Pedro Passos e o Novo Mapa de Competitividade da Indústria.

Já há algum tempo tenho observado as opiniões do empresário Pedro Passos da Natura e presidente do IEDI. As suas declarações agradam tanto defensores quanto críticos da política industrial e mostra que, talvez, suas ideias seja o que se poderia chamar de o “denominador comum” nesse debate.

O empresário deu uma entrevista para a coluna da Maria Cristina Farias, na Folha (clique aqui), e deu uma palestra no fórum de BioEconomia, em outubro de 2012 (vídeo pode ser assistido aqui), onde destaca que: (i) o governo ajuda excessivamente o setor automobilístico, que para ele é desnecessário; (ii) fala que os incentivos à inovação no Brasil são baixos e a economia ainda é excessivamente fechada, (iii) o Mercosul hoje mais atrapalha do que beneficia a  inserção externa de empresas brasileiras, (iv) precisamos estabelecer metas para educação – conseguir nos próximos vinte anos estar entre os dez melhores países do mundo na qualidade de educação (medida pelo PISA), (v) reduzir  a proteção da economia, etc.

Quais setores da indústria o Brasil deverá promover para ser mais competitivo? Nos pronunciamentos do empresário isso não parece ser importante. O que parece ser mais relevante é o fomento à inovação e maior integração com o resto do mundo que, naturalmente, favoreceria os setores da indústria mais ligados aquelas cadeias produtivas que Brasil já tem vantagem comparativa. Assim, nossa política seria diferente tanto do modelo Coreano quanto da política de estímulos setoriais que o Brasil tem feito intensivamente desde 2008.

O pensamento do presidente do IEDI me parece algo muito particular dele, não sei se é consenso no próprio IEDI. No entanto, e para a minha surpresa,  o novo mapa estratégico da indústria da CNI (clique aqui), divulgado esta semana, vai ao encontro das opiniões que Pedro Passos vem defendendo. O novo mapa estratégico da indústria da CNI parece corroborar a tese de críticos da política industrial de que a competividade da indústria depende pouco  ou nada de estímulos a setores da indústria (política industrial) e muito mais de medidas horizontais e consistência das políticas macroeconômicas.

O mapa fala de controle dos gastos públicos, aumento do investimento público, melhoria da qualidade da educação, segurança jurídica, produtividade, eficiência do Estado, tributação, produtividade, etc.  O documento quando fala de políticas setoriais na p. 59 –exatamente três parágrafos- o faz de maneira tímida. Assim, ao que parece, a própria CNI não acredita mais em política industrial. Não seria então o caso de a entidade deixar isso claro para o governo?

É verdade que no mapa há uma macrometa de aumentar de 1,7% para 2,2% a participação do valor adicionado da manufatura no Brasil em relação ao valor adicionado da manufatura no mundo, mas isso pode ser alcançado com a sensível diminuição da participação de vários setores da indústria de transformação (o que é provável acontecer) na economia brasileira.

Adicionalmente, ao contrário do Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), de 2008, ou do Plano Brasil Maior, de 2011, o mapa estratégico da indústria não cita um única vez, nas suas 141 páginas, nenhum setor econômico específico como confecção, têxtil, química, etc. Ou seja, o mapa de competitividade da indústria é talvez o melhor documento contra a política indústria nos moldes que se faz hoje. Resta saber se de fato ele reflete o pensamento dominante da CNI ou se é um conjunto de idéias além das políticas setoriais que a instituição tradicionalmente defende.

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Fonte: Mapa Estratégico da Indústria, CNI.

4 pensamentos sobre “Pedro Passos e o Novo Mapa de Competitividade da Indústria.

  1. Acompanhei de dentro a PDP e a certa distância o PBM. Efetivamente não se moveu mais do que pouca palha quanto às medidas horizontais, por envolverem ações estruturantes que dependeriam de articulação intragovernamental e convencimento do Congresso para a devida cobertura institucional. Na primeira linha, a guerra das vaidades entre os principais atores puxava o freio e o “colegiado” dobrava-se à palavra final da Fazenda. Do outro ponto, realmente é difícil depender de um Congresso no atual patamar de fisiologismo.
    Sobraram as benesses do BNDES aos setores eleitos. Corroboro que parte deles só foram contemplados pelo fato de terem entidades fluentes na Esplanada.
    A atual postura da CNI (que tem forte presença no MDIC) pode esbarrar nos antigos obstáculos que inviabilizaram no Gov Lula o choque estrutural necessário.
    Ademais, investir em soluções horizontais demanda tempo até a colheita e, infelizmente, as ações do Executivo tem horizonte eleitoral, portanto, curto.

  2. “O mapa fala de controle dos gastos públicos, aumento do investimento público…”

    Estamos ansiosos por sue comentário sobre o tiro de misericórdiadado ontem no pé do superávit fiscal do falecido tripé.

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