Desigualdade de renda no mundo – GloboNews

Nesta última terça-feira  (21 de janeiro) participei junto com o economista Eduardo Giannetti do programa “Entre Aspas” da jornalista Mônica Waldvogel (clique aqui para assistir ao programa). O debate no programa tratou do tema aumento da desigualdade de renda e distribuição de riqueza no mundo a partir de um relatório sobre o assunto publicado pela ONG Oxfam (clique aqui para acessar o relatório na integra) que será divulgado em Davos nesta semana.

Debate

Três rápidos comentários. Primeiro, o ponto positivo do texto da Oxfam é estimular o debate sobre o aumento da desigualdade e captura do Estado pela elite. É um debate importante dado que os contribuintes acabam em muitos casos pagando pelos excessos cometidos pelos atores privados nos tempos de bonança e por falhas de regulação do Estado, que cobra a conta das operações de socorro do sistema financeiro e não financeiros dos contribuintes.

Segundo, o relatório da Oxfam defende uma série de teses que estão longe de serem consensuais e a solução de vários dos problemas levantados no relatório passa por um debate político em cada país e da escolhas sociais de seus eleitores e não de uma sensibilização do “lado bom da elite” como o relatório passa a impressão. Há modelos diferentes de capitalismo e graus diferentes de proteção social que são escolhas sociais (com suas deficiências) de cada um dos países. O eleitor americano não pensa da mesma forma que o eleitor alemão e do eleitor japonês.

Terceiro, Eu e Giannetti alertamos exaustivamente no programa, há que separar desigualdade de renda, que não é necessariamente ruim, de desigualdade de oportunidades. É dever do Estado garantir acesso a educação e saúde de qualidade para todos os seus cidadãos, principalmente para os mais pobres. Quando o destino de uma criança depende da família que nasce e do seu local de nascimento alguma coisa está muito errada.

O relatório da Oxfam adverte sobre o crescimento “excessivo” da desigualdade de renda que pode levar a uma captura do Estado com reflexos negativos no esforço do Estado garantir igualdade de oportunidades. Mas a definição do que é “desigualdade de renda excessiva” está longe de ser trivial e muito do que o relatório propõe como solução é controverso.

Gostei muito do debate e esse é um tema interessante. Como o programa é ao vivo não dá para pensar muito e fiquei com a sensação que poderia ter sido mais didático e  ter abordado alguns pontos que esqueci de falar.

8 pensamentos sobre “Desigualdade de renda no mundo – GloboNews

  1. O debate foi excelente! Parabéns para Mansueto e Giannetti pelos esclarecimentos e também para a Mônica por fazer ótimas perguntas.

  2. Mansueto, óbvio que nossa saúde, educação, transporte, saneamento… são horríveis, mas “igualdade de oportunidades” é algo meio controverso, não?
    Se meu bisavô era muito pobre e trabalhou anos para acumular patrimônio, meu avô trabalhou anos para a vendinha do meu bisavô crescer e acumular mais patrimônio, meu pai trabalhou anos para o mercado do meu avô crescer e virar uma rede de supermercados e eu trabalhei anos para a rede de supermercados virar nacional, nada mais natural (e justo) do que meu filho ter mais oportunidades do que a média, não? O patrimônio, fruto do trabalho, foi acumulado por gerações.
    Que todos tivessem um mínimo de condições decentes (melhores do que as atuais) seria muito bom, mas oportunidades iguais é utopia. No máximo liberdade de oportunidades, ou seja, nada de impedir o acesso de alguém a uma educação aberta aos demais, mas garantir uma educação igual numa escola pública do interior do Maranhão e numa escola privada de SP (apenas para exagerar) é e sempre será impossível…

  3. Assusta o nível de desconhecimento da jornalista.
    Vai entrevistar duas pessoas, dois economistas, sobre um estudo que trata de desigualdade econômica, de distribuição de renda.
    E não sabe a diferença entre renda e patrimônio?
    E é uma das melhores jornalistas que temos!
    Será que alguma vez na vida olhou, e entendeu, a própria Declaração de Imposto de Renda?
    Certamente não.
    Nesse caso específico eu sei a diferença entre renda e patrimônio.
    Agora, por um instante, imagine só a quantidade de erros cometidos por nossos jornalistas em matérias que nós não temos conhecimento.
    Imagine a quantidade de bobagem que é escrita ou falada, e só serve para atrapalhar, desinformar e confundir o leitor.
    Começo a achar que é a maior parte.

