As 200 melhores universidades do mundo

Das 200 melhores universidades do mundo do ranking da “The Times Higher Education World University Rankings 2012-2013” (clique aqui), o Brasil aparece com uma única instituição: a Universidade de São Paulo (USP) na posição 158. No total, universidades de 24 países têm instituições nesta lista das 200 melhores universidades do mundo (ver tabela abaixo). Há três pontos que quero destacar.

ranking

Primeiro, dos países que têm apenas uma universidade na lista, Áustria, Brasil, Finlândia, Nova Zelândia, África do Sul e Taiwan, o Brasil só fica na frente de dois deles: Áustria e Nova Zelândia, dois países que juntos têm uma população de 12 milhões de habitantes. Como a USP está na posição 158, está á frente de várias outras universidades, mas essas universidades são de países que têm uma ou mais universidades em uma posição mais alta no ranking.

Segundo, nem vou falar das universidades americanas e inglesas, o número é impressionante. O Reino Unido tem pouco mais de 60 milhões de habitantes e 31 universidades entre as 200 melhores do mundo. Mas me impressionou ver que a China está bem posicionada neste ranking com duas universidades nas posições 46 (Peking University) e 52 (Tsinghua University). Impressiona muito Hong Kong também com quatro universidades na lista, duas das quais entre as 65 melhores do mundo.

Terceiro, o Brasil é o único país da América Latina com uma universidade no grupo das 200 melhores por este ranking da The Times Higher Education. Assim, em relação ao nosso grupo não estamos ruim. No entanto, se nos compararmos ao resto do mundo estamos sim em uma péssima posição para um país que  (e equivocadamente como a Índia) historicamente (não é esse governo!!! é o passado que nos persegue!!) apoiou preponderantemente o ensino superior.

Há um longo caminho para melhorar a educação no Brasil e melhorar o ensino superior. Sim, estamos avançando e todo mundo sabe que é preciso melhorar e educação. Mas confesso que vejo o debate muito mais concentrado no gasto e não na meritocracia. Todo mundo é a favor da meritocracia até que se vale na palavra “avaliação” e “pagamento diferenciado”.

A propósito, um amigo meu que é professor e uma das grandes cabeças do Brasil na área de inovação comentou comigo que foi a uma reunião interna na(o)……… para ver de que forma os centros de pós-graduação no Brasil poderiam incentivar mais a pesquisa voltada para mercado. O mais novo na sala tinha 60 anos de idade e era este meu amigo. O diagnóstico dele foi: vai tudo continuar como está e há um preconceito ainda grande das universidades se aproximarem do mercado. Espero que ele esteja errado.

Por que não cito a data e onde ocorreu a reunião? porque como foi em um órgão público, vão me encher o saco dizendo que eu estou criticando o órgão. Hoje no Brasil, se você quiser debater algo, logo lhe acusam de ser neoliberal, americanizado, preconceituoso, etc. Como eu sou Nordestino de família humilde, mulato e ainda tenho a língua presa, vou passar a levar esses insultos como sinal de discriminação. Acho até que vou me filiar a um partido de esquerda, o mais radical que houver, e pagar uma contribuição para poder debater sem ser xingado. Seria denominado um “neoliberal de esquerda”. Mas será que é preciso fazer isso em uma democracia? acho melhor nos preocuparmos com a meritocracia da nossa educação e com o novo Plano Nacional de Educação (PNE) que ainda não consigo entender como resolverá nossos problemas, talvez porque como disse um leitor desse blog, “eu não sou especialista em educação”.

 

 

22 pensamentos sobre “As 200 melhores universidades do mundo

  1. Mansueto, não ceda. Tenho empatia com a sua angústia e sei como é difícil ser criticado sem bases racionais e ofensivamente só por pensar “fora da caixa”. Eu como libertário (e discordo de vários de seus pontos de vista) leio todos os seus artigos porque acredito que você é um social-democrata muito ponderado e preza pela liberdade de expressão. Seu blog perderia muito se você pegasse leve nas críticas (e nem acho que você pegue em nada pesado…), mas esta é só minha opinião. Abraço

    • Muito obrigado Rafael. Foi uma boa dose de ânimo – adrenalina pura. O problema do brasil é justamente este. As pessoas não conseguem discutir. Se uma pessoa acha que a outra está errada é só mostrar a evidência contrária. Mas tens razão, tenho que aumentar e não diminuir o tom. Abs, Mansueto

  2. O problema do ensino superior no Brasil é o excesso de democracia.

    Há pouca coordenação dos projetos de pesquisa nacionais.
    Professor detesta sala de aula. O aluno que se vire.

