Sobre os protestos no Brasil

Tenho lido várias análises daqui da Inglaterra sobre a onda de protestos no Brasil. A pessoas aqui me perguntam o que esta acontecendo no Brasil e os motivos dos protestos. O que consigo falar é sobre o que não são os protestos. Há pelo menos três grandes diferenças da onda de protestos no Brasil em relação aos protestos recentes ocorridos no resto do mundo.

Primeiro, a onda de protestos no Brasil não tem paralelo com o tipo de protesto dos “indignados” na Espanha. Na Espanha o protesto era contra as políticas de austeridade em um país no qual a taxa de desemprego está em 25%. No Brasil, temos a menor taxa de desemprego desde 2003, algo como 5,5%. Assim, o tipo de protesto que ocorreu recentemente em alguns países da Europa contra desemprego e cortes de serviços públicos não tem paralelo com o que está acontecendo no Brasil.  O gasto publico e a oferta de serviços público aqui só faz aumentar e recentemente aprovamos o Plano Nacional de Educação para elevar o gasto com educação de 5% para 10% do PIB – se isso ocorrer seremos o país que mais gasta com educação (% do PIB).

Segundo, os protestos no Brasil também são diferentes dos protestos que ocorreram nos EUA com a ocupação do Zuccotti Park pelo movimento “Ocuppy Wall Street”. Lá as pessoas estavam protestando contra o crescimento da desigualdade de renda, que cresce nos EUA desde a década de 1970, e contra a influência econômica e política dos 1% mais ricos. No Brasil, ao contrário dos EUA, a desigualdade de renda vem caindo nos últimos 10 anos de forma rápida, a renda real dos trabalhadores cresceu e a pobreza diminuiu fortemente. É difícil alguém achar que o pobre de hoje está pior do que o pobre de dez anos atrás.

Terceiro, apesar da semelhança da mobilização via redes sociais como ocorreu com a primavera árabe, os protestos no Egito, Tunísia e agora Síria e Turquia são revoltas da população contra governos anti-democráticos: ditaduras. Novamente, este não é o caso do Brasil. No Brasil, temos democracia, número grande de partidos e liberdade de expressão. O eleitor tem feito escolhas por um Estado mais ativo na oferta de serviços públicos e políticas sociais. Basta lembrar que o Brasil tem uma carga tributaria elevada – 36% do PIB- porque gasta muito com política social e previdência. Os gastos sociais e previdência explicam 84% do aumento do gasto federal no Brasil de 1999 a 2012 e isso parece ser demanda do eleitor por maior proteção social, apesar dessas escolhas serem muitas vezes decorrentes da pressão de grupos organizados e de muitos não conhecerem as distorções do gasto público no Brasil. Mas será que agora o eleitor está arrependido de suas próprias escolhas? Não acredito.

Assim, o que explica a onda de protestos no Brasil? Tarifa Zero? Mas nenhum país do mundo que conheço tem tarifa zero em transporte público. Governos de países ricos subsidiam o transporte para pessoas de baixa renda e estudantes, mas o transporte público não é de graça.

Os protestos são contra gastos com a copa? Pode ser parte da explicação. Apenas agora a sociedade pode ter se dado conta do elevado custo da infraestrutura da copa. Mas faria sentido agora derrubar os estádios? Por que não houve essa pressão quando o país foi escolhido para sediar a copa e a olimpíada?

Os protestos são contra o governo ou contra a classe política em geral? Não é claro. Ninguém sabe ao certo até porque os protestos ocorrem em várias cidades governadas pela situação e oposição. Ninguém sabe ao certo quais partidos ou grupos políticos se beneficiarão da onda de protestos, mas é claro que as pessoas tenderão a canalizar a maior parte da culpa para o governo atual, independentemente de sua real responsabilidade.

Os protestos são contra corrupção? Mas hoje temos no Brasil um Ministério Publico e uma policia federal que estão investigando e punindo corruptos. Mas queremos matar os corruptos como se faz na China? É isso? Não sei.

Em resumo, não sei ao certo quais as demandas dos manifestantes e não há uma liderança dos protestos que possa negociar com o governo uma pauta de reivindicações. No entanto, ninguém sabe ao certo se e quais grupos políticos se beneficiarão dessa onda de protestos. Mas, de qualquer forma, é um movimento fascinante em uma sociedade que não tem o costume de grandes passeatas e protestos. É um fenômeno novo que ainda vamos levar algum tempo para entender.

