Por que empresas no Brasil não inovam?

Há pelo menos três pontos interessantes nesse debate sobre inovação no Brasil. Primeiro, é verdade que o Governo Federal tem feito um esforço grande para aumentar os incentivos à inovação. Desde 2003, o governo melhorou o marco legal para fomento à inovação com a Lei 10.973/2004 (Lei da Inovação) e com a Lei 11.196/2005 ( a Lei do Bem). Infelizmente, o efeito dessas leis no fomento à inovação foi pequeno.

Na definição de um amigo que é especialista em software e telecomunicação: “o maior efeito da Lei do Bem foi evitar que as empresas colocassem os departamentos de pesquisa na Zona Franca de Manaus.”Adicionalmente, gastos em inovação que fazem uso da Lei do Bem precisam ficar separados do balanço das empresas por até cinco anos e, assim, podem afetar o lucro real e os bônus de executivos (uma fonte me falou isso, mas não sei se é de fato um problema).

De qualquer forma, gasto com P&D no Brasil pouco se modificou de 2000 a 2010, de acordo com dados do MCTI (ver gráfico abaixo).

Gráfico 1 – Dispêndios nacionais em pesquisa e desenvolvimento (P&D) – % do PIB Brasil

GRAF01 INOV

Os resultados do esforço de inovação das empresas industriais, no Brasil, de acordo com os dados da Pesquisa de Inovação Tecnológica (PINTEC) do IBGE, também não mostram crescimento excepcional. Observem que inovação de produto e processo para o mercado brasileiro é baixo (4% para produto novo para o mercado brasileiro e 2% para processo novo para o mercado brasileiro) e o índice não mostra tendência de crescimento. Além disso, inovar para o mercado brasileiro não significa que seja inovação de fato quando o marco é mercado internacional. É claro que é possível fazer análises mais sofisticadas com esses dados, mas o padrão geral é de uma economia que inova pouco.

Tabela 1 – (%) de empresas na indústria que implementaram inovações 

GRAF02 INOVFonte: PINTEC

Segundo, não é muito claro a eficiência dos dispêndios em P&D e seu link com inovação e registro de patentes. Explico melhor. O Brasil gastou com P&D (1,16% do PIB), em 2010, algo semelhante à Itália (1,26% do PIB), Rússia (1,16% do PIB) e Espanha (1,37% do PIB). Mas quando se olha os dados de registros de patentes concedidos pelo Escritório Americano de Marcas e Patentes (USPTO), em 2010, o Brasil está na lanterna desse grupo.

Gráfico 2 – Número de Concessões de patentes de invenção junto ao Escritório Americano de Marcas e Patentes (USPTO) – Fonte: MCTI

GRAF03 INOV

Em 1982, as empresas brasileiras registravam mais patentes no USPTO do que China, Coreia, Cingapura, Índia e Malásia (ver tabela 2). Em 2010, ficamos atrás de todos eles, muito atrás. A Coreia, por exemplo, teve a concessão de 11.671 patentes concedias pelo USPTO, em 2010, contra 175 de empresas brasileiras.

Tabela 2 – Posição Relativa do Brasil e de Alguns Países Emergentes no Ranking de Patentes dos EUA de 1972 a 2007 – Fonte: PROTEC

GRAF04 INOV

OBS: números entre parênteses é a posição relativa total no ranking.

Terceiro, todas as vezes que você sentar em um debate alguém vai lembrar a você que inovação é importante e que as empresas precisam inovar. OK, sabemos disso porque isso é exaustivamente repetido na literatura. Mas a realidade é bem diferente. Empresas só inovam se precisarem inovar para crescer. Hoje, o Estado de São Paulo (clique aqui) publicou uma matéria pequena com uma declaração do empresário Pedro Passos da Natura e presidente do IEDI. Passos é taxativo: as empresas brasileiras não inovam porque não precisam. … a maioria vive de exportar matérias primas ou vende seus produtos apenas para o mercado interno”.

