O nosso dilema: O Brasil deu certo?

Gostei muito do artigo do embaixador Rubens Ricupero na sua coluna de hoje no jornal Folha de São Paulo (clique aqui para ler o artigo: O Brasil deu certo?). O embaixador mostra de forma muito clara o nosso dilema:

“Nos anos de fastígio, o governo passou à sociedade a crença de que “o céu era o limite”. Tomou por prova de que o Brasil tinha dado certo para sempre o que não passava do efeito da maré que, ao subir, eleva todos os barcos. Elogiava-se o presidente porque, em seu governo, todos ganhavam e ninguém perdia…….Agora que a maré começou a baixar, não há espaço para que todos ganhem e os conflitos distributivos voltam a aparecer, constituindo um dos elementos dos recentes protestos”.

O nosso dilema é exatamente esse. Não há como, na próxima década, simplesmente fazer mais do mesmo. Aumentar todos os gastos sociais como fizemos desde 1999 e que foi possível porque a economia crescia mais rápida pelo efeito positivo de mais de uma década de reformas aliado ao boom de commodities. Daqui para frente teremos que fazer escolhas.

O comportamento do gasto público no Brasil nos últimos anos foi planejando de tal forma que se passou para a sociedade a sensação que poderíamos ter políticas distributivas muito ativas, recuperando nossas desigualdades de séculos em pouco mais de duas décadas, e ainda usufruir de um estado ativo na promoção de empresas e setores. Essa conta não fecha e só conseguimos viabilizar temporariamente esse modelo do “ganha-ganha” porque os gastos sociais tomaram conta da quase totalidade do orçamento e os estímulos setoriais passaram a ser financiados pelo crescimento da dívida bruta e empréstimos para bancos públicos.

Não há como ter um país que cresce como a China e tem politicas sociais na magnitude do Brasil, dado o nosso nível de renda per capita. As pessoas esquecem que o gasto público total (juros inclusive) no Brasil, em 2012, foi próximo a 40% do PIB, ante 25% do PIB da China de acordo como FMI. Adicionalmente, segundo as Nações Unidas, a China tem uma razão de dependência da (população idosa sobre população economicamente ativa) de 12,7%, ante 11.8% para o Brasil. No entanto, a China gasta com previdência 2.5% do PIB e Brasil 12% do PIB. Os brasileiros não querem ser a China.

Gasto Social no Brasil -2011/2012 – 23,5% do PIB

Gasto social PIB

Fonte: SIAFI, Banco Mundial, Balanço do Setor Público. Elaboração: Mansueto Almeida

Na verdade, apenas o chamado gasto social público do Brasil (23,5% do PIB) é praticamente equivalente ao gasto total do setor público da China (25% do PIB) – ver gráfico em pizza acima. Assim, não dá para falar em “Chisil”– uma mistura de China e Brasil. Isso é uma aberração teórica e não ajuda no debate. O debate foi colocado muito bem e de forma sucinta pelo embaixador Rubens Ricupero no seu artigo (novamente, leiam o artigo na edição da folha de hoje).

monstro-3dChisil: homem, mulher ou monstro? O bem ou o mal? Dragão ou cordeiro?

Fonte: FotosWiki.org

19 pensamentos sobre “O nosso dilema: O Brasil deu certo?

  1. Pois é, mas como já foi dito mais de uma vez neste blog, há uma escolha feita pela sociedade brasileira, escolha essa manifesta na Constituição e nos resultados das urnas a cada eleição. Mudar essa escolha vai ser um processo penoso. No pain, no gain. Vamos ter que piorar bastante antes de melhorar. Estou sendo pessimista demais? Deve ser o tempo chuvoso …

    • Eu não sei se você está pessimista ou não. É uma visão cautelosa e tendo a concordar com você. É possível que o custo político do ajuste seja (ou esteja) tão alto que só com uma piora da crise e o rebaixamento da divida soberana com a perda do grau de investimento nos levará a de fato fazer uma ajuste mais ortodoxo. Mas estou especulando pois não há como agente saber isso. Mas percebo que ninguém quer falar de ajuste.

  2. Estamos vivendo um processo importante e positivo de transformação sócio-econômica do e para o povo brasileiro. Vejo o Brasil dando certo, sim. Há de haver de fato uma moderação no consumo das famílias e no gasto público
    E o incremento no processo de concessões e partilha, enfim, focando mais o Investimento, como um passo rumo a essa “moderação” representa a contrapartida que anda defasada.