 

37 pensamentos sobre “Sobre os protestos no Brasil

  1. Na verdade, Mansueto, só pra lembrar, a desigualdade não tem caído nos últimos dez anos, mas tem caído consistentemente desde a criação do Plano Real, em 1994. Aliás, Plano Real que sofreu ferrenha oposição do PT.

  2. Mansueto, acho que os protestos são multifacetados, como no mundo inteiro. E embora vivamos numa democracia representativa, temos que uma parcela significante da população não se sente representada, vide apoio às manifestações não violentas. Há indignação contra a qualidade dos serviços públicos de saúde, educação e transporte, vís-a-vís os gastos com a Copa. A fagulha para as manifestações foram a inflação e grupos partidários de esquerda contrários ao preço das passagens, mas acredito que as manifestações cresceram graças ao sentimento de não representatividade na nossa democracia

  3. Sua perplexidade é compartilhada por muitos brasileiros, Mansueto. Eu próprio tenho escrito algumas notas sobre este assunto, mas são apenas tentativas preliminares de compreendê-lo. Vejo, entretanto, um perigo real decorrente da repetição de atos de vandalismo. Numa dessas, pode-se abrir um pretexto para intervenções menos ortodoxas no processo político.

    • É um bom ponto Gustavo. Tenho muito medo quando as pessoas deixam de acreditar nos canais formais – sistema político e eleições- para promover mudanças. E os atos de vandalismo assustam. Vamos ver como isso tudo vai evoluir e torço para que os protestos apareçam nas escolhas feitas pela população nas eleições.

  4. Excelente análise. O tempo dirá as consequências dos protestos. Uma delas porém é clara. Os políticos estão atordoados e terão que fazer uma reflexão sobre seus métodos políticos e administrativos.

  5. “Os protestos são contra corrupção? Mas hoje temos no Brasil um Ministério Publico e uma policia federal que está investigando e punindo corruptos.”
    Não concordo com o que vc diz acima,estamos MUITO longe de fazer isso a ponto que inibam novos “roubos”.
    As punições não são feitas como deveriam e ao mesmo tempo existe a possibilidade da PEC-37, que é um dos maiores motivos dessas manifestações.

    • Mas matar a PEC 37 é só concentrar as manifestações no Congresso. Político morre de medo da Opniao publica. E se no Brasil corruptos não ficam na cadeia devemos pensar em mudar a lei e a constituição.

  6. Temos motivos de sobra, Corrupção, Ministros demais e incompetentes, PEC 37, excesso de gastos com Estádios e falta de investimentos em logística prometidos para Copa, Infra-estrutura precária, Hospitais de má qualidade, Escolas ruins. Não adianta investir 10% do PIB se for mal gerido ou roubado por cada trâmite do recurso. Ta mais facil entender pelo o que NÂO estamos protestando, do porque estarmos protestado. O transporte poderia ser muito mais subsidiado, se cortassem super salários e mega aposentadorias de Brasília. O povo não aguenta mais pagar 50% da renda em impostos se eles não são convertidos pra NADA, que não seja transferência de renda pra comprar votos dos mais humildes, sem oportunidades e ignorantes.

    • Leonardo, o que é difícil de entender é que problemas parecidos ou piores sempre fizeram parte de nossa história. Não há nada evidente que seja diferente do que “já estamos acostumados”. Na verdade, ocorreram melhoras em vários aspectos econômicos e sociais nos anos FHC e Lula, com uma piora mais perceptível somente a partir de 2011, o que faz parte dos ciclos econômicos (mesmo que seja por erros de política econômica como vem ocorrendo atualmente). A carga tributária é de 35% + ou – e com certeza existe um retorno. Não há como comparar com países desenvolvidos onde 35% de uma renda per capita muito mais elevada traz muito mais retorno per capita, além das demandas sociais serem menores justamente pelos países já serem ricos (maior renda per capita com melhor distribuição de renda).

