Internacionalização

No Brasil se debate muito a maior integração comercial com o resto do mundo. Mas além dessa integração comercial precisamos avançar na integração de nossas universidades com o resto do mundo. A academia brasileira é muito fechada e não ha a presença relevante de professores de outros países. O IMPA, o centro de excelência no ensino de matemática no Brasil, 1/3 dos seus professores não são brasileiros. O ITA tinha uma proporção ainda maior no passado. 

Um outro problema que vejo é que nossos estudantes de pós-graduação fazem muito pouco estudos comparativos. Nos EUA e Inglaterra os estudantes vão morar em outros países para fazer estudos comparativos e escrever suas teses. Isso não é comum no Brasil. A academia brasileira tem que sair do seu casulo. Falo sobre isso neste video, o meu segundo neste blog.

19 pensamentos sobre “Internacionalização

  1. Mansueto ainda por cima ha um incentivo de internalização da produção com a exigencia de indices de nacionalização elevados. Vejamos o nosso marco regulatorio do pré-sal que possui cláusula de conteúdo local . O consorcio vencedor deverá utilizar parte do equipamento utilizado na exploração do pré-sal oriundo da industria nacional. Essa exigencia poderá diminuir o ritmo de exploração e produção de petroleo nessa regiao do pré-sal.

  2. Caro Mansueto, concordo com você sobre no que tange a não termos na academia brasileira pesquisadores e alunos estrangeiros especialmente em razão da nossa academia ser monoglota. No entanto discordo da sua afirmação de que não temos alunos indo para o exterior e sobre a inexistência de debates aqui sobre isso. De fato, entre os anos 70 e 80 uma parcela razoável de brasileiros que tinham nível superior e queriam fazer pós graduação fez sua formação no exterior (inclusive técnicos do IPEA e da Embrapa, essa última muito mais). Em geral faziam estudos olhando o que acontecia em seus países de destinos e comparavam com o que acontecia no nosso. A partir dos anos 90 no entanto, por uma decisão equivocada dos dirigentes das Agências de Fomento apoiados por alguns representantes da comunidade acadêmica local e por dificuldades financeiras do país, houve uma significava redução na concessão das bolsas de doutorado pleno no exterior e um aumento das chamadas bolsas sanduíches, aquelas em que o aluno fica cerca de 12 meses no exterior. No entanto, segundo especialistas, essa modalidade pouco contribuiu para fortalecer a internacionalização da ciência dado que além de um tempo curto de estadia fora, os bolsistas não são academicamente maduros para estabelecer links profissionais mais robustos. De fato nesse período, reduzimos nossa internacionalização e os indicadores tradicionais apontam isso.
    Finalmente, tbm não concordo que esse tema não tem sido objeto de debates no Brasil. O lançamento do programa Ciência sem Fronteiras é a melhor prova de que a questão está na agenda política e seu lançamento despertou um excelente ambiente de debates sobre a necessidade de acelerarmos nossa internacionalização acadêmica.

    • Silvia, você tem toda razão quando aponta como positivo o Ciência sem Fronteiras. Concordo com você, mas ainda vejo na nossa academia muito pouco dessa integração que falei que não se refere apenas a mandar estudantes para fora. Nisso acho até que temos avançado.

      Mas em recrutar professores de fora para vir ensinar ao Brasil, algo que a China está fazendo com um certo sucesso, não fazemos isso. Vamos lá, Quantos professores de fora há nos departamento de economia da PUC-RJ, FGV Rio e São Paulo? e nos cursos de engenharia?

      Quando visito departamentos de pós-graduação nos EUA e Reino Unido fica impressionado com a quantidade de professores de outros países e, nos EUA, os centros de pesquisa estão lotados de Chineses, Indianos, Europeus e Latino Americanos. Eu não vejo isso no Brasil. O IPEA tem 300 pesquisadores – nenhum foi recrutado lá fora.

      No caso das teses, em muitos programas os alunos desde o primeiro semestre aprendem hindu, mandarim, espanhol, etc. para se prepararem para pesquisas de campo. Não vejo isso no Brasil.

      Outro ponto. Lá fora as chamadas de pesquisa como as recentes do ESRC sobre as economias dos BRICs envolve grupos de pesquisadores de vários países. Eu participo de dois projetos diferentes. Aqui não vejo isso e os diretores do BID já me falaram que os brasileiros não aplicam para as chamadas de pesquisa que o banco faz.

      É verdade que pessoas no governo como você têm feito um grande esforço para promover esse debate e estão de parabéns. Mas ainda sinto uma resistência muito grande de nossa academia. Grande abraço, Mansueto

  3. Isso não é uniforme entre as áreas de conhecimento. Fiz engenharia e muitos professores que tive eram estrangeiros (entre eles, romena, chileno, italiano, americano, suíço, etc). No departamento de Física, a língua “oficial” da pós graduação era espanhol, de tantos alunos estrangeiros.

