Nova versão do paper s/ Rent Seeking, entrevista dos autores e o otimismo moderado do Maílson.

Algumas pessoas estavam interessadas em uma versão em português do paper dos economistas Marcos Lisboa e Zeina Latif sobre “crescimento e democracia” que comentei neste blog. Bom, o trabalho está em inglês porque ele foi escrito para um seminário internacional e acho ótimo que esteja em inglês porque há uma escassez de trabalhos sobre o Brasil lá fora. A propósito, os autores acabaram de mandar uma nova versão mais enxuta do texto em inglês com revisões – clique aqui.

Mas a boa notícia é que os autores foram entrevistados para o podcast da Rio Bravo e todos podem escutar a entrevista (em português é claro) de cerca de 30 minutos – clique aqui. O jornalista Geraldo Samor é o responsável pelas entrevistas do podcast da Rio Bravo que são sempre interessantes.

E se você for por lá escutar o Marcos e a Zeina falar sobre a tese de rent seeking no Brasil, aproveite e escute também o Mailson da Nóbrega falar sobre conjuntura econômica (clique aqui). Mailson fala que o Brasil fez grandes progressos institucionais, o que nos qualificou junto ao Chile para chegarmos na ante-sala dos países de renda alta. O Brasil “vingou”, mas ainda precisamos melhorar. Mailson abraça um visão moderadamente otimista. Segundo ele, “um governo ruim faz com que o Brasil perca oportunidades, mas não tira o país do rumo certo porque temos instituições fortes.”

Mailson destaca ao longo da entrevista aspectos institucionais positivos na economia brasileira dos últimos 25 anos e a forte piora, na margem, da conjuntura econômica fruto de políticas equivocadas de curto-prazo. O ex-ministro fala que os empresários estão decepcionados com a presidente Dilma e que a ideia de que ela seria uma grande gestora e resolveria os gargalos do crescimento do Brasil não se comprovou na visão dos empresários.

De qualquer forma, com a sua visão otimista de longo prazo e sua crença no funcionamento das instituições, o ex-ministro  acredita que o Brasil passa por uma fase ruim, mas tem tudo para corrigir o rumo de seu crescimento. Confesso que o seu otimismo me surpreendeu e acho que estou mais pessimista do que ele.

 

5 pensamentos sobre “Nova versão do paper s/ Rent Seeking, entrevista dos autores e o otimismo moderado do Maílson.

  1. Mansueto, o texto é bacana, traz insights e temas interessantes para o debate da eficiência microeconomica, etc. Aliás o Lisboa era o cara da agenda microeconomica na gestão Palocci, não era? No geral boas idéias, necessárias, ainda que de impacto localizado. Meu unico receio é confundir as bolas, tem que deixar claro que grana pública, seja em que formato, natureza ou quadro regulatório, for, para proteção de grupos fragilizados (temporária ou não), setores sociais que precisam de proteção estatal, não pode ser confundida com mecanismos de privatização do estado promovidos pelas várias máfias que assolam este imenso e imprevisível país desde os tempos de Cabral (não é o governador!), certo ? Há um texto não muito antigo do Ben Ross Schneider ( Business-Government Interaction in Policy Councils in Latin America: cheap talk, expensive changes or collaborative learning), em que ele diferencia o rent seeking “productive” do “unproductive”, exatamente para evitar throw out the baby with de bathwater… não é? (By the way, vc que conhece ele, pede para fazer uma versão em português…). Bom debate, abraço!

    • Bom ponto. Vou pegar o texto do Ben. No livro dele de 2004 ele fala também que nem sempre a relação entre setores incentivados e governo seria algo negativo, desde que a negociação por trás do incentivo do governo seja aberto e não com grupos setoriais específicos: a diferença entre state-bussiness association versus state-encompasing associations.

      Vou depois desenvolver o seu ponto aqui no Blog. Abs, Mansueto

  2. Tenho uma dúvida sobre a interpretação dos protestos feita no trabalho Lisboa/Latif: partindo do princípio que o rentismo é praticamente endêmico ao nosso sistema político econômico, por que tanta confiança em achar que o povo está pedindo que se acabe com as mamatas? Não seria mais lógico ver o levante popular como o povo exigindo que o boca livre chegue até ele? A pressão na verdade seria para aumentar as transferências e distorções sem análise de custo-benefício social.

  3. Pingback: Sobre o artigo “Democracy and Growth in Brazil” – Suspensão do Juízo

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