  7. Mansueto, acho que os jovens estudantes e a sociedade melhor informada, está cansada de enganações da classe politica que se beneficia com vinda de eventos e começa cobrar melhores condições em transportes, segurança, saúde e educação.
    Veja exemplo aqui do Ceará: enquanto temos Arena Castelão, nos corredores dos hospitais acumulam macas com pessoas precisando de atendimento, segurança pública está muito ruim, cresce o numero de assaltos e a população não sabe como lutar contra isso, está desiludida com promessas.
    O preço dos alimentos nas alturas, como pode 1 quilo de batata, tomate, beterraba, que podem ser produzidos em quase todo Brasil, custar mais que um quilo de maça que tem produção regionalizada em clima frio.
    Acho que a sociedade está precisando renovar a classe politica e desse movimento de revolta pode sugir novos lideres e novas propostas.

  8. Mansueto, acho que você está olhando a partir dos gastos do governo. A população reclama dos serviços que recebe. O tamanho dos gastos não quer dizer qualidade de serviços, por questões de ineficiência, corrupção e falta de respeito ao cidadão. A carga tributária alta só aumenta o descontentamento. E entendo ser essa a essência das manifestações, começando pela qualidade do transporte público, Como você diz, contra a corrupção temos o MP, mas este está ameaçado pela PEC37, contra a qual, justamente, se rebelam os manifestantes. Ademais, as investigações e processos judiciários não tem resultado em punição efetiva dos corruptos, apenas em mais gastos. A desigualdade você alega não ser motivo, por vir caindo. Mas ela cai em ritmo lento e ainda é muito alta. Enfim, acho que o que as manifestações mostram é que não estamos satisfeitos. Concordo, não devemos estar mesmo: o pleno emprego, a ausência de uma ditadura e o aumento do consumo via endividamento não são motivos suficientes para ficarmos sorrindo, sentados diante da TV, assistindo aos jogos de futebol em estádios caríssimos, padrão FIFA.

  9. O “eleitor tem feito escolhas por um Estado mais ativo” é verdade. Mas a massa de eleitores (beneficiárias de bolsa família, Minha Casa Minha Vida e o mais novo “Vale Liquidificador”, que Você muito bem constatou é uma injustiça porque só beneficia os poucos escolhidos que já receberam casa) é diferente dessa turma protestando. Enquanto a massa de eleitores está nas classes C e D, esses protestos congregam quem tem acesso a internet, ou seja, classes B e uma camada da C – uma turma um pouco mais esclarecida acerca dos custos que vem sendo impostos pelos programas sociais – inclusive em termos de inflação.
    E tem mais – mesmo que os eleitores decidissem cortar gastos sociais, a nossa Constituição, obra de políticos da pior espécie (Ulysses Guimarães, Sarney e corja) impede qualquer redução nos gastos sociais – a educação tem que ser “pública e gratuita”, a saúde tem que ser “universal”, ou seja, legalmente, o espaço do governo para alocar recursos fica muito reduzido.
    Seria bom aproveitar esse movimento pra rasgar a constituição e escrever uma mais realista!
    Abraços,

    • Mas será que a maioria da população quer rasgar a Constituição? Um amigo meu professor no Rio sempre me fala o seguinte: “a sociedade na sabe escolher. Nós poderíamos escolher melhor pela sociedade.” Será? Acho que os problemas que estão colocados são muito mais complexos do que aparentam.

      • Caro Danilo, tenho minhas dúvidas de que os programas sociais tem efeitos relevantes sobre a inflação, pois são apenas transferências. Geralmente, o que causa inflação é um descompasso entre oferta e demanda agregadas via políticas monetária e fiscal expansionistas. Gastos sociais são necessários, pois as pessoas, geralmente, gostam de eficiência, mas também de equidade.
        Um dos piores problemas de elevação dos gastos está na previdência. Isso tem que ser controlado de alguma forma. Agora fala em elevar o tempo de contribuição e a idade mínima de aposentadoria, ou mesmo em reduzir os benefícios… Todos querem benefícios dos governos, mas se esquecem que é preciso tirar recursos de algum lugar para investir em outros.
        Também não acho que a solução seja tornar pagas a educação e saúde públicas. Focar esses gastos na população mais carente pode ser uma boa medida, mas a oposição seria muito grande. Como o Mansueto disse, a população não quer isso pelo forma em que vem votando.
        Ensino superior público gratuito é muito pior, pois subsidia, em grande medida, pessoas das classes A e B, mas existe uma resistência muito forte da opinião pública em relação a esse assunto. Que governo vai peitar isso se grande parte da população que faz barulho é contra? É muito fácil sempre jogar a culpa no governo e não perceber que, em grande medida, as escolhas de políticas públicas refletem a vontade da população.

