Democracia e a nova Política Industrial no Brasil.

Algumas pessoas não sabem que, além da área fiscal, faço pesquisa também na área de política industrial e desenvolvimento. Bom, como ex-aluno da Alice Amsden e do Dani Rodrik, seria impossível eu não estudar esse assunto. No ano passado escrevi junto com o professor de ciência política do MIT, Ben Ross Schneider, um texto em inglês sobre a política industrial brasileira.

Esse texto será um capítulo de um livro que deverá ser lançado pelo Banco Mundial sobre política industrial com enfoque na Ásia que tem como um dos organizadores o professor Richard Locke do MIT da Sloan School of Business e do Departamento de Ciência Política.

O que eu e Ben queríamos com esse texto? Bom, o nosso objetivo era olhar para a literatura de política industrial e perguntar se o que fazemos no Brasil se assemelha ou não ao que fala a literatura da política industrial, sem entrar no debate da necessidade ou não da política industrial.

“In the 2000s, several Latin American governments returned to sectoral promotion and industrial policy (Peres, 2006; Peres and Primi, 2009). After the new government of the Workers’ Party entered power in 2003, Brazil stood out in the region for a series of packages of new industrial and innovation policies. In some respects these new industrial policies resembled policies of pre 1980 state-led development in Latin America. However, the post 2000 context of economic and political liberalization meant that most policies differed from earlier experiences as well as industrial policies adopted elsewhere. Three analytic dimensions are key for understanding recent industrial policies in Brazil: 1) the role of big business, 2) diversification versus specialization, and 3) monitoring and discipline.”

Se você se interessar por esse debate, segue anexa a cópia do nosso texto em inglês sobre política industrial: “Globalization, Democratization, and New Industrial Policies in Brazil” Mansueto Almeida (IPEA) & Ben Ross Schneider (MIT), 2012, (clique aqui).

Qual foi a nossa conclusão? Bom, leiam o texto, mas posso antecipar que:

“(i) The Brazilian industrial policy, precisely for not making choices, has broad support among business;

(ii) Democratic politics also lead to an inherent contradiction in recent industrial policies, namely that the targets and goals are short term — dictated by the election cycle — but the real results can be evaluated only in the long term. This mismatch ends up hampering a real evaluation of the industrial policy;

(iii) It is not yet clear whether and how much the policy of promoting national champions in existing sectors has greater social than private benefits, and whether other possible industrial policies might have greater and longer term social benefits; and

(iv) there is significant continuity in informal and non-transparent relations between business and government. So, it is unclear in the current industrial policy if policy makers might have recourse to mechanisms to demand reciprocity and discipline capital, in ways that promoted successful industrial policy in countries of East Asia.

11 pensamentos sobre “Democracia e a nova Política Industrial no Brasil.

  1. O BNDES certamente terá assunto para comentar. Esse tema de informalidade, aliada à falta de transparência, com a consequente dificuldade de avaliar a efetiva socialização dos beneficios vai dar boas discussões.

    • Esse é um pouco diferentes. Neste tentamos entender como o governo passou da PITEC, primeira política industrial do governo Lula em 2003/2004 para a PDP, em 2008, e para o Plano Brasil Maior em 2011. Mostramos como a composição da equipe econômica foi decisiva nessa transição e também mostramos que os indicadores proposto pelo governo para acompanhar a política industrial não são adequados para acompanhar o seu sucesso (ou fracasso).

      Mostramos também que não é certo que a politica industrial esteja conseguindo promover mais inovação em empresas nacionais e que a política de campeões nacionais é uma política de pura e simples concentração sem diversificação da produção.

      Também mostramos que a relação Estado-empresas hoje no Brasil como nos anos de 1970 ainda se dá preponderantemente por vias informais e pela relação direta de grandes empresários com o governo. Não há um fórum multisetorial no qual essa relação Estado-empresas seja discutida e negociada de forma mais transparente para a sociedade.

  2. Creio que é um bom enfoque para abordar o assunto. Vou procurar o texto. Em todo caso eu creio que tanto quanto uma política industrial errática ao longo do tempo, e inconsistente em cada período, pesa o elevado custo Brasil – pelo menos 25% em relacao à média dos parceiros comerciais – e a política monetário-cambial, sobretudo pós 2007/8.

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