Como modificar essa situação? Não há consenso. Para alguns o correto seria reduzir tarifas de importação e exigências de conteúdo local. Para outros, o correto seria apostar em determinados setores “intensivos em conhecimento”, como fármacos e biotecnologia, que por natureza gastam mais em P&D.

Infelizmente, inovação no Brasil ainda é, preponderantemente, compra de máquinas novas e acho que isso não vai mudar nos próximos anos. O governo precisa entender que não adianta fomentar à inovação e, simultaneamente,  aumentar a proteção da economia. Programas de fomento à inovação precisam ser complementados por um plano (gradual) de maior abertura comercial, mesmo que isso implique perder parte de cadeias de produção – algo que vai acontecer de qualquer forma.

14 pensamentos sobre “Por que empresas no Brasil não inovam?

  1. Olá Mansueto!
    Trabalhei com patentes por algum tempo e a única coisa que esse indicador pode afirmar com certeza é o tamanho do parque industrial inovador do Brasil – de empresas realmente brasileiras, que colocam seus centros principais de P&D e seus “IP Assets” no Brasil.
    O Gráfico n.2 mostra bem isso: a Itália concentra um repositório de inovações bem maior do que os demais da comparação, mas isso é algo que certamente inclui invenções que receberam colaboração de pesquisadores de outros centros no mundo.
    Um grande exemplo é que temos no Brasil um bom número de indústrias automotivas de origem italiana – se algo é inventado por aqui, é muito provável que a patente original tenha seu depósito original na Itália, e não no Brasil. Essa pesquisa do USPTO com certeza leva em conta apenas “País de Origem” e não “nacionalidade dos inventores”, únicos parâmetros disponíveis naqueles documentos para se associar a algum país o rótulo de inovador.
    Minha opinião é de que há outras questões mais sérias contra a inovação no Brasil, são elas:
    1) As indústrias inovadoras instaladas no Brasil não são 100% brasileiras (pelos motivos exemplificados acima, muitas vezes nem aparecem como nacionais, nesse tipo de pesquisa); e
    2) O “entrave” trabalhista: se contratar uma pessoa no Brasil gera um encargo tributário/financeiro grande para qualquer empresa, contratar um grupo de pesquisadores (com alta qualificação acadêmica e profissional) com salários compatíveis é muito, muito mais caro. Mesmo com o programa do CNPq de “bancar” parte do salário para detentores de PhD (nem sei se esse programa ainda existe) em empresas, não se resolve o problema da alta carga tributária de se ter um grupo de pesquisadores no quadro de funcionários.
    Em geral (mundo afora), essas pessoas com alta qualificação técnica escolhem por melhores salários no setor privado ou pelos menores salários da academia (e uma vida mais tranquila). No Brasil é o oposto, não conheço uma empresa que pague a um PhD uma quantia mensal mais significativa do que um professor adjunto recebe em uma universidade federal.

  2. Minha dúvida é outra. Dado o enorme gap de produtividade existente hoje, o que nos impede de concluir o catch up antes de está falando de inovação? Em outras palavras, será que estamos adotando técnicas mais produtivas? Se não, quais são as barreiras para ADOÇÃO (não invenção) das novas tecnologias e/ou processos? Pesquisas recentes (como Hsieh e Klenow) apontam para a grande heterogeneidade de produtividade entre firmas em economias em desenvolvimento, como China e India, então a pergunta pode até se tornar: por que no Brasil temos tantas firmas com dificuldade em adotar as tecnologias de ponta disponíveis? Eu confesso que acho esse debate mais construtivo e desconfio que a lei de conteúdo nacional e alguns condicionantes de empréstimos do BNDES tem muito a ver com isso…

  3. É como sugere o modelo schumpeteriano de Aghion e Howitt: empresas inovam para escapar da competição e melhorar sua posição no mercado.

    Passos está certo: inovar não é importante no Brasil, com seu mercado oligopolizado na maioria dos setores e sem perspectiva de concorrência internacional.

