Qual foi exatamente o “sucesso” do leilão de Libra?

A minha impressão sobre o leilão do campo de Libra é que sem dúvida foi um sucesso. Mas esse “sucesso” precisa ser devidamente qualificado para que não se passe a impressão que nada mais precisa ser feito em relação a essa confusa nova legislação para investimento no Pré-Sal que todos levantam dúvidas de o seu real benefício para a população.

Primeiro, não entendi por que uma reserva tão grande foi leiloada de uma só vez. Não li comentários sobre isso, mas sempre achei esquisito leiloar de uma só vez uma reserva equivalente a metade das reservas descobertas no Brasil. Pergunto, não seria melhor ter dividido o campo de Libra e ter feito três ou quatro leilões? O ganho para o governo não teria sido maior e o risco do investimento menor ao invés de um único mega leilão?

Segundo, foi a primeira vez que li que o governo estava torcendo para que não houvesse concorrência neste primeiro leilão sob o regime de partilha, segundo relatório que circulou ontem de manhã antes do leilão assinado pela Eurasia. De acordo com o relatório, o governo tinha medo que uma forte concorrência levasse a um dos consórcios a entregar para o governo um percentual muito acima da partilha mínima de 41,65% da produção, principalmente no consórcio com a participação das companhias estatais chinesas, e isso reduzisse a rentabilidade do projeto para a Petrobras. Como fala o relatório da Eurasia:

“…..Petrobras has always feared a scenario in which Chinese NOCs, eager to obtain access to oil reserves, bid aggressively in the very promising Libra field. While the government would gain from obtaining a higher share of profit oil, it is cognizant that if Petrobras is forced to accept a very high share of profit oil (say, over 55%), it would come under undue financial strain-making it difficult to continue funding itself. It would also create perverse incentives for the company to focus more effort and capital on reserves that grant a higher rate of return.”

“……While government officials will never admit to it publically, the less competition the better, for it will give greater assurances to the Chinese that they need not bid aggressively to guarantee the right to develop Libra.”( BRAZIL/OIL: The first and last pre-salt auction under existing rules- 21 October 2013 08:49 AM EDT Eurasia group).

Ou seja, uma das vantagens do modelo de partilha é justamente a possibilidade de uma maior concorrência aumentar o parcela do governo na exploração, algo que o governo parecia torcer para não ocorrer no leilão de Libra, já que ele, governo, se preocupava com a rentabilidade do projeto para a Petrobras, segundo relatório da Eurasia.

Terceiro, quem tem acesso a cozinha do planalto jura que é quase consensual dentro do governo que a exigência de a Petrobras ser operadora de todos os campos de petróleo do Pré Sal com uma participação mínima de 30% foi um erro e será modificado após as eleições. Assim, é estranho que pessoas do governo estejam defendendo com tanta convicção que o modelo foi um “sucesso absoluto” e que não será preciso mudança alguma. Sei de pelo menos uma pessoa muito próxima a Presidente da República que pensa o contrário. O próprio relatório da Eurasia citado acima aposta também que haverá mudanças de regime de partilha:

“But with Libra in Petrobras’s hands, the company will have its hands full. Debate in government will thus turn more meaningfully to whether the rules should change to allow a quicker development of the pre-salt. We don’t have a strong view on whether Rousseff will opt to announce a change in the pre-salt strategy before next year’s election, but we still think that on balance a signaling in this direction will occur by early of next year.”

Em resumo, o leilão de Libra foi um “sucesso” porque todo mundo estava de fato com MUITO medo que os chineses pagassem muito ao governo pelo direito de explorar o campo de Libra e, como a Petrobras seria necessariamente sócia do consorcio vencedor, isso pesaria sobre a rentabilidade da exploração de Libra para o Consórcio vencedor e, logo, para a Petrobras.

Não deixa de ser esquisito, no entanto, que o governo estivesse torcendo contra ele próprio em um leilão no qual estava em jogo metade das reservas do Brasil. Isso se deve ao papel duplo do governo de ser ao  ao mesmo tempo o dono das reservas e tem participação majoritária em uma empresa que participava do leilão, e que sofre com o excesso de intervenção do governo na sua política de investimento e no congelamento dos preços dos combustíveis. Adicionalmente, a forte presença de estatais chinesas “tumultuou” o processo,  um risco que seria menor se o campo de Libra tivesse sido dividido e a concessão sob o novo regime tivesse ocorrido por meio de vários e leilões.

 

14 pensamentos sobre “Qual foi exatamente o “sucesso” do leilão de Libra?

  1. Mansueto, o que eu li a respeito do primeiro ponto é que a divisão em várias áreas poderia aumentar ainda mais a complexidade das regras e afastar investidores, isso porque as áreas seriam adjacentes. Por exemplo, no caso de um vazamento de óleo ou em algumas outras circunstâncias que não me recordo.

