Malditas contas públicas!

A conta fiscal divulgada hoje veio tão ruim que nem vou comentar. Basta mostrar que, em termos nominais, o crescimento da despesa primária do governo federal foi de janeiro a julho deste ano de R$ 57,8 bilhões, ante o mesmo período do ano passado, e desse total o crescimento do investimento foi de apenas R$ 26 milhões, não é erro de digitação, R$ 26 milhões ou 0,1%.

O que aconteceu? O de sempre. O governo brasileiro sabe gastar muito bem com gastos correntes, principalmente programas de transferência de renda. Temos o know how de como transferir recursos arrecadados para famílias. Mas o governo tem uma crescente dificuldade para investir.

O Secretário do Tesouro falava desde o ano passado que mais cedo ou mais tarde o investimento público cresceria de forma muito rápida e que as críticas ao governo eram injustas. Bom, o investimento público não está crescendo e só nos resta rezar para as concessões darem certo, pois até isso será difícil pelo que escutei na minha viagem desta semana a São Paulo.

Por fim, como não tenho tempo para escrever muito no momento (depois escrevo) quero apenas destacar mais um ponto. Na apresentação de hoje da Ministra do Planejamento do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2014, um slide que apareceu na apresentação do ano passado sumiu: o slide da trajetória do déficit nominal do setor público

No ano passado (ver abaixo) o governo esperava que o déficit nominal do setor público fosse de 1,6% do PIB, em 2012, e de 1% do PIB este ano. Cheguei até escutar que poderia ser “zero” até o final do governo Dilma. Pois bem, no ano passado, o déficit nominal do setor público foi de 2,47% do PIB e, neste ano, acho que será até maior.

Ou seja, apesar do que era projetado pelo governo há poucos meses atrás, o déficit nominal no Brasil vai ficar muito próximo a 2,5% do PIB ou até se aproximar de 3% do PIB neste e no próximo ano. E o risco agora é não termos um primário suficiente para estabilizar a DLSP/PIB que, no curto prazo, vai cair influenciada muito mais pela desvalorização do Real.

Projeções do Governo Federal em agosto de 2012 para o Déficit Nominal em 2012 e 2013defict nominal

15 pensamentos sobre “Malditas contas públicas!

  1. já tá em 2,9% em 12 meses, nao acredito q melhore daqui até o fim do ano. segundo semestre vai ser PIb fraquissimo, todos dizem. vai terminar acima de 3%, e ano q vem, ngm segura, é de 4,5% pra cima.

  2. Onde se lê no título da figura “Projeções do Governo Federal para o Déficit Nominal em 2012”, leia-se “Projeções do Governo Federal para o Déficit Nominal em 2013”. Estou certo, Mansueto? KB

  3. Muito interessante seu comentário. E o pior é que terminará sendo “financiado” pelos contribuintes, simples cidadãos brasileiros, sem direito a anistia de suas dívidas tributárias.
    Parabéns, Mansueto, pelo seu blog

  4. Pingback: PIB amarelado: resultado espelha uma realidade que ficou no retrovisor | BLOG do PSDB de Minas Gerais

  5. parabens pela sua postura critica, honesta e independente… junto com raul velloso dos poucos que registra publicamente a ‘maldade’ por detras dos números que a Banânia Governamental insistem em definir como ‘saimos do tunel, o pior ficou pra tras’ !!! o tempo (e o ipea) ainda vão reconhecer e recompensar seu valor meu caro dotôre.

  6. Excelente como sempre, só uma nota, de certo um ato falho. No início do terceiro parágrafo: “O Secretário do Tesouro falava desde o ano passado que mais cedo ou mais tarde o investimento **púbico** “

  7. Mansueto, uma pergunta off-topic: reforma tributária e reforma previdenciária são a mesma coisa? Pelo menos se ignorar o icms?

    Abs

    • Não, reforma tributária e previdenciária são diferentes. A primeira visa tornar mais racional o sistema, simplificar e racionalizar a cobrança de tributos e, a segunda, o equilíbrio atuarial do sistema em decorrência de distorções que existem e de mudanças demográficas. São coisas diferentes.

      • Sim, em primeira vista é tecnicamente diferente. Mas se colocar os impostos previdenciários (PIS, COFINS, CSLL) na conta, no fim será que não é a mesma coisa?
        Ou colocando de outra maneira: se fizer a previdenciária/trabalhista, eliminando o FGTS e passando a conta da aposentadoria integralmente ao trabalhador, será que não resolve metade do problema tributário?
        Uma coisa me parece +/- certa: as 3 coisas estão interligadas. Ou não?…

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