    Os poucos setores de ponta no Brasil (a sempre citada Embraer, por exemplo) são aqueles mais expostos à concorrência internacional.

  4. Para contornar os altos custos de se manter departamentos dedicados à P&D nas empresas brasileiras poderia haver mais parcerias e convênios entre universidades e o setor privado, este inclusive patrocinando pesquisas de seu interesse. Não faço ideia de como isso anda no Brasil nos dias de hoje, mas baseado no que já vi na universidade e numa rápida passagem pelo CNPq percebo uma grande resistência, ou ranço ideológico, na academia de haver um maior envolvimento da pesquisa aplicada com empresas privadas. Ou por outra, em certos meios não se admite que a pesquisa acadêmica seja conspurcada por interesses capitalistas.

  5. Srs,
    sou socio e CEO de uma empresa que tem 12 ano de existencia e que possui 90% de sua M.O. composta por PhDs e MScs. Nao concordo que um dos fatos seja o custo da M.O. qualificada, a raiz esta mais embaixo, na origem educacional que durante decadas se manteve sem incentivar a busca por inovação. Formamos geracoes e geracoes de operacionais, q nao tinham a preocupacao em criar o novo, mas em repetir e se sustentar assim, vejam a quantidade infima q temos de patentes em engenharia. Apenas nas 2 ultimas decadas principalmente com cursos da área de TI e biotec é que foram sendo criados nas academias uma geração com formação basica em pesquisa, mas ai encontrou a segunda barreira, o desleixo com a proteçao da inovação. A academia, mais se preocupa com a publicação o que ja torna o conhecimento publico, e so muito recentemente passou a fazer isso apenas apos a entrada no registro da patente ou a PI.
    E pra completar temos um INPI sucateado, vivendo a parte do seu tempo e da sociedade e um governo displicente com a perda de ativos que o pais vem sofrendo, nao entendendo q o proximo passo da economia do conhecimento, sera a remuneracao intensa do capital intelectual, formalmente protegido. Nao e por outra razao que os paises do primeiro mundo buscam todas as formas de registrar e proteger o conhecimento gerado, todos eles sabem que os dividendos estão cada vez mais proximos de acontecer, como temos vistos nos mega embates entre google, apple, samsung, hoje são as corporacoes, daqui a uns anos serão as nações.
    Esse conjunto de fatores desincentiva a busca pelo registro e pela inovação da parte das empresas e dos profissionais, realimentando de forma nociva esse ciclo vicioso.
    Olhem para quantas empresas desenvolvedoras de produtos proprios de SW nacional possuem os mesmos protegidos por registro no INPI. E uma quantidade infima, e pq? Pq custa e nao garante muita coisa em termos de mercado no Brasil. Pirataria e tolerada e dificil de provar. ENtao junte-se, baixa cultura, politica inexistente, entidade sucateada, custo baixo retorno e tolerancia com a pirataria, e um coquetel complicado de vingar.

  6. Paulo, discordo do seu ponto de vista em, essencialmente, dois argumentos:
    1) Não concordo com a conjectura de que os embates de Propriedade Industrial (PI) entre grandes corporações transcendam a disputas entre países. Painéis da OMC não são novidade, e tampouco são comumente provocados por empresas específicas.
    2) Do problema de proteção que você citou, o INPI não é o maior dos vilões – apesar da morosidade nos processos internos (que dura em média o dobro do que em outros países mais desenvolvidos), o problema é no poder judiciário, que é a esfera correta pra se requerer danos por pirataria. Aí sim, é comum que os processos de reparação de danos levem mais tempo do que a própria proteção à PI em questão. Em outras palavras, você está apontando o dedo para longe do problema mais imediato. Apesar da demora, não há desculpas para não efetuar o registro por si só. O argumento é que na hora de exercer a proteção (que precisa ser pelo *judiciário*) contra corruptores, não há retorno da proteção recebida. Esse papel _não_ é do INPI.

