Ganhar credibilidade? nada a declarar.

Há algo que ma chama muito atenção nos debates de conjuntura. As constantes desculpas de órgãos do governo que, quando provocados por jornalistas que têm dúvidas de alguns dos números divulgados falam que: “nada a declarar”.

Uma matéria de hoje do jornal Valor Econômico sobre a conta das desonerações (Desoneração deixa conta bilionária para 2015), que segundo o economista José Roberto Afonso do IBRE e Anfip estaria subsestimada, termina com a seguinte frase: “Procurado, o Ministério da Fazenda não explicou os cálculos de renúncia e a diferença entre os dados da Receita Federal e do Tesouro Nacional e também não comentou a possibilidade dos mesmos estarem subestimados, seja para 2013, seja para 2014.”

Se o jogo agora é recuperar a credibilidade perdida ,o Ministério da Fazenda deveria sim ter dito com todos os pontos e vírgulas que a estimativa do economista do IBRE, da Anfip e da Receita Federal estavam erradas e explicar a fonte da divergência ou as hipóteses que levam a números tão diferentes. Zé Roberto aposta em uma conta de desoneração da folha para os 52 setores beneficiados de R$ 27 bilhões, muito acima do que estava no orçamento e muito acima do que a receita estima que tenha sido esta conta em 2013: R$ 13 bilhões.

Ao não falar sobre o assunto, o Ministério da Fazenda passa a percepção que não tem nada a declarar porque concorda com os números. Isso é ruim para a sua credibilidade. É preciso melhorar urgentemente a comunicação do governo com o mercado para o bem do próprio governo. Nesse tipo de matéria, o governo tem que contestar veemente os números diferentes do seu. Quando não o faz, isso leva a …….nada a declarar.

3 pensamentos sobre “Ganhar credibilidade? nada a declarar.

  1. Mansueto

    Alexandre Schwartsman, na entrevista de sábado à FSP sobre o livro Complacências, deu uma pista sobre o “nada a declarar” do MF.

    “Isso (complacência) é o cerne do nosso livro. Significa (para o governo) que nós deveríamos estar satisfeitos com o atual estado das coisas.
    Pode-se até usar esse argumento para reeleger a presidente, mas ficar realmente satisfeito é complicado.”

    O MF, ao contrário do José Roberto Afonso, é complacente. A não contestação dos números talvez se explique pelo fato de que o MF simplesmente não faz essas contas, seja porque é incompetente para fazê-las, seja porque é complacente com o não fazer as contas.

    Parece que o MF está satisfeito (complacente) porque esse é assunto das contas é menor, se comparado ao empenho pela reeleição de Dilma. A conta das desonerações, custe o que custar, é o preço que os brasileiros devem pagar pelo melhor governo nunca antes visto na história desse país.

    O mesmo para o problema das outras desonerações (elétricas, Petrobrás, transporte) que nos beneficiam no curto prazo.

    Quem gosta de pagar mais do que costuma pagar pela mesma coisa? E se a minha renda cresce, ótimo. Vou consumir mais eletricidade, gasolina etc. Se não gastar mais com isso, ótimo. Sobra um troco para o crediário a perder de vista.

    As consequências disso para o futuro não estão na agenda da reeleição. O MF está mais preocupado com a exploração eleitoral baseada na disseminação da crença do almoço grátis. O MF é hoje a igreja dos devotos do almoço grátis.

    O MF não está preocupado com confiabilidade, mas sim com artigos de fé.

  2. Mansueto,

    Gostaria que voce comentasse mais a respeito dos desequilibrios externos da economia brasileira e o recente foco do governo em intensificar intervenção no cambio.

    Quando digo intensificar intervenção no cambio se observa claramente uma atuação mais forte por parte do Bacen após reunião do Copom em que parece que ele para o juros e para controlar inflação deve empurrar custe o que custar o câmbio para baixo (houve uma postura muito mais agressiva por parte do Bacen de rolagens dos vencimentos de Swap cambial) .

    Ainda quanto ao câmbio, também observou-se uma articulação forte por parte do governo e empresas estatais para fecharem captações que ultrapassam US$ 10 bilhões nas últimas semanas, com o claro intuito de aumentar a oferta de divisas quando da internação destes recursos.’

    No mais, parabéns pelo Blog e vamos torcer para que a conta desse intervencionismo brutal na economia e falta de respeito por parte do governo quanto ao mecanismo de preços não fique cada vez mais caro lá na frente.

  3. Mansueto, a apresentação do IPS – Indicadores do Progresso Social – amplia o debate a respeito da medição do Produto Interno Bruto – PIB.

    Afasta a discussão rasteira da mídia corporativa brasileira, e de boa parte dos economistas de perfil conservador.

    Creio que tema para discussão bem ampla, saindo desse papo de Pibinho do Brasil prá cá e prá lá…., etc…etc…

    Abaixo link que veicula a nova medição, ainda mais ampla que o IDH da ONU.

    http://dowbor.org/2014/04/ladislau-dowbor-indicadores-de-progresso-social-medindo-o-que-importa-abril-2014-6p.html/

    Abraço

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