    Mas o pior, e que acaba justificando um pouco a quantidade de boas instituições no mundo desenvolvido é o seguinte:

    O professor acaba dedicando seu tempo a prosseguir com a pesquisa de sua pós, normalmente feita nestes países do topo da lista, ajudando na pesquisa de seu orientador.
    Foi assim o meu mestrado, que incrementou o doutorado do meu orientador que incrementou a pesquisa de Carnegie Mellon.

    Para o Brasil? Neca de pitibiriba.

  3. Acho que um problema nesse ranking é que na França e Alemanha as pesquisas raramente são feitas em universidades, não tenho tanta certeza disso no caso da Alemanha que eu conheço menos e uso informação que outros me forneceram mas é o caso da França, em todo o caso ambos os países contribuem muito mais com pesquisa nas áreas que eu tenho algum conhecimento que os Países Baixos ou o Canadá.

    O fato mesmo é que o prestígio das grandes universidades americanas e algumas inglesas fazem delas centros naturais para as melhores mentes no mundo, elas atraem os melhores pesquisadores e com isso fica fácil atrair os melhores estudantes, isso vai ser bem difícil de superar pelas próximas décadas por mais dinheiro que os chineses queiram colocar nas suas universidades.

  4. Mansueto,

    Infelizmente deixamos o ranking das 200 melhores. A USP caiu cerca de 70 posições e já não figura mais nesse patamar e a Unicamp também despencou uma quantidade semelhante.

    Indo além do debate de metodologias dos rankings e quais os limites do mesmo, acho que você aponta no sentido correto em sua análise. Outros países menores e em situações econômicas semelhantes (e não estou falando de conjuntura aqui) apresentam desempenhos melhores quando olhamos indicadores.

    De minha parte, me parece que uma Universidade entre as 100 melhores do mundo tem um custo proibitivo. Preferiria ter 10~15 figurando, vamos supor, da posição 150 ~ 300 do que 1 entre as 100 e mais duas nas últimas posições. O problema é que não caminhamos nem para consolidar uma instituição de excelência nem para tornar o sistema mais robusto.

    No mais faço coro às palavras do Rafael. As críticas precisam avançar, subir de nível, nunca ceder às pressões corporativistas de alguns grupos.

  5. Caro Mansueto ,

    Faço coro ao Rafael .

    Como sociedade, INFELIZMENTE, estamos ainda em estágio primitivo de idéias e debates. Não se pode questionar? Por que ?
    Preferem usar os óculos cor de rosa?
    Nossas universidades formam profissionais para década de 60.
    Não somos contemporaneos aquilo que ocorre nos melhores centros.

  6. Você hoje estava inspirado. Além do excelente post sobre a educação, falou com propriedade sobre a situação da economia brasileira na CBN. Parabéns por sua atuação.

  7. Acabei de concluir em 2013 um mestrado sobre inteligência computacional aplicado ao mercado financeiro na Poli-USP (engenharia de controle), mediante emprego de algoritmos para reconhecimento de padrões nos mercados (o artigo será publicado na Sociedade Bras. de Inteligência Computacional). Me apoiei muito em Finanças Comportamentais nas escolhas dos inputs. Não tive nenhuma resistência da banca examinadora, mas veja, eram engenheiros como eu (e tenho 20 anos de experiência em mercados). Se fosse na FEA-USP eu não saberia afirmar se eu teria consigo encontrar um orientador. Antes de eu escolher a Poli para fazer o mestrado eu pensei na FGV e desisti porque soube que muitos professores lá não podem nem ouvir falar de Finanças Comportamentais (há exceções) e que acreditam piamente nos modelos que adotam a hipótese da racionalidade dos investidores (hipótese dos mercados eficientes).