  10. Tais sempre falando mal do Governo, na hora que a população se revolta com alguns DOS MUITOS MOTIVOS ÓBVIOS QUE TEMOS PARA PROTESTAR, você vem com esse papinho, lamentável… Gostas mesmo é de contrariar.

    • Bom, uma coisa é debater outra é “falar mal”. O que procuro fazer todos os dias é debater, escutar argumentos diferentes e me posicionar sobre diversos assuntos que tenho alguma opnião. Não vou me posicionar a favor ou contra algo que não entendo. E acho ótimo que a população proteste e ainda mais que as pessoas cheguem a um consenso sobre o que querem.

      Uma coisa eu posso dizer com muita certeza: sou contra tarifa zero, sou contra educação superior gratuita para todas as pessoas, sou contra subsídios para grandes empresas e o Brasil não tem nem terá com o nosso nível de desenvolvimento a mesma qualidade da saúde publica do Reino Unido, Canadá e França.

      No mais, muito das demandas nos protestos vai exigir mais e não menos imposto. Gosto de debater, mas se achas que isso é contrariar, não há absolutamente nada que possa fazer.

  11. MInha tese é a seguinte: o brasileiro achou que estava ficando rico. O crédito farto deu uma sensação de riqueza. O brasileiro deitou e rolou. Ao mesmo tempo, foi anunciada a copa (2009) depois as olimpíadas, o PIB cresceu muito, os imóveis dispararam… Enfim, tudo indicava que seríamos uma potência em poucos anos. O governo se aproveitou disso, inflou essa expectativa e usufruiu desse bom momento. Agora, o brasileiro se deu conta de que tudo o que esperava para a copa não virá. Não virão as grandes obras. Vivemos uma bolha imobiliária, o custo de vida cresceu assustadoramente (sobretudo nas grandes cidades) e a renda não acompanhou esse crescimento (embora tenha melhorado). Uma grande desilusão tomou conta de tudo. Sempre apontei que o governo brasileiro era irresponsável ao optar por, em vez de discutir os problemas, tentar passar uma imagem de que está tudo ótimo. Qualquer crítica ao governo logo era rebatida como sendo obra do PIG, dos conservadores etc. Parece até que só os petistas querem o bem do país e qualquer pessoa que aponte erros está torcendo contra. Brasil: ame-o ou deixe-o. Agora, diante desse choque de realidade, cabe ao governo e ao PT abaixar a crista e ver que errou bastante. A única saída pra Dilma é ela convocar um pronunciamento de rádio e TV, junto com os presidentes do Senado, da Câmara e do STF e anunciar uma série de medidas, tais como: arquivamento da PEC 37; – fim das regalias de parlamentares (auxílio moradia); – fim dos jetons que ministros de estado recebem (o famoso fura-teto); – redução de 50% de cargos comissionados. Enfim, ela tem que agir.

  12. Caro

    Qualquer análise com pretensão de apontar causas e rumos desses acontecimentos não passa de aposta.

    Eu penso que esses acontecimentos revelam que há uma crise no Estado autocrático brasileiro. A assimetria entre os operadores do Estado , os privilegiados e nunca responsáveis, e que agem no segredo e ignoram os cidadãos pagadores de impostos, está sendo posta em cheque neste momento.

    Concordo com o post com foco analítico no “que não são os protestos”, e com o caráter novo e fascinante desses últimos acontecimentos.

    Os atos de vandalismo de manifestantes e de violência policial são chocantes. Mas mesmo eles não são desvios da boa ordem que supostamente deveria conduzir as manifestações. São constitutivos delas, embora nos horrorizem.

    Eu torço para que essas disparidades de perspectivas que observamos nas manifestações encontrem uma síntese que materialize um algo mais programático.

    Um outro assunto.

    Não sei se você acompanha o trabalho da secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin. Há um artigo dela na FSP de hoje muito legal:

    “decidimos implantar um projeto de transformação que passasse por dois movimentos aparentemente contraditórios: voltar ao básico [“currículo básico e claro”] e, ao mesmo tempo, abrir caminho para a inovação”

    Educação e inovação

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/114989-educacao-e-inovacao.shtml

    Abs.

    PS: Para quem não conhece o excelente trabalho da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, há um post “porta de entrada” no blog do Simon Schwartzman. Não coloco o link porque se o fizer é mais trabalho para Mansueto, que tem de ir lá na caixa de spam e liberar o comentário.