    • Ora, mas o Governo, o Congresso, as Agências Reguladoras, estão ai exatamente para equacionar problemas e não para fugir deles.
      Difícil entender esse entendimento.
      Se a função real destes entes citados for complicar ao invés de simplificar, tergiversar ao invés de esclaecer, não há razão alguma para sua existência.
      E se se afastaram por medo disso ou daquilo, o que farão em face de ocorrer uma real ameaça, algum tipo de externalidade negativa?

  2. Falar em leilão, até semanticamente, é uma impropriedade. O que houve foi uma entrega, pelo estrito mínimo das regras estabelecidas. Digamos, um negócio arranjado. Então, não houve leilão, e não houve concorrência.
    Mas quem disse que vai chover todo aquele dinheiro? E se o barril despencar a menos de 80 dólares? Provavelmente será melhor deixar o petróleo onde ele se encontra.
    Governo torcer contra ele mesmo é o próprio de governo esquizofrênico, aliás como o nosso, atingido por forte síndrome de transtorno bipolar.
    O governo, como sempre, faz propaganda e vende a pele do urso com ele vivinho da silva.
    Não é típico?

  3. Segundo um amigo me explicou, a justificativa para ter sido leiloado em conjunto é que os campos estão interconectados, então se alguém começa a explorar petróleo antes do vizinho, acaba roubando óleo dele. Embora haja modelos matemáticos para lidar com a questão, o risco de judicialização é grande, ampliado pela dificuldade de fazer levantamentos geológicos completos a tão elevada profundidade.

    • Pois, então, se tal externalidade é considerda assim tão negativa, para que fazer leilão?
      Inconcebível tal argumentação, uma vez que vendeu-se exatamente a gestão como a pedra de toque do governo no caso da exploração do pr=e-sal.
      Engraçado que de repente, ao invés de soluções, começam a pulular equívocos.
      É lógico que deveriam saber que há pré-sal no Golfo do México, nas costas da Namíbia e em outras localidades, além do que, deveriam sabr que os EUA estão investimendo pesadamente na camada de xisto, como devem estar realizando outros países.
      Ou seja, o barril, daqui a cinco anos, pode estar até mesmo abaixo do ponto de corte de US$ 80,00, como dito pelo comentarista acima.
      A hora de falar verdades está passando rápido.
      Ou melhor, as eleições estão próximas. Quanto menos a sociedade souber, melhor para a campanha ufanista do país das maravilhas.

  4. Em relação ao primeiro ponto li no jornal Estadão que o governo tinha receio de que pudesse surgir problemas jurídicos com eventuais vazamentos de óleo de uma parcela do campo de Libra para outra adjacente se ele fosse fatiado e negociado em diversos leilões. Quanto ao segundo ponto não fez sentido a estruturação, pois como você mesmo observou, um leilão tem como objetivo obter o melhor preço com vantagens para o governo, mas que não era do interesse da Petrobrás, leia-se governo. Nesse caso foi uma operação sem pé e sem cabeça. Como li de um professor da FGV, também no Estadão, a Petrobrás participou de um leilão em que ela jogava contra ela mesma. Em relação ao terceiro ponto não é de se estranhar que esse e qualquer outro governo sempre fará propaganda de seus feitos e não admitirá jamais que a montagem foi esdrúxula.

  5. Difícil não criar a imagem risível de um trem-bala petrolífero.
    Ouro aspecto risível, é o ministro da Educação falar em petróleo bem mais do que o ministro de Minas e Energia e a Agência Reguladora do setor.
    Oras, os recursos irão, por lei, para Educação? Quer dizer que os homens públicos Governadores de Estado e Prefeitos Municipais, necessitam de lei para definir onde realizar aplicação de recursos? Pode haver maior necessidade de recursos para saneamento básico, por exemplo, um problema que atinge todas as unidades da Federação de todos os Municípios. Como fazer, então, se os recursos de eventuais royalties estão congelados para aplicações numa única área?
    A CPMF está ai para desdizer exatamente que isso não funcionará. A Saúde piorou não pela derrubada da CPMF, mas, talvez pela sua existência. Em boa hora o tributo foi eliminado e o quadro verdeiro parece ter surgido: a CPMF, parece, compunha mais o caixa do Governo Federal do que para a efetivação de investimentos na Saúde. Quem utilizava e utiliza o SUS é sabedor disso, sem a necessidade de royalties duvidosos.

  6. Se foi um “sucesso” eu não sei, o modelo em si com a nova empresa estatal e a petrobrás ainda tendo a operação é complicado dizer, quanto ao campo de Libra ser fatiado seria um erro como colocado pelo Rafael Ferreira Rocha Monteiro.