    A médio/longo prazo o incremento da oferta agregada reequilibrará a euforia causada pela rápida melhora do consumo pessoal, e das condições de vida das pessoa, em geral.

    As manifestações de junho último deram uma acelerada, “um empurrão” na classe política e nos executivos públicos, em geral.

    O impasse que se seguirá já está agendado: a população pleiteando mais e melhores serviços públicos VERSUS a restrição orçamentária. As concessões, e parcerias com o setor privado terão papel importante (vital) no funding desses investimentos.

    Por outro lado, dada a rigidez orçamentária, a conta de juros (5% do PIB), uns R$ 240 BI/ANO acabará cedendo espaço para inversões que beneficiem a maioria da população. E para que isso ocorra, será necessária a queda do nível de preços da economia, com a desindexação de diversos contratos com base legal, e expurgo de aumentos preços sazonais ( alimentos, basicamente). Assim como a expansão da oferta agregada, e com a queda da inflação, haverá espaço para queda dos juros primários.

    Dizem por aí que o otimista é, antes de tudo um mal informado. Ainda assim, mantenho meu cauteloso, porém, realista otimismo.

    • É um bom contra ponto a minha visão que é mais pessimista do que a sua. Acho mais provável, dado o debate político e a demanda das ruas, que tenhamos mais crescimento do gasto (% do PIB) o que exigirá novo aumento da carga tributária para não colocar em risco a trajetória de queda da divida bruta e líquida. A ver.

      Será preciso uma equipe econômica com muita convicção do que fazer para consertar as coisas. Essa que está ai não conseguirá porque acho impossível eles recuperarem a confiança dentro do próprio governo ou melhor, da República do Ipiranga (a sucursal do Planalto que o ex-presidente Lula montou no Ipiranga). E reformas no Brasil precisam de um esforço muito grande do Planalto para convencer a sociedade e o Congresso. Se fôssemos esperar a vontade popular, ainda hoje os estados estariam com seus bancos estaduais e a inflação a dois digitos.

      Vamos ver como isso tudo vai desenrolar. Mas eu sou mais pessimista que você. Abs,

    • Caro Hilário, tens a visão bastante em linha com o que vem sendo feito nos últimos anos. Retirar itens como alimentos para reduzir inflação e, por consequência, os juros, para, ipso facto, gastar mais e responder às demandas das ruas por gastos públicos? É esse o plano? O governo resolveu focar no investimento para atacar a oferta e daqui a pouco teremos um equilíbrio e vamos crescer, sei lá, 4%? Na briga pelas fatias do bolo, o investimento vai comer o pedaço de quem? O problema do Brasil é a restrição orçamentária? 40% do PIB é realmente pouco? Ah não, vamos comer o pedaço que cabe injustamente aos rentistas! A solução de um corte voluntarioso nos juros “tirando a melancia do índice” é típico de quem sofre de uma louca saudade dos anos 1980. Foi bom o corte de juros de juros em 2012, associado ao aumento dos gastos públicos? Viramos China? Ou então Coreia? Nem Peru? Será que faltou ousadia? BNDES está pequeno? Tens saudades do Banespa?
      A real transformação foi o ajuste na macro e na educação. Mas somente deixamos de ser uma completa vergonha quando nos comparamos com nosso pares. Porém parte do trabalho está realmente em risco com o milagre heterodoxo em curso pelo menos desde 2011.
      Ou aumentamos os impostos (imposto de renda pessoa física em especial) ou reduzimos gastos públicos. Outros caminhos seriam algumas pílulas de liberalismo pragmático ou bolivarianismo patético, mas acho que ambos estão fora do radar.
      Saludos

      • Nobre Maradona, saudades do Banespa ? Não !! Assim como não tenho saudades do “deficit bicicleta” ( em c/c ) do insano Gustavo Franco.
        Assim como os 45% de taxa Selic, do desemprego de 10%, 12 % da era FHC não são boas lembranças.
        Assim como do deficit orçamentário por volta de 10% a.a., como poderei ter saudades ??

        E a “quebra” da economia em finais de 1998 ? A ida ao FMI, de “pires na mão” ?

        Os dados macroeconômicos atuais melhoraram bastante. Fato inegável. E o seguro contra crises de insolvências de US$ 350 bi ?? Nada mal ??

        Enfim, não se trata de fazer comparações…até porque………. a população é soberana em suas opções.

