PIB no Brasil: o gato subiu no telhado

A cada semana, os dados de projeção do crescimento esperado do PIB para este ano, infelizmente, pioram. Nesta semana, a mediana das projeções do relatório FOCUS para o crescimento do PIB este ano rompeu a barreira de 3% e cravou 2,98%, É claro que essas projeções são passiveis de revisões com as divulgações dos dados pelo IBGE.

Mas, por enquanto, o cenário de crescimento é cada vez menos animador. O novo boletim de conjuntura do IBRE-FGV de maio de 2013 joga um balde de água fria quando se olha para os próximos meses. Como fala o relatório na p. 9: “Fatores transitórios explicam, em grande medida, o crescimento de 1,0% no primeiro trimestre. Mas, para o restante do ano, um cenário de crescimento morno ainda é o mais provável.”

Um dado que preocupa são as sondagens empresariais e do consumidor do IBRE-FGV. A reversão para cima dos índices de confiança setoriais ainda não ocorreu e o índice de confiança do consumidor despencou (ver os gráficos abaixo). Ou seja, empresários e famílias estão preocupados. Leiam o relatório de conjuntura do IBRE-FGV que está muito bom.

Figuras IBRE

Adicionalmente, um sinal muito claro da reversão do otimismo para o crescimento do PIB este ano foi um relatório recente do Credit Suisse. O banco era um dos mais otimistas do mercado e apostava em crescimento do PIB de 4% este ano. Mas no seu relatório desta semana, os analistas do banco já alertam que essa aposta poderá ser revista:

Reconhecemos que uma expansão do PIB no 1T13 versus o 4T12 de 1,0% ou inferior a esse patamar aumenta a probabilidade de um crescimento do PIB em 2013 inferior à nossa projeção formulada em novembro de 2012 de 4,0%. Não obstante, um crescimento do PIB no 1T13 ante o 4T12 de 1,0% indica que a expansão da economia em 2013 tende a ser, provavelmente, superior a 2,5%.” (Credit Suisse, Macro Brasil 22 de maio de 2013)

Agora, vamos torcer para que ninguém comece a namorar com 2,5% porque isso seria um completo desastre e sinalizaria mais um ano de crescimento baixo e inflação alta. A propósito, é claro que o Brasil não pode mais crescer à taxas de 7% ao ano. Mas para um país de renda média (US$ 12.000) deveríamos crescer pelo menos entre 4% a 5% ao ano, que era a expectativa de muitos de nós economistas antes de 2009.

Infelizmente, o nosso cenário de crescimento mudou, estruturalmente, para pior. Antes que alguém diga que o FMI ainda projeta crescimento do PIB no Brasil de 4% ao ano a partir do próximo ano, quero dizer que Fundo já reconhece que sua projeção é otimista e, mais cedo ou mais tarde, poderá (ou deverá) rever as projeções para o Brasil.

Antes que alguém diga que crescer 2,5% ao ano é melhor do que países da Europa, essa comparação é totalmente descabida. O que vamos fazer rezar ou chorar? Nenhuma das duas coisas. Vamos escrever, falar e argumentar para que o governo retome a agenda de reformas institucionais e que possamos recuperar o nosso otimismo. Se não der certo, ai sim poderemos começar a rezar ou chorar.

3 pensamentos sobre “PIB no Brasil: o gato subiu no telhado

  1. Excelente análise e conclusão, Mansueto. Exatamente este é o caminho que o Brasil está rumando… Em anos anteriores a grandes eventos (que não deveriam acontecer, claro), onde o crescimento do país deveria ser muito maior, estamos neste ritmo? Imagine quando passarem a Copa e as Olimpíadas? A situação é crítica. Pena que pouca gente, ou melhor, a minoria, tenha esta percepção…

  2. De todo modo, imaginar que o PIB de 2012, ao cravar 0,9%, alçar um voo para 4% a 5% seria algo a ser colocado nos altares de milagres jamais ocorridos.
    É de crer-se que, mesmo os maiores áulicos, seriam capazes de dizer tal coisa sem cruzar os dedos atrás das costas.

    Não tem milagres. O que tem é de controlar gastos, colocar a inflação na meta, flutuar o câmbio. O básico.

    Além do básico e sendo-o também, deixar evidente a segurança jurídica, definir claramente as políticas e enviá-las na forma de projetos-lei e não em MPs ao Congresso.

    Não precisaria nada além disso e alguma outras coisas básicas, como as famosas Cartilhas Sodré e Caminho Suave, par alfabetização, lá nos tempos do Grupo Escolar, que foram deixadas de lado quando parecia que muitos acreditaram que seriam os deuses os culpados de terem alçado um dirigente ao poder e não votos de simples mortais.

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