    Essa história de ter aqui vai ter lá em outro lugar não é bem assim, vide o ocorreu semana passada em Israel (?), pensava-se que uma área “perto” do campo de leviathan teria muito gás, agora descobriu-se que não, e mesmo no campo do Chipre é menor que se dizia. Já em Murzuq Basin (Libia) encontrou-se um novo campo perto já tinha procurado e nada.

    Quanto ao fatiado seria mais lógico a alguns anos no caso da Vale ter fatiado do que agora ou mesmo da telefonia ser por cidade/regional, não se fez por várias razões.

    O pré-sal pré-sal do que dito tem valores muito altos, operação cara e riscos bem maiores, talvez das “privatizações” é a que apresenta maiores riscos ao meu ver até por que ainda precisa criar uma tecnologia para baratear a atual que começará a operação.

    Abs,

  7. Acho temerário a ANP garantir que Libra tem reservas recuperáveis de 8 a 12 bilhões de barris e terá produção de 1 a 1,4 milhões de barris por dia de petróleo. Como se pode garantir isto?

    OGX e HRT apostaram bilhões de dólares com base em previsões de reservas e não encontraram óleo comercialmente viável.

    A Petrobrás anualmente gasta milhões de dólares e dá baixa em poços furados onde o óleo era previsto mas não se revela viável comercialmente. Onde está toda esta tecnologia de previsão que não impede gastos das petrolíferas com poços secos?

  8. Mansueto,

    Alguns comentários sobre o segundo ponto. Que um leilão sem concorrência é um fracasso para quem vende é um dado claro. Apenas em condições restritíssimas isso não seria verdadeiro. Por exemplo, caso o governo tivesse precificado *exatamente* ao definir o valor mínimo o valor máximo que algum consórcio de empresa estivesse disposto a pagar (o que seria uma mágica); ou que a taxa de juros futura aumentasse enormemente de forma a fazer com que os R$ 15 bilhões recebidos de bônus aumentasse subitamente de valor, etc. Detalhe, mesmo que o campo de Liba no futuro decepcione em termos de produção não quer dizer que se vendeu a um bom preço (pois poderia haver empresas dispostas a pagar mais pelo direito de tomar o risco).
    A “comemoração” da falta de concorrência se dá por um erro do desenho do leilão. A Petrobras é obrigada a entrar com 30% em qualquer consórcio vencedor. Ela tem uma avaliação privada de quanto vale uma área – o máximo que ela estaria disposta a pagar. Só que, pelas regras, ela não pode evitar que uma outra empresa com uma avaliação muito mais positiva (excessivamente otimista) faça um lance muito mais caro e obrigue a Petrobras a entrar num negócio que ela não queria.
    O risco para a Petrobras era que um aventureiro (tipo Eike, se estivesse capitalizado) ou empresas com avaliação mais política do que econômica do negócio (por exemplo, garantir suprimento físico de óleo para o seu país de origem, como poderia acontecer com as empresas estatais chinesas) fizesse uma oferta muito cara, forçando a Petrobras a entrar no negócio com 30%. Isso seria ruim para a Petrobras (porque entraria num negócio a um preço mais caro do que estaria disposta a pagar) mas bom para a União (porque aumentaria as rendas disponíveis para o Tesouro). Esse cenário é improvável uma vez que a concorrência foi baixa e todos os players sentam com a Petrobras para negociar (já que ela é operadora única) – o que estimula um cartel de preço mínimo (foi o que se viu).
    Um fato que é óbvio mas foi pouco discutido é que em um leilão de concessão de área de exploração de petróleo, o que é melhor para a Petrobras (quem compra) não é o que é melhor para a União (quem vende). A Petrobras tem interesse em comprar pelo preço mínimo e a União deveria ter interesse em vender pelo preço máximo. O interesse da União, como poder concedente, deveria ser maximizar a receita possível da exploração. Vender sem concorrência significa subsidiar os sócios privados da Petrobras (e das empresas coligadas a ela) e reduzir o estímulo à eficiência e redução dos seus custos de produção. A melhor forma seria eliminar a figura do operador único – que se revelou até mesmo um risco para a Petrobras e uma limitação para a capacidade da União de receber mais recursos pela venda do óleo. Isso em nada afetaria outros objetivos definidos pelo legislador/governo (que é quem legisla mesmo…) no modelo atual de petróleo, como o uso de conteúdo local (que afeta todos os operadores e independe do regime de partilha).
    Um dos problemas apontados pela literatura da maldição de recursos naturais é o encurtamento do horizonte do tempo nas decisões governamentais. Grandes descobertas ou altas de preço induzem a uma euforia e ao financiamento de projetos insustentáveis que depois são seguidos de crises, quando o preço desaba. Ao ver tantas decisões serem tomadas sem base técnica sólida (como o próprio uso do sistema de partilha) e Dilma falar em um trilhão, repito, um trilhão de recursos… é preciso ser muito cauteloso com a direção que estamos indo.