    É só jogar no google que o link aparece:

    Claudia Costin e a Educação na Cidade do Rio de Janeiro

    Simon Education 2012-11-26

  13. Ops!

    A assimetria entre os operadores do Estado , os privilegiados e nunca responsáveis, e que agem no segredo e ignoram os cidadãos pagadores de impostos, está sendo posta em cheque neste momento.

    Digo: assimetria entre os operadores do Estado (nos três poderes) e os pagadores de impostos, os ditos simples cidadãos (como o “simples caseiro”) que não são, como disse Lula, “Sarneys”, aqueles que integram o seleto rol dos cidadãos especiais e para os quais há foro privilegiado e outras mumunhas.

  14. A pergunta relevante aqui é: e quando o emprego/renda das famílias/receitas dos governos/inflação/juros piorarem realmente?

  15. Se tivesse que escolher um único motivo para sair à rua e juntar-me às massas em movimentos eu diria CORRUPÇÃO.
    Não quero pendurar corruptos em forcas (apesar de os líderes merecerem) mas também não diria que o MP e a PF estejam dando conta.
    Mansueto, É MUITO CORRUPTO!!!
    Em todos os níveis e atividades que envolvem uso do dinheiro público há tumores cancerosos!
    O Mensalão é a ponta de um gigantesco iceberg e, pelo contrário, não vemos ninguém devolvendo dinheiro público e mesmo encarcerado. Diria mais, SE o forem, ficará no povo um gosto de É POUCO!
    O Estado é corrompido, em Terra Brazilis, por natureza. Cultural! E isso é a leitura que faço pelo fato de a maioria consciente que participa de movimentos nas ruas execrarem os partidos políticos, na totalidade deles.
    Estruturalmente vivemos num país, sim, democrático, mas formatado para o ROUBO

  16. É um estado de insatisfação geral: a inflação percebida é maior do que a medida; a carga tributária alta com alta corrupção, o custo dos legislativos (municipal, estadual e federal são um tapa na cara de cada um), os gastos com a Copa criticados pela imprensa como repletos de corrupção, a qualidade do ensino público em queda constante, a impunidade dos mensaleiros, condenados pela justiça legislando contra o STF, e uma relação enorme.
    UMA ANÁLISE ECONÔMICA: a mudança da política econômica do tripé, que privilegiava o poder de compra da moeda (inflação e câmbio), por extensão a qualidade de vida, pela jabuticaba podre, “nova matriz econômica”. A nova matriz abandonou o compromisso com o valor de compra da moeda para privilegiar minoria de empresários sem poder de competitividade (no máximo 3% da economia) e aumentar lucros de exportadores competitivos. Em 28/12/2012 recebi de um jornalista de economia o mail: “o câmbio alto e o juro baixo são uma política de Estado agora! O governo vai defender isso de todas as formas, não importando as distorções que venha causar. Acho ruim, pois o governo faz uma tremenda transferência de renda da população para o setor industrial, que nem sempre responde de forma “justa” a essas benesses do governo.”
    AS DISTORÇÕES E A TRANSFERÊNCIA DE RENDA DA POPULAÇÃO PARA O SETOR INDUSTRIAL, fazem parte do estado geral de insatisfação.

  17. Apenas alguns comentários.

    Mesmo os gastos com o social seja grande no Brasil, nao tem como comparar com países europeus. Utilizando a educação como referencia, embora o Brasil gaste ‘muito’ em proporção do PIB o gasto per capita ainda é muito baixo em comparação com os paises desenvolvidos (esses dados são de um documento publicado pela OCDE – Education at a Glance, 2012), ou seja, não é suficiente.

    A pobreza diminuiu, e a desigualdade de renda também, mas é complicado comparar a qualidade de vida de um cidadão médio norte americano com a de um brasileiro, visto que o nível de renda deles é bem maior.. Será que a participação dos 1% mais ricos na Brasil diminuiu? Acredito que não. Quem está pagando a conta da inclusão, dos programas sociais, é a classe média, que paga mais impostos, não vê o retorno disso e se revolta.

