Desperdício: obras públicas

O The New York Times traz hoje uma excelente matéria sobre obras públicas inacabadas no Brasil, destacando os desperdícios de recursos financeiros decorrente dos atrasos nas obras e revisões de custos – leia matéria aqui em inglês.

Adicionalmente, a matéria destaca os nossos elefantes brancos que são, por exemplo, os estádios novos de futebol de Brasília e Manaus e algumas obras esdrúxulas com o museu dos extraterrestres em varginha em Minas Gerais.

Um dos melhores trechos da matéria é quando o ex-presidente Lula fala que:

“Mr. da Silva, who oversaw the start of work on the Transnordestina eight years ago, was frank about the role of his Workers Party, once the opposition in Brazil’s National Congress, in creating such delays. “We created a machinery, an oversight machinery, that is the biggest oversight machinery in the world,” he said, explaining how his party helped create a labyrinthine system of audits and environmental controls before he and Ms. Rousseff were elected.

“When you’re in the opposition, you want to create difficulties for those that are in the administration,” Mr. da Silva said. “But we forget that maybe one day we’ll take office.”

O trecho acima é excelente, pois ao contrário do que fala o ex- presidente , mostra o papel positivo da oposição, i.e como oposição desconfia que o governo rouba, sempre luta por maior fiscalização. É claro que os excessos de controle precisam ser corrigidos.

Mas o ponto é que oposição e fiscalização faz muito bem ao país, mesmo que no futuro atrapalhe o partido que defendeu maior controle. O PT depois de mais de 10 anos no governo, por exemplo, deixou de ser o grande aliado do Ministério Publico.

5 pensamentos sobre “Desperdício: obras públicas

  1. O controle sobre ações do governo tem duas dimensões: o muito x pouco, o certo x errado. Hoje o controle é de bom tamanho, mas quase sempre errado. O que se tem que buscar não é ter menos controle (apenas), mas ter os controles certos e a justa medida da autonomia, responsabilidade, transparência e “accountability”.

  2. Mas fica claro na fala dele que a burocracia estatal foi “criada” para um fim escuso, prejudicar a oposição. É uma burocracia que prejudica o executivo e é ao mesmo tempo ineficaz em sua finalidade original.
    A nossa burocracia é o símbolo mor da incompetência de nossa máquina estatal. Excessiva, confusa, lenta, viciada e ineficaz.

  3. “When you’re in the opposition, you want to create difficulties for those that are in the administration,”

    Na verdade, o que se entende da fala do Mr. da Silva, é que quando na oposição, se preocupava exclusivamente em criar dificuldades, independentemente se elas seriam boas ou ruins para o país.

    O partido do Mr. da Silva sempre apostou no quanto pior, melhor. Fez isso quando recusou-se a apoiar o Tancredo no colégio eleitoral, quando não assinou a constituinte, quando foi contra o Plano Real, a Lei de Responsabilidade fiscal e em tantas outras oportunidades.

    Mr. da Silva só pensa naquilo!

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