    • Daniel discordar é um direito seu, no entanto me permita complementar, sobre 1)essa é uma opinião minha de algo q estar por vir, portanto nao da pra discutir no momento atual. No entanto se extrapolarmos, para o domicilio sede das grandes coorporações detentoras das PIs, qd a cisma ocorre entre empresas de domicílio baseado em países diferentes ja podemos ver algo parecido ocorrendo.
      2)Com relação aos registros, nao falei q isso e desculpa para nao fazê-lo, falei q a morosidade real ( ja q um pedido de registro tem levado no mínimo 10 anos para se obter o definitivo) somado aos ingredientes, de custo, baixa exigencia, permissividade e pirataria, e pouca cultura de proteção, todos esses juntos levam a uma situação de desinteresse, e pouca procura por isso. Vou te citar um rapido exemplo. Entre meus funcionarios um trabalhou na IBM em San Jose, ele faz aqui exatamente o q fazia la. La na primeira reunião de um novo projeto sentava-se a cabeceira da equipe um advogado para discutir de saida quantas novas PIs o projeto geraria, e ja deste ponto se iniciava em paralelo o trabalho de requisito tecnico, e juridico que levariam ao desenvolvimento e ao seu registro. E isso se faz pq la, isso vale e na briga jurídica caso ocorra, dara ou nao o direito ao que se questiona, e vale ao ponto de a HP a 10 anos atras abrir uma conferencia onde na primeira frase o presidente dizia, somos uma empresa de 15.000 patentes! E hoje existir IP ventures que ficam comprando as Startups apenas para ter um banco de IP.

  7. Gostaria de complementar meu post anterior e colocar um ponto de vista particular sobre a questão da pirataria.
    Sobre a questão do despreparo da academia, acho que o despreparo também é das empresas parceiras. A _única_ relação de interferência real entre um artigo científico e um pedido de patente é a data de publicação – é necessário depositar o pedido de patente *antes* de iniciar o processo de publicação. Só isso. De resto, não há qualquer problema legal entre querer publicar e proteger uma invenção. Jogar isso como _problema_ também é despreparo.
    Já sobre a pirataria, vejo-a com duas causas: uma é a falta de “enforcement” da lei, a outra é a prática abusiva de preços e serviços prestados. O que se defende como ética concorrencial, que tanto escuto nas rádios, só faz a população lembrar da primeira causa. Mas a segunda, que é culpa de quem faz o mercado (empresas), é tão importante quanto a impunidade. No mercado de softwares então, isso é prática muito, muito comum. Em softwares especialistas, de nichos bem restritos, a prática concorrencial está longe de ser “ética” – cada vez mais as empresas investem na dependência dos clientes do que em soluções reais aos seus problemas, quanto mais obscuros os softwares, melhor, pois mais dependente se torna o cliente. Essa postura vai desde o mercado de software para engenharia, por exemplo, até chegar na Microsoft com o Windows – é a mesma postura adotada. Depois, na minha opinião, não adianta reclamar da pirataria exagerada.
    No Brasil, temos os dois problemas juntos: empresas com postura nada ética e sistema policial/fiscalizador/judiciário fraco na hora de impor a lei.

  8. Mais uma vez me permita discordar, a sua análise se baseia no ponto de q a pesquisa so se faz, qd exista academia em parceria com empresa. Isso nao e a verdade absoluta, ela existe sim apenas na empresa com seus proprios pesquisadores, e apenas na academia. Qd citei o problema da publicação aqui foi pq ate hoje infelizmente 80% dela, ainda e feita apenas na academia onde a pressão por publicação sempre foi muito maior q o zelo com o registro. Novamente apenas recentemente coisa de menos de uma década pra ca, a academia passou a cuidar muito precariamente de registrar antes de publicar, coisa q nao fazia antes.