    A verdade é que ainda somos um país pobre em termos de arrecadação per capita, pouco espaço orçamentário para investimentos (conforme suas excelentes análises), com uma cultura de gestão pública ainda amadora e muito oportunismo político. Participei de uma manifestação na minha cidade, a reivindicação é clara, mais saúde, educação e combate à corrupção. Muito legitimo em um país que parece nunca ter encarado essas questões de forma séria…

  18. Sobra dinheiro público para beneficiar os apadrinhados do poder. Vide CEF, BB e BNDES. É caso de polícia e cadeia. São operações inaceitáveis.
    E condenados pelo STF por roubo do dinheiro público ficar tentando fazer leis contra o STF na câmara?

  19. Mansueto
    A REVOLTA DOS 20 CENTAVOS
    Eu acho que a maioria das pessoas estão nas passeatas por motivos intuídos, mas ainda não claramente formulados. Por isso esta tendência de pauta muito grande e até contraditória. Porque isto? O que acontece? É que em uma democracia representativa as aspirações da população são levadas ao governo pelos seus representantes após debater as propostas. E o que acontece na realidade? Uma panelinha dentro dos partidos escolhe em que você vai poder votar. Inicialmente o PT tinha uma tradição de democracia interna que está sendo cuidadosamente desmontada pela
    cúpula do partido. A própria candidatura da Dilma foi enfiada pela garganta abaixo do partido, que neste aspecto também, está se tornando igual aos outros. Assim não há correias de transmissão entre o povo e as estruturas do legislativo e executivo. Assim o que resta? Gritar na rua as suas verdades e necessidades, afrontar os poderes, a procura de quem o ouça. O procedimento democrático, de baixo para cima, nos partidos é uma urgente necessidade. O partido deveria ser o avalista dos candidatos que apresenta para cargos eletivos ou e confiança, sendo punido com exclusão de pelo menos duas candidaturas em caso de cassação. Como pode o partido ter exclusividade de indicação de candidatos e não responder por seus atos?
    Todos no fundo querem a mesma coisa, serem ouvidos e levados em consideração fora do período eleitoral, querem troca de informações, querem acompanhar o forjar de seu destino, como indivíduo participante e não como tutelado.
    O sistema de voto distrital seria um bom começo, mas só vai passarem em uma constituinte específica sem participação de políticos partidários Os políticos podem dizer que a mensagem passada pelas ruas é difusa, contraditória, confusa, e podem até dizer que não entendem, mas o que não escutarem agora vai ser gritado em seu ouvido, em outra esquina e em outro dia.

    • Isso. Olhe o tamanho das cidades. São cidades muito pequenas,em geral, com menos de 50 mil habitantes. A única grande da lista é Praga mas adotou tarifa zero por um tempo limitado quando a cidade teve problemas com inundação do metro.

      Ou seja, pela própria lista que voce mandou, não existe nehuma cidade com mais de 500 mil habitantes que tenha tarifa zero. A maior delas é Tallin na Estônia com 420 mil habitantes que começou a experiência de tarifa zero este ano.

      Como o governo vai sustentar tarifa zero em uma cidade com mais de 10 milhões de habitantes como Sao Paulo? Ou em outras capitais com mais de 500 mil habitantes que é a grande maioria das capitais no Brasil: 20 das 27 capitais dos estados brasileiros.

  20. Essa colcha de retalho, com tendências distintas, sem uma direção clara, abre espaço para grupos oportunistas instrumentalizar o movimento espontâneo, sem liderança, como massa de manobra com finalidade de desestabilizar o governo da presidente Dilma. Embora ache que a manifestação seja positiva por despertar, especialmente nos jovens, a possibilidade de nossa população sentir a necessidade de se organizar, eleger verdadeiras lideranças e lutar por interesses legítimos.

  21. Mansueto, ótimo texto.

    A questão fiscal em xeque

    Mais uma vez a questão fiscal entra na pauta das discussões da classe política ( e dos economistas, também ). Desta vez, premida pelo clamor das ruas, e não por setores diretamente interessados……., e no sentido inverso, ou seja, “as ruas” pedem expansão fiscal, em contrapartida “aos fiscalistas” — que objetivam cortes e orçamentos mais enxutos. A sociedade “exige” mais e melhores serviços públicos, pressionando os já comprimidos orçamentos nacional e subnacionais.

    A inclusão econômico/social de dezenas de milhões brasileiros no mercado de consumo ocorrido nas últimas décadas estimulou e alavancou grande parte dos brasileiros, antes marginalizados do processo econômico/social : agora não basta somente comer, vestir e ter um emprego — ainda que em condições precarizadas. A melhoria da qualidade dos serviços públicos, além de maior decisão nas tomadas de decisão quanto às prioridades orçamentárias estão na ordem do dia.