  9. Minha visão sobre o leilão é a seguinte: Tudo se resume à política e o interesse em permanecer no poder.

    1 – O governo não tem como tirar o óleo de lá. Privatizar é palavra proibida. Então, que seja 70% de privatização e dê o nome de “partilha”.
    2 – Dividir seria adiar recebíveis, o dinheiro do bônus é necessário agora.
    3 – A Petrobras é vista como um patrimônio eleitoral intocável. Ir a favor do Tesouro e prejudicar a Petrobras traria consequências políticas. Por isso, se for bom para a Petrobras, é melhor para a eleição.
    4 – Boi de piranha. O leilão tira o foco de um monte de coisa que está rolando. 10 dias de mídia mordendo esse boi dará vários pontos na popularidade da presidência em um momento de formação de chapas estaduais.
    5 – E o Aécio mordeu. Pela primeira vez, deu o tom do discurso. Deu os parabéns à Dilma ao privatizar e vestiu a camisa. Coitado, será massacrado.

  10. O leilão do Campo de Libra pelo menor preço mostra claramente a falta de concorrencia e a necessidade de revisão já do marco regulatorio de concessoes de blocos petroliferos. Ter a Petrobrás em todas as Rodadas futuras vai exigir um esforço fenomenal de caixa uma vez que os investimentos no Pré-sal são de longo prazos. A ëntrega”de mão beijad do maior bloco petrolifero não é o ponto mais crítico desse ensaio inicial do Pre-sal, o mais doloroso é ver o reconhecimento dos especialistas – e quem sabe eles próprios conceberam tal marco regulatório – da necessidade em revisar esse modelo. Infelizmente o nosso Pre-sal nao decola nem nos coloca em uma vitrine mundial onde poucos países estao devido a pessima infraestrutura que temos para “desaguar” nosso petroleo. Acho que serão necessarias varias geraçoes para que possamos ver o país em cima dos trilhos novamente.

  11. Eu achei o resultado muito bom. Como disse o profº Edmar Almeida da UFRJ, o modelo é ruim mas o resultado foi bom. Se o modelo de disputa pela Petrobras é sustentável eu não sei. E se a Petrobras vai estar capitalizada daqui a dois anos para o próximo leilão é outra dúvida. O que não deixa dúvida é o poder fenomenal que tem a PPSA. E o povo ainda tem a cara de pau de falar em privatização. Leiam o art. 24 e 25 da 12.351:

    Art. 24. Caberá ao comitê operacional:

    I – definir os planos de exploração, a serem submetidos à análise e à aprovação da ANP;

    II – definir o plano de avaliação de descoberta de jazida de petróleo e de gás natural a ser submetido à análise e à aprovação da ANP;

    III – declarar a comercialidade de cada jazida descoberta e definir o plano de desenvolvimento da produção do campo, a ser submetido à análise e à aprovação da ANP;

    IV – definir os programas anuais de trabalho e de produção, a serem submetidos à análise e à aprovação da ANP;

    V – analisar e aprovar os orçamentos relacionados às atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento e produção previstas no contrato;

    VI – supervisionar as operações e aprovar a contabilização dos custos realizados;

    VII – definir os termos do acordo de individualização da produção a ser firmado com o titular da área adjacente, observado o disposto no Capítulo IV desta Lei; e

    VIII – outras atribuições definidas no contrato de partilha de produção.

    Art. 25. O presidente do comitê operacional terá poder de veto e voto de qualidade, conforme previsto no contrato de partilha de produção.

    Quanto à fatiar o campo de Libra, fiquei sem entender. Esse ponto é pacífico, não há o que discutir. O que acontece quando os campos se comunicam é uma negociação demoradíssima para decidir o percentual que cada um leva. No Brasil, a ANP concede o prazo de seis meses, se não houver acordo a Agência faz a arbitragem. No texto IBP 1676-08, apresentado na Rio Oil Gas de 2008, há uma abordagem sobre as questões controversas da unitização.

  12. LEILAO DE LIBRA NO PAÍS DAS MARAVILHAS
    Não foi tipicamente, um leilão no conceito a que estamos habituados, com vários consórcios concorrentes. Foi um leilão de perdedores: perde o leiloeiro (união) que vai receber menos na repartição do lucro petróleo – obviamente pela falta de concorrente. Perde a Petrobras que – já tendo a garantia mínima de 30% de participação como operadora única – foi obrigada a pagar 10% a mais em um momento de dificuldade de caixa. Aquele que faz o serviço da exploração recebe mais e não menos lucro futuro ao contrário do “leilão português”, no qual quem oferece o menor lance “carrega o piano”.
    Um leilão na forma de concessão traria mais recursos para exploração de outros campos, diretamente pela Petrobras na forma de prestação de serviço como sugere o professor da USP Ildo Sauer.

Os comentários estão desativados.