIDO FAZ É CARREGADO DE UM ENORME RANÇO IDEOLÓGICO, já que o objetivo deles é a implantação do socialismo bolivariano no Brasil.

    O PT é uma maldição para a nação brasileira.

  3. Pingback: ENADE e ideologia | De Gustibus Non Est Disputandum

  4. Eu não sei por que ou até quando teremos que fingir que o PT não governa respeitando princípios democráticos, que o PT não aparelha o Estado com finalidades escusas, que o PT não controla informações, não chantageia ou assedia veículos de comunicação, jornalistas e o próprio poder judiciário.
    Quanto tempo mais precisaremos para aceitar o óbvio e descarado: O PT tem um projeto de poder, o PT usa todos os meios ao seu alcance para realizar esse projeto. O PT não tem qualquer respeito às instituições, pois é próprio do pensamento marxista acreditar que todas as instituições e princípios que regem o Estado e a sociedade são meros artifícios burgueses para controlar o Estado e a opinião pública.
    É lógico que o ENADE e o ENEM são ideológicos, isso está descarado.
    E qual o objetivo do PT com isso? Simples, o ENEM, funcionando como exame admissional, simplesmente orienta todo o ensino médio e, juntamente com o ENADE, a forma de pensar e ensinar nas universidades, segundo suas ideologias atrasadas e superadas.
    Já que foi citado o ENEM, lá está presente, em grande número, questões sobre marxismo fazendo referência direta ou como pano de fundo. É lamentável toda essa desgraça que a esquerda está plantando no país. Esse caminho não tem volta. Valores e moral não é algo que se volta atrás como acontece com as idéias e conceitos. A mentira, imposta na base de troca de interesses, está corrompendo toda a sociedade. Isso está visível no seu próprio artigo (e no artigo da VEja) em que o viés ideológico das provas é colocado como hipótese, quando toda pessoa sincera e comprometida com a verdade não tem a menor dúvida sobre isso. Por que a Veja não dedicou uma capa a esse assunto logo na primeira vez? Vamos fingindo que o país não está sendo destruído na sua base (ideais, valores, instituições) e estamos ficando cada vez mais parecidos com essa gente sórdida e mesquinha.

    • E depois ainda sou obrigado a ler um militante virtual pedindo pra eu citar exemplos das minhas acusações hahahaha

  5. Caro Mansueto, aprecio seu blog, mas aonde estão as questões ideológicas que o Professor Haddad fala ? Não vi exemplos. Nâo adianta dar carteiradas, não é porque ele é professor doutor, que automaticamente, iria ter que tirar nota tal ou tal ou mesmo maior que a metade.

    • Sim Daniel, tens toda razão. Mas ele é reitor ou presidente de uma dos melhores cursos de economia no Brasil no INSPER. É uma pessoa que tem estudado educação no Brasil.

      Justamente para sanar as duvidas é que gostaria de ver uma audiência pública. Os problemas que ele apontou talvez ele tenha exagerado. Como saberemos? se fizéssemos um bom debate sobre o assunto com especialistas.

      Eu coloquei o titulo como pergunta justamente por não ter nenhuma opinião formada sobre o assunto. Nunca fiz o ENEM nem o ENADE. Assim, não posso dar opinião sobre a qualidade das provas.

  6. Obrigado pela resposta. Vou pesquisar e ver se consigo ver a entrevista, ver se ele dá exemplos. Mas Mansueto, a Veja não merece muita credibilidade convenhamos. Ela escolheu um lado, e para isso usa de todo tipo de jogadas para atacar o outro lado, isso não é novidade ja faz tempo. O que, por si só, evidentemente, não significa que seja mentira, mas é bom sempre ficarmos de olho. Um abraço e parabens pelo blog que possui muitas discussoes sérias.

  7. Caro Mansueto, me parece que foi mais uma da veja. Uma rápida pesquisa que dei pela internet não há nada demais. Apenas falas genéricas do professor Haddad. Neste link do Constantino não há nenhum exemplo: http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/educacao/o-objetivo-e-doutrinar-diz-claudio-haddad/
    Ora, se há mesmo a tal doutrinação ideológica, por um blog da própria revista não mostra exemplos claros ? É óbvio que os exemplos não existem.
    Neste outro link, há um exemplo, aonde é interpretativo e não significa, em absoluto, que a ideologia política tenha se sobreposto a outro tipo de conhecimento: http://www.blogdomadia.com.br/index.php/2014/05/02/
    Lembremos que o Claudio Haddad era conselheiro da Petrobras, quando da aquisição da refinaria de Passadena, em 2006 e que, se Dilma for responsabilidade de alguma forma, ele, além de Jorge Gerdau e Fábio Barboa, hoje presidente da Abril, também o serão. Talvez tenha algo a ver com isso daí, não sei. Mas curioso que a Veja esqueceu-se de perguntar a ele sobre o caso da refinaria não é mesmo.
    Sinceramente não sei se é o caso de audiência pública. A nao ser que houvesse algo realmente gritante, que creio, pelo que vi, que não tenha havido.
    Um abraço,

    Daniel.

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