        Os dados sócio-econômicos da gestão pós-PSDB são muito melhores. O PSDB cumpriu uma etapa importante na estabilização monetária (embora tenha deixado um pesado legado econômico-social). O Plano Brady, o novo SPB, a institucionalização do país, etc.. agências reguladoras….

        Sua cota de contribuição foi essa. Mas, agora, está esgotada sua participação no processo sócio-econômico.

        Enfim, o discurso institucionalista e fiscalista do PSDB está saturado. Podemos discutir caminhos a seguir, mas a população, como disse mais acima, está demandando mais e melhores serviços públicos, e aí entra o constrangimento orçamentário. Esse é o dilema. Não dá prá “escapar” desse debate.

        O próprio Aécio já vem reconhecendo que a sua participação na eleição nacional será complementar.

    • Tudo ao otimismo. Porém, realizar privatizações com o nome de concessões e delimitar a taxa de retorno dos contratantes interessados não dá margem para muito otimismo.
      Na realidade existe a paura meramente simbólica em chamar privatização de concessão.
      Depois, delimitando as taxas de retorno cria-se um perigoso chamariz para ocorrer, em breve, pedido de readequação financeira dos contratos, com pedido de socorro de recursos financeiros públicos. Portanto, ficarão, ou tenderão a, ficar elas por elas. Não podem dar certo.
      Ou seja, o Brasil não deu certo de 2003 a 2013, não só por isso. Mas, muito mais pela pouco ou nada benéfica fantasia mercadológica. Ainda hoje há quem receie criticar o “primeiro presidente torneiro mecânico”, ou “primeira mulher presidente”. Alguns chegam ao exagero de falar “a primeira mulher presidenta”. Assim não vai mesmo.
      Enquanto houver esses medos inventados por marketólogos, ficará esse deu certo não deu certo, sabendo-se que não deu certo.
      Como pode dar certo um País que gasta mais do que gera de riquezas?
      Ou que tenta falar que cresce distribuindo renda, porém, a pleno emprego, a produtividade do emprego é baixa? E ainda: não há mais mão-de-obra disponível para engrossar as estatísticas de contratações com carteiras assinadas.
      E para finalizar, as obras da Copa e da Olimpíadas estão a terminar. Para onde irá o pessoal empregado nessas obras depois de finalizadas?
      Bem, se a Seleção vence a Copa, açgum fôlego poderá advir. Senão…

  3. É um negócio complicado, colocar mais carga tributária num país já tão tributado. Combinando isso com a crise-2015 então, é quase que pedirdetonar um ciclo nada virtuoso de destruição das “conquistas recentes”.

    Me faz lembrar a situação da argentina em 97, q tava praticamente estabilizada, com inflação zero e renda em ascenção. Por não querer cortar um pouco do gasto público, em pouco tempo a dívida tinha dobrado e o país até hoje tá quebrado.

  4. O Brasil quer crescer como a China com um custo e politica social de Cuba.

    Uma ilusão de produtividade voltada ao clientelismo de algumas instituições, que não acordam que para produzir é preciso ter eficiência, quer dizer, a quantidade certa no tempo certo com o menor erro possível ?
    Não deu certo não, e não vai dar nunca !
    Enquanto não se acordar para os gravíssimos erros que se comete não vamos parar de viver sucessos flatulados.
    Sem panejamento de longo prazo, sem politica de industria nacional, sem politica de produtividade, sem permitir legalmente que exista um mínimo de meritocracia na cadeia produtiva, querem que de certo ?

    Piada, vamos continuar vendendo uma carreta e silício a US$ 1,00 e comprando um chip de 0,0001 grama por US$ 10,00 e achando ou melhor dizendo para que todo mundo ache, que isso é lindo. Estamos a décadas esperando uma politica de industria nacional de semicondutores, la fora estão usando até diamantes para isso e nós ? Nem válvulas fabricamos mais pois até isso foi destruído.

    Fazem trinta anos que espero por uma conversa séria, por uma politica que de ao Brasileiro alguma vantagem por criar, desenvolver e produzir aqui. Para se fornecer para a Petrobrás que deveria fazer, mas não faz, uma politica nacional, é preciso uma burrocracia gigantesca que só multi para atender. Você leu certo BURROCRACIA com 2 erres mesmo. Quero ver quantos “joão e silva” fornecem para a Petrobrás, em relação ás Zungerbunder Flauvien do Brasil S.A.

