Sugestões de leitura para estimular o debate- 2

Na minha lista anterior esqueci de falar da coluna semanal do economista Delfim Netto no jornal Valor Econômico no dia 08 de outubro (clique aqui). O professor começa a coluna analisando a economia mundial e o que determina o crescimento dos países para mostrar que o menor crescimento do mundo afeta o crescimento de todos os países.

Mas na segunda metade do artigo há um recado muito forte para o Executivo e o Legislativo que ficaram “parados” na agenda de reformas que se fazia necessária dado o menor crescimento da economia mundial e redução do excesso de liquidez. O professor Delfim fala que:

“A verdade é que temos respondido frouxamente a algumas reformas absolutamente necessárias, como a radical simplificação do sistema tributário, o enfrentamento do problema previdenciário e a redução do dramático aumento das incertezas produzidas, por exemplo, pela ação discricionária do Tribunal Superior do Trabalho com suas súmulas vinculantes, e pelas decisões duvidosas e arbitrárias tomadas pelo Fisco.

É a falta de fortes e decididas iniciativas do Executivo e do Legislativo, para tentar resolver tais problemas, que aumenta as incertezas sobre o futuro, que põe na geladeira o “espírito animal” do empresário e retarda as suas decisões de investir. Mesmo quando o corporativismo e interesses menores controlam o Congresso, é a pressão do Executivo, forçando a discussão das reformas e ampliando o espaço da racionalidade, que mobiliza a sociedade para ajudá-lo a superar a resistência oportunística, cuja essência é o curto-prazismo.”

e vai mais longe:

“…o que importa é o temor (dos potenciais investidores estrangeiros) que a aparente pouca importância dada às reformas acabará por tornar a dívida insustentável, se persistirem o baixo crescimento do PIB e a redução sistemática do superávit primário.”

Quero destacar rapidamente dois pontos. Primeiro, o papel de liderança que o professor deixa subentendido que tem faltado ao Executivo para viabilizar uma agenda positiva de reformas no Congresso. Segundo, o risco de um baixo crescimento com forte queda do primário nos levar a um problema de solvência da dívida pública. Esse cenário estava fora do radar em 2011 e hoje volta a ser considerado.

Um pensamento sobre “Sugestões de leitura para estimular o debate- 2

  1. Outras duas “sugestões de leitura”. Ambas na folha. A primeira dá conta que o governo vai enrijecer um pouco mais o seguro desemprego, por conta dos gastos que já rondam os 22 bi esse ano, quase 10% a mais q ano passado, a despeito da taxa de desemprego e emprego formal continuarem positivos. A segunda do REFIS que foi forçado guela abaixo da receita federal.

    Ora, isso é claro, claríssimo aliás, mostra do desespero do governo federal para tentar ampliar arrecadação e cortar despesas. Mas tão claro quanto o sol é esse desespero, é também inútil a medida. Continua-se empurrando com a barriga um problema que vai inexoravelmente explodir em dois ou três anos.

    Logo as manchetes estarão repletas de “CRISE FISCAL”, e novamente seremos “pegos de surpresa”.

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