    • Qual era a universidade? Confesso que isso é uma surpresa para mim. Qual foi o departamento e em qual universidade? Tenho certeza que na área de humanas isso não ocorre.

      Esses professores de fora moram aqui no Brasil e estão como titulares na universidade que você estudou? Há quanto tempo estão aqui?

  4. Caro Mansueto
    Seus comentários são sempre alinhados com o que existe de mais contemporâneo.
    De fato , onde faço meu doutorado – em uma importante universidade brasileira – estamos longe de uma integração com outros locais de excelência mundiais.
    Apenas para lembrar que em ciência – que e minha área – não existe campeonato nacional apenas mundial.

  5. Mansueto,

    O problema é que v. fala as coisas de orelhada… ouviu falar. V. não é especialista em educação. Ilustre o seu argumento com evidencia empíricas, números. O CNPQ e a CAPES, e agora o ciência sem fronteiras constituem importantes fontes de financeiamento e suporte ao estudantes que desejam estudar no exterior. O crescimento de alunos no exterior é significativo. Ademais, são muitos os professores brasileiros que são formados em escolas de ponta no exterior, que fizerem doutorado nos Estados Unidos, na Inglaterra, etc.. Pode melhorar? Claro! Agora, o que tem a ver a balança comercial com a internacionalização da pesquisa no Brasil? A propósito, v. deveria terminar o seu doutorado…. ou em uma Universidade americana ou no Brasil.

    • Me mostre a evidência empírica. Não estou criticando o ciência sem fronteira e nem tão pouco o governo. Estou mostrando o que vejo vis-a-vis o que vejo lá fora. Desculpe se o deixei irritado.

      Quantos indianos existem dando aulas em universidades brasileiras? E americanos aqui? E peruanos e Argentinos?

      Me indique 2 ou 3 departamentos em universidades no Brasil que como o IMPA tenham pelo menos 30% de seus professores formado por estrangeiros? Vamos lá quero ver a evidência empírica

      Quanto ao fato de eu terminar o doutorado, obrigado pelo conselho. Vou me esforçar para me tornar um bom economista e passar a acreditar nas projeções oficiais. Abs,

  6. Mansueto,
    Uma boa sugestão para aumentar a internacionalização da pesquisa no Brasil seria v. se dedicar menos ao blog e mais a pesquisa de ponta. Afinal, v. eh pesquisador do IPEA e, nunca vi um artigo seu publicado em revista internacional (nem no Brasil). Ou continue com os seus comentários sobre fiscal, que pelo menos eh uma área que v. conhece mais…
    Em relação ao quadro de professores com Phd no exterior, vou me ater a economia. Apenas para ilustrar: USP, FGV, UnB, UFRJ, UFMG, PUC-RJ. Além disso, se v investigar melhor, verá que quase todos os alunos desses centros que desejam fazer sw no exterior conseguem.

    • Obrigado pela sugestão. Mas estou participando já de três pesquisas internacionais com Univ de Manchester e MIT e estou trazendo os pesquisadores dessa pesquisa que estou envolvido para o Brasil em Março e Abril. E tens razão prefiro publicar em livros e não periódicos. Fiz um post das listas de minhas publicações neste blog.

      Não se trata de TER PhD no exterior, mas de estrangeiros que moram e ensinam no Brasil. Pelo amor de Deus, onde você fez o seu doutorado? quais pesquisas comparativas com professores de fora você participa? vamos lá, me cite uma apenas? VOU REFAZER A PERGUNTA: quais departamentos no Brasil têm pelo menos 1/3 do seu corpo docente formado por estrangeiros como é o IMPA? por favor, cite um apenas para eu mudar de opinião. Vamos lá, me mostre a evidência?

      Por fim, será que você consegue discutir sem agredir? se conseguir podemos até organizar um debate no IPEA ou em outro local. Caso contrário, você vai continuar me xingando e quanto a isso não posso fazer absolutamente nada, pois você está no seu direito de me xingar.

  7. Mansueto, desculpe. Não estou te xingando. Só acho q este seu argumento não é relevante: número de estrangeiros em cada departamento. Até porque, imagino que v. esteja falando de estrangeiros americanos, ingleses, alemães, indianos, chineses, japoneses. Desses, somente nos países de lingua inglesa deve ter esse percentual de internacionalização sugerido por v. Dito isto, penso que a qualidade da pesquisa sim é relevante, e não a nacionalidade do pesquisador. Dessa discussão que v. colocou a única que vale a pena avançar é sobre o ensino da pós em inglês.