    Que renda per capita, o que!
    É vale isso, vale aquilo, vale aquele outro e salario que é bom nada. Agora só falta o vale sexo, que aliás os presidiários já tem a nossas custas, claro, na verdade ESMOLAS dadas aos infelizes filhos da ignorância fomentada por esta politica. Como querem salario alto com o custo de impostos sobre a mão de obra. Custa mais que o dobro do salário. Como querem gente treinada se não existe garantia de eficiência, se as empresas depois de ter gasto 100 vezes o salario do infeliz em treinamento, ele pode simplesmente abrir uma concorrente sua e a lei defende (ele). Cade as providencias em relação ao patrimônio intelectual das pessoas e EMPRESAS BRASILEIRAS ?

    Querem inovação, para que?
    Para entregar de mão beijada ao pessoal la de fora tudo o que criamos a nosso custo já que eles conseguem uma patente em 1/3 do tempo que sai aqui no Brasil e que de nada serve, porque não existe politica publica que defenda os direitos do Brasileiro que cria ?

    Eu lamento mas o Brasil não deu certo não, e esta longe de dar com essa papagaiada toda. Me respondam o que se fabrica aqui no Brasil, com tecnologia 100% nacional, com insumos 100% nacionais, a unica coisa que produzimos aqui com estas premissas é politico corrupto e indiferente com a realidade e interesses nacionais.

    Estes mesmos políticos não entendem os chamados das ruas, eu explico, falta de nacionalismo, simplesmente isso, dar a quem trabalha o direito que lhe é prometido, cumprir as promessas de tal forma que o primeiro beneficiado seja o Brasileiro e não as KFjstr & Fseortndj do Brasil S.A. Afinal são as “Zé e filhos ” que empregam 85% da mão de obra, e sustentam os abusos e descasos que temos que engolir.

    Certamente este texto não vai ser aprovado para edição, mais uma demonstração clara da ditadura que vivemos, será certamente excluído, será vitima de mais uma censura, afinal ……

    Quem tem o direito de reclamar e de dizer que não concorda com as coisas que estão acontecendo, onde já se viu falar mal dos benefícios que foram criados.

    Acho que você termina bem o texto, PIZZA !

    É como tudo acaba no Brasil, e o pior, esta chegando a hora em que nem para o recheio teremos direitos.

    Quanto a figura hedionda do pé de página, é só a expressão lúgubre da nossa tecnologia (nacional), da nossa escola e ensino, definhando aos pés de terceiros que mal falam nosso idioma.

    Quero ver a mágica que farão para reconstituir a nossa cadeia produtiva, com cursos rápidos tipo pão de queijo, quero ver atender as exigências que estão criando pois para se fornecer um prego é preciso de ISO 4000, 9000, 14000, 54000, 80000000000000 e assim vai, e quem vai segurar o martelo, porque não se põe pregos com o Palm, celular, Facebook, tablet, ou outra virtualha qualquer de faz de conta. É preciso segurar o martelo e saber bater, e sem machucar o dedo, a menos que queira virar presidente da Republica ( dos e não das BANANAS)

    Quero ver se existe alguma escola, algum sindicato, ou algum órgão publico que faça a mágica de realizar em 4 anos o que não se fez, aliás, desculpe, o que se destruiu em 30 anos.

    Eu deixo uma pergunta, será que o empreendedor brasileiro era mesmo o bandido que foi tachado todos estes anos, e se foi, porque insistem em empreendedorismo agora, querem mais bandidos, mais homens maus que sacrificam os coitados. Querem que alguém em sã consciência invista seu tempo, sua vida e seu dinheiro e sua tecnologia e cérebro para receber o que em troca, os “benefiços soceais” que temos recebido ?

    O pais congelou, as pessoas acordaram, ninguém quer se arriscar em uma realidade absurda, factóide de Alice no pais das maravilhas e depois ainda ser tachado de mau empreendedor, (termo da moda) , afinal, empresário pega mal.

    Ano que vem veremos as bolhas de sabão explodirem, vai ser um salve-se quem puder, e com todo respeito e admiração ao Sr. Ricupero é triste ser Brasileiro. Assistir de pé a bancarrota de um Pais lindo como o nosso, criativo como o nosso, ser vendido a interesses escusos, e saber que nos próximos anos muitos vão perder seus empregos, a casinha que financiaram a duras penas, o carrinho e a TV de Led, porque não vão conseguir pagar o CARNET ! Não vai ter emprego, o índice de falências esta nas nuvens, vai ter desemprego em massa.
    Quem vai pagar as contas disso, a industria que não existe mais, ou agora o vilão vai ser o setor de serviços que abusa do povo.

