A Reportagem da Carta Capital sobre o IPEA -2

Aqui vai o link  (clique aqui) que me mandaram da matéria da revista Carta Capital sobre o IPEA. Duas coisas que esqueci de comentar. Primeiro, eu ser comparado a Fábio Giambiagi é um elogio – bom para mim e ruim para o Fábio, que é um economista experiente, workaholic e um grande economista.

Segundo, eu tive cargos mais altos de direção na gestão do Glauco Arbix no IPEA , atual presidente da FINEP, e do próprio Márcio Pochmann. Vou pedir um esclarecimento sobre isso ao departamento de recursos humanos da instituição. E na gestão Pochmann fui encarregado de coordenar dois livros. Eu nunca tive problema com meus amigos do PT até porque uma ala do próprio PT não gostava do rumo que estava tomando o IPEA.  

Leiam a entrevista da Carta Capital no link acima. O tom é o seguinte: se você for contra a gestão do Marcio Pochmann, você é um liberal que quer vender o Brasil! A propósito, sempre que posso e sou convidado,  participo sim das reuniões na Casa das Garças. É um excelente ambiente de discussão. Por fim, nunca almocei ou jantei com banqueiro. Faço isso com analistas de bancos, muitos deles amigos meus da USP. Banqueiros só almoçam com pessoas da alta hierarquia do partido do governo que têm poder de decisão. Não é o meu caso. Eles, em geral, gostam de almoçar mais com ex-presidente Lula. Um momento! o ex-presidente Lula é liberal?

18 pensamentos sobre “A Reportagem da Carta Capital sobre o IPEA -2

  1. Típico da esquerda: Alguém apresenta uma análise técnica e eles te respondem que você é liberal como se isso acabasse com a conversa.

    • Exatamente, Felipe! Ouvi em algum lugar dizendo que é como jogar xadrez com um pombo: vai bater as asas no tabuleiro, bagunçar as peças, cagá-lo todo e ir embora voando cantando vitória.

    • Recentemente eu estava discutindo economia/história com um professor da UFF e mencionei que Getulio Vargas foi um ditador. Ele me respondeu “o que você acha da Rede Globo? É a favor ou não da democracia”. Um outro, professor da Unicamp, não aprovou meu comentário em seu blog e mudou as regras da caixa de discussão em nome da civilidade. Deve ser porque eu mencionei que o mais surpreendente sobre a lei de reserva de informática foi que nenhum de seus proponentes teve dignidade, abandonou a profissão e foi vender sanduíche natural na praia.

    • Liberal, conservador, de direita, de esquerda, a favor do grande capital, contra o grande capital, a favor do Obama, contra o Obama, a favor do “tripé macroeconômico”, contra o “tripé macroeconômico…e por ai vai. Não há coisa sobre a qual ele não e/ou a favor ou e/ou contra, mesmo que sejam as mesmas coisas. Caso perguntem a ele se apóia as ações do prefeito de São Paulo, de estimular o transporte coletivo e adotar medidas de restrições ao uso do carro individual, ele, com certeza, dirá ser a favor, embora o ex-presidente, sido o grande estimulador e dado subsídios e liquidez, para o consumo do carro. Poderá dizer até que ele, diante de tal pergunta, dizer que será o primeiro a ir para casa, em Santo André, de ônibus, trem ou a pé.
      Em suma, além de ser uma perda de tempo, é um método.
      E esta é uma faceta do partido do governo e acólitos.

  2. Excelente resposta Mansueto. Estou divulgando sua resposta para os meus amigos petistas.
    A propósito, qual e um email que falo com você? Falei com o Cruz, mas ele não sabia.
    Abs, Jean Moreira (BB)

  3. a reportagem é obra obviamente encomendada por gente de dentro. O parágrafo que lhe diz respeito é sob medida para lhe diminuir profissionalmente. Note o morde e assopra em cima do Neri. Acho que você se engana em tentar debater racionalmente com essa gente. O que funciona contra eles é um processo por calúnia e difamação ou, no mínimo, pedir na justiça direito de resposta nesse panfleto.

    O mais divertido é que essa gente é tão burra que terminar por confirmar quem de fato é Marcio Pochmann e o que foi a gestão dele. E ao mesmo tempo parece que o desespero está batendo neles, pois, o que está sendo dito está ressoando dentro e fora do país.

    • Já falei que nem sei como me definir. Em algumas questões sou liberal em outras não. Tentar saber o que a pessoa pensa por causa de um rótulo é um loucura. Por exemplo, Krugman seria um liberal? Não. Mas ele é contra política industrial! E agora, o que seria Krugman? Um keneysiano mas contra política industrial.

      Que tal Dani Rodrik, defende política industrial mas fala que o Brasil tem um problema de baixa poupança que limita o crecimento. O que seria Dani Rodrik e Ricardo Hausmann que vai na mesma linha?

  4. Engraçado é que do jeito que eles falam parece até que liberal é uma ofensa.

    Pode comemorar, Mansueto. Ser criticado pela Carta Capital é motivo de orgulho. Significa que suas opiniões estão sendo consideradas…

  5. Eu tresli a matéria da revista pelega do Carta e achei um horror. É engraçado como a esquerda dinossáurica quer transformar a alcunha de liberal em xingamento. Esse tese de modelo desenvolvimentista é simplesmente um apiada. A tese de que FHC foi neoliberal é ainda mais engraçada. FHC é que estava certo: esses petralhas são uns neobobos!

  6. Mas afinal, houve ou não expurgo e aparelhamento na época do Pochmann? Ou não passou de uma transição de gestão como outras na história do IPEA?

    • Essa é a questão. Na verdade houve sim um direcionamento da pesquisa para linhas heterodoxas e um boicote a viagens de servidores que pensavam diferente da equipe do Márcio Pochmann.

      No meu caso, eu não tinha verba para viajar, mas quem me convidava apara seminários e palestras pagava minhas passagens e, muitas vezes, eu tirava férias. Mas repito que esses problemas ocorreram entre o final da primeira gestão do Márcio Pochmann no IPEA e ao longo da segunda – na transição do governo Lula para o governo Dilma.

      No mais, há uma briga de um grupo pequeno, “as viúvas do Pochmann” que acreditavam que o IPEA deveria promover um pensamento mais radical de esquerda. Um grupo que não representa o pensamento majoritário do PT.
      As outras transições da era Lula não foram tão complicadas como essa porque Glauco Arbix e Luiz Henrique Proença conseguiram administrar a instituição sem muitos conflitos.

      Mas na gestão Pochmann houve várias cartas e manifestações dos funcionários pedindo um maior diálogo com a direção. Vamos torcer para que as coisas melhorem.

  7. De longe, o melhor comentário vem de um anônimo do blog Selva Brasilis:

    Diria que a reportagem do referido pasquim se equivoca… onde está escrito “os diretores ligados ao Pochman foram substituídos por técnicos com pensamento liberal”, poderia simplesmente ter dito”os diretores ligados ao Pochman foram substituídos por técnicos com pensamento”

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