O futuro da União Europeia: Qual o desafio?

Estou hoje embarcando para Bruxelas para uma interessante conferência (ESPAS conference 2014)  sobre os grandes desafios para União Europeia até 2030 (clique aqui para ver a programação)

Recebi o convite para participar como debatedor da Embaixada da União Europeia em Brasília e fiquei interessado no debate por pelos menos três motivos.

Primeiro, vários países europeus com seu modelo de capitalismo com menor desigualdade são modelos para vários outros países. É interessante ver como autoridades desses diversos países estão questionando o modelo de bem estar social.

Segundo, tenho curiosidade para ver de que forma o problema de endividamento está sendo pensado e de que forma os países da União Europeia pretendem lidar com o este problema.

Terceiro, acho muito interessante pensar desenvolvimento em um prazo mais longo. É esse tipo de exercício que falta aqui no Brasil. Estamos excessivamente presos ao debate de curto prazo.

O documento principal para esta conferência é publico. Todos os documentos que servirão de base para essa conferência podem ser acessados neste link: clique aqui. Em especial, sugiro que leiam o resumo dos principais pontos que serão abordados que é um sumário executivo de apenas 4 páginas (clique aqui). Reproduzo abaixo as dez perguntas apenas para estimular a leitura.

1. Will the rising competitiveness of certain new players on the global scene make it more difficult for Europe to sustain its social model(s) and welfare systems? Will future, potentially modest, growth in Europe be ‘jobless’?

 2. Can society adapt more quickly to technological change, so increasing productivity, without exacerbating social imbalances? How radical is the change in the digital economy, especially the rise of ‘big data’?

3. What new, unpredictable technologies and other developments – whether positive or disruptive– are likely to reshape the world economy in the coming decades?

4. What are the implications of rapidly rising average longevity in advanced economies – forecast up to 90 by 2050 – for our pension and social security systems?

5. What are the implications for public policy in Europe of a series of destabilising trends, notably growing inequality in the developed and developing world, migration, continued ethnic and religious conflict, water and energy scarcity, and climate change?

6. What are the implications of the likely continued rise of China, as well as of other regional and global players, with their vast resources, wealth and population numbers?

7. Can the current rules-based system in the UN and other multilateral organisations (including the WTO) be maintained and, if possible, enhanced? Could the Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP) be a real game changer?

8. Could there be wide-ranging social and political dissatisfaction facing democratic institutions? Will governance systems be able to respond effectively to the challenges ahead?

9. Can Europe develop security and defence policies – whether delivered through the EU or NATO, or both – to respond to shrinking defence budgets and likely threats? Is the EU sufficiently equipped to make a stronger contribution to solving crises and conflicts world-wide?

10. Can the EU develop an open and positive mindset about the future and its place in the world?

No caso do Brasil e América Latina, não deveríamos estar fazendo algo semelhante dado que ao longo da década atual não teremos as mesmas condições favoráveis que caracterizou a América Latina de 2000 a 2010?

Em especial, seria bom lembrar que aqui tentamos com mais de meio século de atraso conseguir o que a Europa conseguiu no pós-guerra: montar um estado de bem estar social distributivo e com um sistema bom de educação pública gratuito (ensino básico) e  um sistema de saúde pública que funciona.

Mas no caso da América Latina, como bem mostra a experiência da Argentina e Venezuela, ao invés de tentar tornar o Estado eficiente respeitando as restricões típicas de uma economia capitalista, alguns países querem redefinir as regras de mercado e controlar empresas e investimentos. O resultado é um desastre.

E no caso do Brasil temos o grande problema de debater muito pouco eficácia e custo das políticas e tentar resolver tudo por meio do aumento do gasto público. Mas essa forma de resolver nossos problemas por meio do aumento do gasto bate na necessidade de aumentar a  carga tributária, que atrapalha a competitividade de nosso indústria. Leiam a coluna do economista Samuel Pessoa neste domingo (clique aqui) que mostra muito bem os dilemas que teremos que resolver.

Infelizmente, no Brasil e na América Latina estamos muito preocupados em debater o que será 2015 quando na verdade deveríamos estar debatendo o que será este país e esta região daqui a 10 ou 20 anos.

E chega a ser “engraçado” quando vejo algumas pessoas da nossa elite intelectual falar em “modelo brasileiro de crescimento”. Qual é mesmo este modelo se não uma versão tupiniquim e deturpada do que a Europa fez no pós–guerra, um modelo que mesmo aqui (estou na Bélgica) está sendo posto em discussão. Precisamos pensar o Brasil.

 

 

 

8 pensamentos sobre “O futuro da União Europeia: Qual o desafio?

  1. Olá! Acompanho o seu blog há uns meses e o acho muito bom.
    Sua entrevista junto com o Gianetti (um dos intelectuais brasileiros que mais admiro) para o Globo News foi muito boa.
    Bem interessante os seus objetivos, principalmente o primeiro. Sou muito interessado nesse tema, pois quando se diz que a desigualdade está aumentando, a solução, ou ao menos mitigação, é o jeito escandinavo de ser. Se você voltar com algo mais concreto, seria muito interessante.

    Abraço!

    Blog Pensamentos Financeiros

    • Fico feliz que tenha assistido ao programa e gostado. Eu coloquei o link para todos os documentos da conferencia (que são públicos) e depois vou escrever algumas impressões que tive. Abs,

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