    • Sem problemas. Bom que começamos a convergir em algo: o ensino da pós em inglês. Poderia ser algo gradual e por meio de projetos pilotos para ver o real benefício. Abs,

    • Pode ser que eu tenha entendido tudo errado, mas acho que o ponto que o Mansueto está ressaltando não é a qualidade da pesquisa e sim o que se está pesquisando. É fato que a pesquisa em economia no Brasil é muito voltada pra dentro do país. É muito raro ver algum paper que faça comparação das experiências brasileiras com as de outros países. Neste sentido, ter professores estrangeiros que conhecem a realidade, a cultura de outras regiões pode abrir muito a cabeça de quem entra numa pós. E é muito diferente a experiência de alguém que viveu por muito tempo fora da de alguém que foi estudar por alguns poucos anos.

  8. Tiago e Mansueto, isso não é verdade para todas as áreas. A Fundação Carlos Chagas só pesquisa os problemas brasileiros? E as pesquisas da USP em AIDS e celulas tronco? Ou em engenharia genética? A Embrapa e as Universidades que pesquisam no agro e florestal só pesquisam assuntos exclusivos do Brasil? Em economia é mais do que óbvio que a pesquisa seja concentrada nos problemas domésticos. Assim como na Sociologia. O problema é que vocês confundem internacionalizar a pesquisa com estrangeirizar os institutos de pesquisa (que é uma barbaridade!). Ou seria o estrangeiro (indivíduo) melhor do que o brasileiro. Talvez conhecer mais a pesquisa brasileira (sem ser em economia) também ajudaria… ao menos o leitor não seria (des) informado com esses comentários…

    • EMBRAPA fez um grade negócio ao se associar com a Monsanto e Bayer para continuar inovando. Se quiseres te passo os contatos para você pesquisar trouxe uma italiana para estudar a Embrapa há dois anos.

      No caso da economia focar em problemas domésticos isso NÃO é natural e agora vejo que você não ê economista. A economia do Brasil não é diferente do resto do mundo. Justamente por sermos tão fechados que as pessoas pensam assim e vários economistas com doutorado e fracos acham que há um fantástico modelo brasileiro.

      Por fim. chamar recrutamento de professores de fora de externalização é para mim PROTECIONISMO. Por isso vamos continuar dependendo da China para crescer. Ou seja, o IMPA é um péssimo instituto de ensino superior porque tem 30% dos seus professores de fora. Acorda amigo estamos no séc. XXI.

      Sinto muito, não vamos chegar a consenso algum. Temos visões diferentes e nenhum leitor deve formar opinião lendo apenas este blog. Isto seria errado. De qualquer forma, você tem a sua opniao e eu a minha. Deve ter várias pessoas que pensam como você e várias outras que pensam como eu. Não tenho problema com isso.

      A propósito, Simon Schartzman acabou de me mandar um texto interessante e bem crítico sobre ensino superior no Brasil. Será que ele entende de educação?

  9. Mansueto, de onde v. tirou “externalização”? Outra coisa: “No caso da economia focar em problemas domésticos isso NÃO é natural”, ora não é natural não? Deveriamos focar nos problemas da venezuela? De cuba? Que a teoria econômica é universal isso ninguém duvida. Da mesma forma, matemática aqui ou no japão é a mesma coisa. “o IMPA é um péssimo instituto de ensino superior porque tem 30% dos seus professores de fora”. Esta doido? Professores estrangeiros não são sinônimo de qualidade, assim como também professor nacional não é sinônomo de excelência. Precisamos atrair bons professores e pesquisadores. Podem até vir de Marte!!!

    • Você falou “estrangeirizar” eu equivocadamente repliquei “externalização”. A questão companheiro é mérito. Me manda algum trabalho acadêmico seu para eu ler. Qual a universidade que você ensina? em qual departamento?

      Devemos entender o Brasil olhando o resto do mundo e fazendo estudos comparativos e isso vale para economia e sociologia. Uma divida bruta de 60% do PIB é alta ou baixa? uma taxa de investimento de 18% do PIB é alta ou baixa? em relação ao que? o Brasil conseguir internacionalizar suas empresas com apoio do setor público, como JBS/Friboi, é necessariamente bom? por que e para quem?

      Novamente, estudos comparativos são essenciais. Quer um desafio. Me indique um bom livro sobre América Latina escrito por um acadêmico brasileiro nos últimos cinco anos? quero apenas um. vamos lá. me indique por favor? POR FAVOR!!!!

      Estrangeiro não é melhor nem pior do que brasileiro. Mas aqui ainda é difícil aceitar meritocracia e recrutar professores lá de fora – leia a entrevista do diretor do IMPA. Quando se fecha o mercado, não dá nem para saber quanto somos piores ou melhores porque aqui concorremos apenas com nós mesmos. Me envia sua produção acadêmica que estou curioso para ler se for da área de ciências humanas. Se for física não tenho como ler. Abs,

  10. Discussão acalorada…valeu por levantar a questão da inserção internacional da academia, mas não se trata só de academia e sim de serviços como um todo…eu sou a favor da internacionalização em geral…mas a língua portuguesa é nossa língua mãe…já é uma barreira natural…

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