  8. Mansueto,

    Não temos no Brasil nenhuma universidade de ponta. Como você comentou, deve-se à falta de meritocracia. Gastos maiores com a estrutura atual será muito pouco eficiente. Sindicatos são tomados pelo grupo dos medíocres, a quem só interessa salários rígidos, independente da produtividade. Um professor que pesquisa, orienta, publica e frequenta congressos – além de ensinar- ganha o mesmo que um professor que leciona 2 ou 3 disciplinas, e nada mais. Nos EUA, o primeiro tipo de professor ganha 2 ou até 3 vezes mais que o segundo tipo. No Brasil isto é impossível pela legislação rígida e oposição dos sindicatos. Bom, mas esta seria uma visão produtivista e neoliberal – maior palavrão do momento. Já notaram que sujeito ganha qualquer discussão, sem nenhuma informação ou bom argumento, com a simples acusação de neoliberal.

  9. Muito interessante as tuas colocações, concordo com tudo! Só não entendi porque não relacionaste as tuas colocações ao ranking mais recente (2013-2014) publicado esse ano ( http://www.timeshighereducation.co.uk/…/2007862.article).
    Eu moro na Nova Zelândia há quase 3 anos, trabalho e estudo na Lincoln University em Christchurch. Por algum tempo tentei estreitar relações da Lincoln com universidades brasileiras. Sempre disse pra eles aqui que o Brasil tinha muitas universidades e muitas possibilidades de intercâmbio. No entanto, notei muito claramente que desde que esse ranking (2013-2014) em que a USP ficou colocada FORA das 200 melhores do mundo (ela ficou na 242a posição) o interesse por parte da universidade daqui diminuiu muito. A única justificativa que ouvi foi que eles tem 8 universidades no pais todo e uma no ranking das 200 melhores (University of Auckland em 164), como o Brasil com mais de 2300 não tinha conseguido NENHUMA?! Eles perderam o interesse. Isso tudo é só pra ressaltar que a realidade é pior do que parece… E a USP está ainda pior do que descreveste… Ela está atrás de TODAS as outras que listaste: Áustria, Finlândia, Nova Zelândia, África do Sul e Taiwan! Triste mas é a realidade!

    • Sim , tens toda razão. Havia usado o ranking anterior porque não sabia que o de 2013-2014 já havia sido liberado e, como você mostrou e outros leitores, não temos agora nenhum universidade entre as 200 melhores do mundo Isso não quer dizer é claro que não haja bons pesquisadores e professores. Há muitos brilhantes por aqui. Mas, no geral, não nos destacamos.

      Recentemente estava conversando com um colega professor da Univ. de Manchester e ele me falava que de todos os seus estudantes de doutorado- algo como 15 – 90% deles estavam estudando um novo idioma para fazer tese: hindu, mandarim, etc. E nas férias de verão todos faziam pesquisas em países diferentes. Eu não vejo esse tipo de integração aqui.

      Mas não se desanime na sua luta para estreitar laços com o Brasil. Exatamente em qual área você está pensando? abs, Mansueto

    • Sim, Sandro, Tens toda razão. A coisa agora está pior. Havia utilizado o de 2012-2103 pensando que era o último e não havia percebido que já haviam liberado o de 2013-2014. Abs,

  10. Olá Mansueto,
    Eu sou formada em arquitetura e urbanismo e trabalho aqui na Nova Zelândia com paisagem urbana. A Lincoln University é uma universidade super especializada e o foco principal são as ciências da terra. A Escola de Paisagem é independente do curso de arquitetura e urbanismo e lida com questões bem mais amplas do que o desenho de praças, parques e jardins, como a gente estuda nos cursos de arquitetura no Brasil. Aqui o curso engloba questões ambientais e ecológicas, além da parte de desenho. Os projetos paisagísticos lidam com impactos e sustentabilidade ambientais, biodiversidade e planejamento de sistemas hidricos urbanos, mesmo quando são parques relativamente pequenos em bairros. Em seguida que cheguei aqui houve um terremoto muito forte e a cidade está sendo reconstruida, é um laboratório a céu aberto. Uma oportunidade raríssima numa profissão como urbanismo. Acho que existe muita oportunidade, principalmente de aprendizado, mas tenho notado que infelizmente o inglês ainda é uma barreira, Vou ao Brasil no próximo mês e tenho palestras e workshops agendados para janeiro, quem sabe não sai algo interessante daí?!
    Abraço, Silvia

Os comentários estão desativados.