    Certamente não serão os Bancos, afinal, eles prestam um serviço exemplar a sociedade. São incapazes de causar qualquer mal estar e muito menos abusar do seu dinheiro, afinal o que são umas taxinhas, elas nem estão entrando no seu pé!

    Como diria meu avô falta caráter, berço, dignidade e pior de tudo coragem, bando de frouxos, fracos, vendidos. Pena que só prenderam alguns, se bem que não ia ter espaço para todos, e não ia mudar nada, continuaríamos a pagar para eles comerem, receberem 2 litros de leite por dia, carne 4 vezes por semana, na minha mesa não tem isso e eu TRABALHO 14 HORAS POR DIA !

    Talvez a bruxinha ao pé da pagina, dê algum suspiro ( ou flatule ) e tudo fique lindo, azul, e todos tenham muito dinheiro, saúde, segurança e felicidade, né?

    Feliz natal !

    Papai Noel (politico) vai trazer presentinho para todos.

  5. Mansueto, não sou economista porém como a boa parte do povo me preocupo e me interesso em entender o que se passa na economia do país. Gostaria da uma sugestão de leitura para poder entender e interpretar os dados publicados pelo Tesouro Nacional entre outros indicadores oficiais. Alias sugiro um post seu em cima desses dados oficiais.

    No mais concordo com os que dizem que melhoramos em alguns pontos, entretanto penso ainda nos parecemos muito com a antiga colônia que apenas exportava matéria prima. A minha percepção é que estamos a anos luz de fronteira tecnológica e não possuímos empresas que desenvolvem produtos com valor agregado. Parece que não existe mesmo uma política industrial que tenha como base a inovação. Enquanto isso pagamos os maiores preços do mundo para poder ter qualquer produto de tecnologia, seja um simples vídeo-game ou máquina fotográfica, Porque uma taxa de importação tão alta se não temos, nem nunca teremos, nada similar nacional ?

  6. Bem, apesar do governo de 2003 a 2013, alguma coisa poderá ser até considerada positiva, sim.
    A principal selas, são as eleições de 2014.
    Melhor otimismo do que este não deve haver.

  7. Não entendi a frase “os gastos sociais tomaram conta da quase totalidade do orçamento”, os números dados no post indicam gastos sociais da ordem de 60% do orçamento.

  8. Caro Hilario, o que apontas aitando o ano de 1998, não será nada comparado ao que será necessário fazer em 2015. Em 1998, foi debacle geral de países emergentes, no momento em que o Brasil estava passando por ajuste fortes na maneira de pensar a economia e as finanças públicas. O “pires na mão” não procede. Foi apenas um colchõa de DES ao FMI para garantir a continuidade dos ajustes estruturais. Tanto que o câmbio foi ajustado e em 2000 foi implementada a LRF e outras medidas de ajuste, sem a necessidade de utilização daquele colchão de DES ( moeda do FMI).
    Ou seja, o Plano Real não foi um plano de demarragem. Foi um processo de estabilização. E pelaprimeira vez, em anos, os cálculos econômicos puderam voltar a ser feitos. As negociações de dívidas de Municípios e Estados com a União, puderma ser equacionadas. Acabaram as AROs, quando ninguém sabia o quanto devia e muito menos o quanto não devia.
    Falar em “pires na mão” não passa de campanha fraudulenta contra um ajuste que deu certo.
    Agora, a partir de 2003, depois um início mais ou menos racional, a mandrakaria ganhou forças redobradas. Tanto que fala-se em inflação de 6,5%a.a, como estando dentro da meta. Oras, a meta, estabelecida para o BC é de 4,5%a.a. e não de 6,5% que é o pico superior do intervalo. Se isso for caso de regozijo, estaremos irremediavelmente perdidos.
    E ainda fala-se que PIB rodando a cerca de 1,0% pouco mais ou pouco menos, ao ano, estaria acima ou próximo do que teriam os EUA e outros países desenvolvidos. Oras, a comparação não pode ser com os EUA, que ainda é a a maior economia do mundo e não vai crescer mais a 6%a.a. A comparação tem de ser feita com países emergentes aqui mesmo próximos, como Chile, Colômbia, Argentina, Venezuela, Peru. Ou com a África do Sul e mesmo com a Índia e a Rússia. Não com a França, Alemanha e EUA, que já são potências estabelecidas.
    Aliás, a China, na medida em que for incorporando suas áreas populacionais ao sistema mais dinâmico da economia, tenderá a crescer crescer menos. Tanto que já está promovendo ajustes em certos preceitos, como o “segundo filho”, dado o envelhecimento da população etc.