    Realçando que as redes sociais foram fundamentais para o sucesso da externalização das “novas” demandas da população brasileira. Fato.

    Compartilhando com a tese do economista Samuel Pessoa de que a sociedade brasileira optou ( Constituição de 1988, em diante ) pela formação de um Estado de bem estar social já, em detrimento de uma cultura poupadora e de Investimentos visando ao futuro ( típicas de países asiáticos ), as manifestações pleiteando melhor qualidade dos serviços como educação, saúde, transporte públicos, etc….. corroboram-na.

    Portanto, a questão fiscal e orçamentária precisará ser equacionada e posta em prática, levando em consideração essas “novas” demandas. Gastos com custeio e juros, por exemplo, devem ceder espaço a áreas que beneficiem a população, em geral.

    A pressão está aumentando, e a classe política em especial terá que buscar alternativas e respostas que satisfaçam ao “padrão FIFA” de exigência da nova parcela da população emergente brasileira.

    Um abraço

  22. Acho que a falta de credibilidade nas instituições e nos partidos políticos só deixou uma alternativa para a população para reivindicar mudanças, que é pela pressão popular nas ruas. Isto também explica a aversão pelas bandeiras partidárias nas manifestações.

  23. Primeiro: “O gasto publico e a oferta de serviços público aqui só faz aumentar e recentemente aprovamos o Plano Nacional de Educação para elevar o gasto com educação de 5% para 10% do PIB – se isso ocorrer seremos o país que mais gasta com educação (% do PIB).”Isso, Heloisa Helena Fitzgerald, se esse gasto de 10% do PIB chegasse mesmo a ser investido. O que ocorre é um desvio assustador dessas verbas, movidos por um Estado corrupto e e burocrático, pra sintetizar.

    Segundo: “No Brasil, ao contrário dos EUA, a desigualdade de renda vem caindo nos últimos 10 anos de forma rápida, a renda real dos trabalhadores cresceu e a pobreza diminuiu fortemente. É dificil alguém achar que o pobre de hoje está pior do que o pobre de dez anos atrás.” Heloisa Helena Fitzgerald, as “bolsas tudo” que o Estado “dá” tem as seguintes consequências, a meu ver: nenhuma Nação é edificada e subsiste mediante esmolas para o povo. Os governantes da antiga Roma insistiram em dar “pão e circo” para sua população, e o resultado foi a degradação moral daquele povo. Todo crescimento saudável na área econômica, social e política advém do trabalho, da perseverança e da disciplina ética e moral.
    Esse assistencialismo combate os efeitos e não a causa da pobreza no Brasil. Ele incentiva a ociosidade e a dependência do Estado. Também ilude o povo, no sentido que é um “benefício do Estado”, quando na verdade, todos os recursos são retirados, através de tributos, da própria população. O Estado não produz recursos, ele retira-os de trabalhadores e empreendedores.
    É demagogia pura, bom base de “bem estar social”, quando na verdade cria um círculo vicioso de dependência dos “beneficiados”, e por aí vai…

    Terceiro: “Os protestos são contra corrupção? Mas hoje temos no Brasil um Ministério Publico e uma policia federal que está investigando e punindo corruptos. Mas queremos matar os corruptos como se faz na China?” Heloisa Helena Fitzgerald, Estamos sendo ameaçados pela PEC 37, onde os “fazedores de leis”, (Congresso Nacional) querem justamente tirar esse poder do Ministério Público. Sem falar que aqui no Brasil, corrupto “nunca” vai pra cadeia e o “mensalão” está aí, estampado na nossa cara, onde condenados pelo Supremo Tribunal Federal estão lá, ainda fazendo as leis!!! Tudo um absurdo que ocorre neste país. Mas ele acordou, “O Gigante acordou”. Mas uma coisa é preocupante: Estamos a procura de um líder. De alguém que realmente nos represente. #vemprarua!

  24. Primeiro: “O gasto publico e a oferta de serviços público aqui só faz aumentar e recentemente aprovamos o Plano Nacional de Educação para elevar o gasto com educação de 5% para 10% do PIB – se isso ocorrer seremos o país que mais gasta com educação (% do PIB).”Isso, se esse gasto de 10% do PIB chegasse mesmo a ser investido. O que ocorre é um desvio assustador dessas verbas, movidos por um Estado corrupto e burocrático, pra sintetizar.

