Quem é a nossa presidente?

O jornal Valor Econômico desta sexta-feira traz um matéria interessante sobre o estilo de comando da nossa presidente Dilma Rousseff. Vale a pena ler a matéria que vai ao encontro do que se escuta nas conversas de bar, em Brasília. Quero destacar quatro parágrafos da matéria:

O estilo “mandão” de Dilma era conhecido desde que se tornou ministra das Minas e Energia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outros traços marcantes apareceram ou se tornaram mais visíveis quando chegou à Presidência. “Eu sou a presidenta, eu posso”, passou a ser frase rotineira em conversas com assessores próximos. Alguns pensavam, mas não diziam: “Pode, mas será que deve?”.

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Ela está cercada de pessoas medíocres, que não a questionam. Todo mundo morre de medo dela. Ela não tem humildade para escutar os outros. Não dá para ter 39 ministérios, 39 subordinados. Em uma empresa, esse modelo não funcionaria”, disse um alto executivo de um banco de investimento. A imagem de pessoas centralizadoras hoje está muito associada a empresas de donos, fundadores de grandes grupos de primeira geração. “Fui muito centralizador, mas esse modelo não funciona mais. Tem que delegar e ouvir mais”, disse um grande empresário do setor de infraestrutura e energia“.

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“O processo de governo é muito ruim”, diz um ministro que tem uma pilha de projetos sendo “espancados” na Casa Civil. Os empresários criticam os ministros e os ministros, com raras exceções, criticam a Casa Civil da ministra Gleisi Hoffmann, habitada, segundo eles, por técnicos jovens, inexperientes e, às vezes, arrogantes.Não é raro um deles ligar para um ministro de Estado a fim de tomar satisfações sobre algum projeto”

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“Na equipe econômica chama-se as escolhas de Dilma de “estilingadas”, decisões que, depois de tomadas, batem num muro e voltam. Só um ano e meio depois de estar no comando do governo ela se convenceu de que o Estado brasileiro não está em condições de investir e admitiu fazer as concessões. Ainda assim, tabelou por baixo o lucro das empresas, no caso das rodovias. Voltou atrás, quando percebeu que não daria certo.”

Acho que os trechos acima dão uma boa ideia da gestão centralizadora do governo. O que me impressiona é por que a presidente só conheceu os limites da maquina pública para fazer investimento depois de um ano e meio do governo, se ela já era ministra da casa civil. Espero que a presidenta continua identificando as falhas do seu governo e adotando essa postura pragmática de voltar atrás e mudar.

O problema é que agora, com o clima eleitoral nas ruas, ninguém espera mudanças substanciais até as eleições. Assim, essa tarefa será do próximo presidente, quem quer que seja ele ou ela.

9 pensamentos sobre “Quem é a nossa presidente?

  1. caro mansueto,
    gostei do seu post, que achei muito corajoso. E’ apreciável que no Brasil un fonctionario publico possa ser critico do seu governo en uma forma transparente e ao mesmo tempo constructiva

  2. Podem notar, truculência, arrogância e estilo mandão estão, geralmente, associados a despreparo técnico e acadêmico.

  3. Curiosamente, quando ainda era a ministra da Casa Civil, essas “qualidades” eram louvadas por praticamente toda a imprensa. A gerentona do PAC. O estilo que não serve para um presidente, certamente não servia tb para comandar a Casa Civil. Será que só agora a ficha caiu?

  4. Caro Mansueto,

    Não esqueça que a Dilma, assim como boa parte dos economistas do governo, tem raízes na Unicamp que, como sabemos, é o templo do estatismo centralizador. Como não dá para renegar as raízes, apenas com o tempo o indivíduo começa a tomar pé da situação, como é o caso da Dilma presidenta. O problema é que ela tem como fator agravante a arrogância que, por vezes, é excessiva em pessoas de QI baixo. O resultado é isso que aí está.

  5. Presidenta autoritaria e estatista cercada de jovens esquerdistas puxa saco que aparelham e mandam dentro do governo .

    Estamos falando de Cristina Kirchner e do grupo La Campora?

  6. Só é impossível crer desconhecimento do que ocorria, tendo ocupado o Ministério da Energia e depois a Casa Civil, órgão de coordenação e filtro do Executivo.
    Agora, com 2013 antecipando 2014. E 2014 ser ano eleitoral, dá para concluir que o governo já teria acabado. Agora, são só as eleições.
    E depois, só a conta no balcão de 2015.
    O novo presidente será a conta apresentada em 2015.

  7. Esses socialistas usam a Academia só para reforçar suas fantasias de justiça social baseada em comando com mão de ferro, burocracia universal e redução da política a uma mera rede de favores destinada a eternizar o pretensamente benévolo poder central. O PT tão ao gosto da medíocre intelectualidade brasileira faz do Brasil uma Sucupira mais bem acabada do que a dos coronéis nordestinos. O estilo de gestão da Dilma só funciona em processos totalmente estereotipados(a menos que a arrogância da Dilma já considere governar tão previsível quanto apertar parafusos) , e mesmo assim é desumano, termina por sacrificar gente boa, que erra e eventualmente traz más notícias e favorece safados e mentirosos, que nunca erram e sempre dizem o que o chefe quer ouvir.

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