  9. “Discurso fiscalista está saturado.” Boa piada! A aritmética também está saturada?
    O Aécio está fora do jogo da eleição de 2014? O problema é dele! Isso deve alegrar você e deve ser por aí que passa o seu otimismo cauteloso. Nem pensei na política, somente escrevi que sua idéia de “tirar o tomate do IPCA para reduzir os juros e poder ampliar gastos públicos” é pateticamente frágil.

  10. Caro Numida, 2015 ?? Está sugerido crise para 2015, comparada à de 1998 ?? Não creio. Projeção exagerada. Nada leva a indicar tamanha crise. A variável a exigir cautela será o timng do desmonte do QE americano.

    Quanto à variável fiscal, a própria Regina Nunes ( S&P), em seminário na Firjan, anteontem, minimizou o viés de baixa na nota de risco de crédito do Brasil.

    Como disse acima, a estabilização monetária teve alto custo sócio-econômico à economia brasileira.

    Não há fraude alguma, pois o ajuste monetário ( queda e estabilizaçãoo da inflação ) deu certo para este fim, somente. Mas o “preço” pago pela sociedade foi pesadíssimo. Mais acima, elenquei alguns dados, apenas.

    Como disse, esgotou-se o discurso, a proposta, enfim o ciclo do PSDB visando ao avanço da sociedade brasileira.

    Os investimentos em infra estrutura social e logística estão finalmente saindo, as concessões, partilha do pré-sal, etc.. e a médio prazo, o descompasso entre oferta e demanda agregadas estarão reequilibrados.

  11. Patética é sua alienação quanto à transformação pela qual vem passando a sociedade brasileira. Além de ofensivo e deseducado, diga-se de passagem.

    Para não perder meu tempo (com vc, não com os demais participantes ) vou pinçar o penúltimo parágrafo do post de 25.11.2013, às 8:48 pm :

    “Enfim, o discurso institucionalista e fiscalista do PSDB está saturado. Podemos discutir caminhos a seguir, mas a população, como disse mais acima, está demandando mais e melhores serviços públicos, e aí entra o constrangimento orçamentário. Esse é o dilema. Não dá prá “escapar” desse debate.”

    Finalizando: a economia, antes de tudo, é uma ciência social.

  12. Ciência social, escolhas do eleitor… Ok, o eleitor/sociedade escolheu uma dívida/PIB de 60%, uma inflação de 5,8%, déficit em conta corrente de 4% do PIB, 50% do crédito passando pelos bancos oficiais, a prisão dos mensaleiros? Sim, você diz. Não, eu respondo. A sociedade nem faz idéia desse temas, então as críticas aos temas devem ser feitas aos que efetivamente tomaram a decisão e não simplesmente dizendo que o povo escolheu. A responsabilidade da condução de uma enorme gama de coisas é dos eleitos. E o mesmo pode ser dito sobre STF, que é um fruto de uma escolha indireta da sociedade, mas mesmo assim pode ser criticado pelos efeitos de suas decisões. O governo recuou um pouco nas privatizações de infraestrutura. mudou o sinal das ruas ou perceberam que aquilo não daria certo?
    Enfim você fala que o fiscalismo está saturado por uma percepção, que deve ser correta, do “social”. Eu digo que esta percepção está errada economicamente e se os governantes tomarem decisões baseados nisso o dolar vai valer R$20 em poucos anos. E não vai ser bom para o povo. Aritmética e não ciência social é que me motiva a estar comprado em dólar, pessimista com o Brasil e descrente da transformação social do Brasil olhando para frente. Mas poderemos ver um governo que volte a olhar mais a aritmética e menos o que você olha, aí serei otimistas moderados de novo.

  13. Visões, entendimentos e percepções diferentes.
    Debate e democracia pressupõem a diversidade de pontos de vista.

    Eu, não aplicaria, a médio longo prazo no dólar:

    QE tende a ser prorrogado (Yellen no Fed),
    arbitragem de juros tende a ganhar volume(carry trade)….Selic a 10%, podendo até subir um pouco mais,
    IED bem consolidado,
    commodities alimentares(fator China tende a perdurar), e pré sal,
    reservas cambiais altas, manejo do instrumento do swap cambial BMF, venda de linhas com recompra, no interbancário m.e.
    além do próprio câmbio flutuante, por motivos óbvios.

    E muita gente comprada em dólar andou perdendo grana, recentemente.

    Mas é sempre bom apostar.

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