  4. O relatório fala de desigualdade de riqueza, patrimônio:
    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/01/140120_riqueza_relatorio_oxfam_fn.shtml
    Posto isso, vamos as considerações. A desigualdade de riqueza é muito menor que a desigualdade da renda no mundo. Enquanto os 1% mais ricos possuem 13% da renda, eles possuem 46% da riqueza. E os 90% mais pobres possuem 60% da renda e apenas 13% da riqueza. Já os 50% mais pobres possuem 15% da renda mundial. Assim a manchete deveria ser: Os 3,5 bilhões de pessoas mais pobres possuem a mesma renda dos 70 milhões mais ricos, de 85 para 70 milhões existe uma diferença gritante. Fica a questão, é possível distribuir a riqueza, o patrimônio dos ricos entre os mais pobres? A grande maioria não, porque mais de 90% do patrimônio dos super ricos não está nos bens de consumo, como casas, carros e aviões e sim na estrutura produtiva das empresas. Se o governo resolvesse estatizar essas empresas, ou doá-las para as pessoas mais pobres, elas não iriam querer saber de maquinário e sim de vendê-lo obter bens como casa e carros, logo ou se destruiria a estrutura econômica da sociedade à custa da distribuição do patrimônio para os mais pobres, ou ficaria tudo como está. A única coisa que realmente pode ser distribuído é o lucro, só que a desigualdade de renda é infinitamente menor que a desigualdade de patrimônio, logo as idéias da ONG carecem de visão prática.

  5. Continuando:
    E mesmo a distribuição da riqueza, de patrimônio, apontada pela ONG esquece de fatores conjunturais. Se pegarmos uma pessoa jovem e uma velha com a mesma renda, quem provavelmente terá o maior patrimônio? A pessoa mais velha que acumulou riqueza durante a vida. Os países que possuem uma proporção de idosos são justamente os mais ricos como Estados Unidos, Japão e os países da Europa, enquanto os países pobres da África, Oriente Médio e Índia possuem uma maior proporção de jovens, logo gente que ainda acumulará riqueza durante a vida. Outra questão, agora na renda, é o avanço da carga tributária no mundo, garantindo saúde pública, educação pública e programas sociais para os mais pobres, sendo que essa renda indireta nem sempre é contabilizada. Nos EUA, por exemplo, a renda do food stamps, o bolsa-família de lá que paga 600 dólares mensais para uma família de 4 pessoas e que cobre 15% da população americana não entra na medição da renda domiciliar das famílias do Censo Bureau.

  6. Á ultima parte:
    Esses relatórios de distribuição da riqueza também não esclarecem se utilizam a paridade de poder de compra para medir o patrimônio, o que pode gerar ainda mais distorções. E grande parte do patrimônio dos mais ricos está nas empresas de bolsas de valores, que em geral possuem valores patrimoniais ( somando maquinários e bens imóveis) muito inferiores aos valores da cotação das empresas na bolsa de valores. Por sinal desde 1980, o número de empresas cotadas em bolsa de valores cresceu dramaticamente no mundo. Uma empresa que valia por exemplo 1 bilhão de dólares fora da bolsa e lucrava 300 milhões, ao entra na bolsa pode passar a valer 3 bilhões, mesmo lucrando os mesmos 300 milhões, porque a empresa passa a ter mais liquidez e confiabilidade. Por fim essa história que a maioria absoluta dos ganhos pós 2008 veio dos mais ricos, esconde que quem mais perdeu na crise de 2008 foram os próprios mais ricos, esse ganho pós 2008 foi apenas uma recuperação de perdas. O nível do Dow Jones voltou aos patamares de novembro de 2007 apenas em 2013!!! A prova do que estou falando:
    http://www.bolsapt.com/resumo/DIA/10-anos/

  7. Só corrigindo a primeira frase do primeiro comentário:
    A frase correta é :
    A desigualdade de riqueza é muito maior que a desigualdade da renda no mundo.

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