    Segundo: “No Brasil, ao contrário dos EUA, a desigualdade de renda vem caindo nos últimos 10 anos de forma rápida, a renda real dos trabalhadores cresceu e a pobreza diminuiu fortemente. É dificil alguém achar que o pobre de hoje está pior do que o pobre de dez anos atrás.” as “bolsas tudo” que o Estado “dá” tem as seguintes consequências, a meu ver: nenhuma Nação é edificada e subsiste mediante esmolas para o povo. Os governantes da antiga Roma insistiram em dar “pão e circo” para sua população, e o resultado foi a degradação moral daquele povo. Todo crescimento saudável na área econômica, social e política advém do trabalho, da perseverança e da disciplina ética e moral. Esse assistencialismo combate os efeitos e não a causa da pobreza no Brasil, ele incentiva a ociosidade e a dependência do Estado. Também ilude o povo, no sentido que é um “benefício do Estado”, quando na verdade, todos os recursos são retirados, através de tributos, da própria população. O Estado não produz recursos, ele retira-os de trabalhadores e empreendedores. É demagogia pura, bom base de “bem estar social”, quando na verdade cria um círculo vicioso de dependência dos “beneficiados”, e por aí vai…


    Terceiro: “Os protestos são contra corrupção? Mas hoje temos no Brasil um Ministério Publico e uma policia federal que está investigando e punindo corruptos. Mas queremos matar os corruptos como se faz na China?” Estamos sendo ameaçados pela PEC 37, onde os “fazedores de leis”, (Congresso Nacional) querem justamente tirar esse poder do Ministério Público. Sem falar que aqui no Brasil, corrupto “nunca” vai pra cadeia e o “mensalão” está aí, estampado na nossa cara, onde condenados pelo Supremo Tribunal Federal estão lá, ainda fazendo as leis!!! Tudo um absurdo que ocorre neste país. Mas ele acordou, “O Gigante acordou”. Mas uma coisa é preocupante: Estamos a procura de um líder. De alguém que realmente nos represente. #vemprarua!

  25. Mansueto, a previdência e gastos cresceram por alguns motivos um deles é os altos-cargos de governo que hoje tem padrão até acima do mercado mundial tanto que é mais fácil ver alguém criticando o governo que largando algum posto, os grandes beneficiários são uma minoria.

    O próprio governo entendendo isso, inventou uma fórmula agora para MPOG quem teve cargo de comissão neste governo tem uma pontuação x, mais um curso de especialização y, e segundo um rapaz que estava com cartaz dá tirando a nota mínima, (e abaixaram do último concurso), mais que o primeiro colocado do último concurso. Quer dizer inventaram um jeito para quem serviu o PT por esses anos (só vale nos últimos 10 anos), ganhar uma aposentadoria.

    Tem polícia federal e Ministério, e o mensalão está aí para se resolver, o mensalão de MG nem começou, Renan que saiu quase corrido Senado é presidente, a inflação vem subindo, bateu no bolso, e quando isso acontece o governador e prefeito aumentam as tarifas e vão para Paris, alguém lembra do escandâlo do Cabral…acha que isso não fica no imaginário.

    A pauta é bem concreta, queremos verdadeiros mecanismos de controle da sociedade sobre os gastos do governo, nada de planilhas pela metade, serviços a níveis de nossos tributos e igualdade entre todos brasileiros de direitos, por que existem uns mais que outros, é nítido,

    Abraços,

  26. a aposentadoria no caso é acima da cLt, por que a menos que o governo mude as regras para eles, eles não alcançam o teto.

  27. O nosso país está precisando crescer economicamente e socialmente,resol-
    vendo-se alguns problemas domésticos para o bem de todos nós.Por outro
    lado,a forma de reivindicar deverá ser pacífica e ordeira,ou seja,na demons-
    tração de que poderemos unidos mudar o nosso país para melhor e sem
    violência desnecessária.Ressalte-se que a anarquia e a insegurança no país só interessa aos inescrupulosos e aos nossos concorrentes por este mundo
    afora.Por fim,não sabem esses que,neste momento,um resfriado no Brasil
    ocasionará uma pneumonia no mundo.

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