    Quanto a dependencia “obscura” de clientes por Software de nicho, sinceramente nao entendi essa sua leitura em teoria da conspiração.
    Sw é Informática = Informação automática, ou informação codificada, por maior que seja o conhecimento de qualquer fornecedor, o real conhecimento especifico do negocio esta dentro do cliente. Ele tem sempre o poder do detalhe q o fornecedor nao tem. Agora se ele montou o seu negocio, tendo como ponto de partida o Sw adiquirido, ai nesse caso ele escolheu de livre e espontanea vontade o fazer sobre o conhecimento do fornecedor, e ai ele enquanto comprador se decidiu por criar um modelo de dependencia exarcebada. Em ultimo caso ele pode inclusive contratar um time para criar uma solução tailor made, de forma que preserve o seu negocio, e em geral é assim q os clientes o fazem qd querem algo so deles e q eles o controlem, o problema nesses casos é que se desviando do seu core, o empresario, tera que arcar com os custos de atualização e manutenção da sua plataforma proprietaria.

  9. Paulo, meu comentário sobre a pirataria se fundamenta sobre o seguinte exemplo: ao circular no centro do Rio de Janeiro, por 10 minutos, pelo menos um ambulante vai oferecer um programa CAD cuja licença individual gira em torno de 4 mil dólares. Tenho que supor que, se está sendo oferecido por via ilícita, há clientes interessados em burlar o pagamento da licença de uso. Se esse software específico vale o quanto custa, tenho dúvidas – será mesmo que haveria tanta pirataria se o produto tivesse versões mais adaptadas (menos recursos e menor preço) ao mercado local? Outro bom exemplo é o sistema operacional da Microsoft: ele custa muito mais do que outros sistemas concorrentes (que custam entre 10% e 20% do valor do outro), e também é vastamente oferecido por pirataria – só que, para muitos usuários domésticos e empresariais, a solução da Microsoft sempre aparenta ser a mais “natural” ou cômoda – desconsiderando totalmente alegado “monopólio” daquela plataforma. E é aí que entra a minha pergunta: será mesmo que a pirataria não pode ser vista como sinal de que o produto está sendo oferecido por um preço muito mais alto do que o mercado entende ser correto? Como falha na prática empresarial? Eu realmente não me contento somente com a superficialidade dessas campanhas anti pirataria de agregações como o ETCO (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial), que são bem recheadas de ‘politicamente correto’ mas não tratam dos desvios provocados pelas próprias empresas.
    Enfim, não acho que minha posição seja “conspiracionista”. Apenas vejo que há dois lados _errados_ na história, mas comumente só se aponta para um.

  10. Complementando…
    Visite, por exemplo, o site do ETCO. Muito se fala em “redução da carga tributária”, “reforma tributária”, “combate à pirataria”, “combate ao contrabando”, etc., mas cadê o ETCO quando se precisa falar de empresas que combinam preço pra aumentar os valores de contratos artificialmente em licitações públicas? Cadê o ETCO pra ajudar a combater empresas que praticam monopólios (não naturais)? Cadê o ETCO pra incentivar a concorrência leal _entre as empresas_? Isso, não se fala. Mas nem por isso, desconsidero como práticas erradas das empresas. As tais IP Ventures que você mencionou são o ápice da má fé empresarial – gente que detém um papel que nem sabe do que se trata. Antes fosse mais ou menos como uma empresa farmacêutica deter ‘conhecimento’ sobre tecnologia aeronáutica, mas é muito pior, são empresas que não detém _nenhum_ know-how. Você realmente acha que esse tipo de prática empresarial é correta, do ponto de vista da tal ‘ética concorrencial’? Esse é o maior exemplo de entraves que o próprio setor privado criou. O dia que esse tipo de prática for comum por aqui, veremos empresas achando ótimo que o INPI demore 15 anos pra conceder uma patente. Basta acompanhar o que está acontecendo lá fora, em especial nos EUA, quanto à questão de necessidade de reformar o sistema de patentes.

  11. Caro Mansueto,

    Que tal recorrer a Public Choice Theory? Quando o Estado toma dimensões crescentes os incentivos aos agentes econômicos são distorcidos. Ora, se grande parte da renda nacional transita pelo governo, por qual motivo as empresas vão direcionar seus recursos para inovação se podem capturar rendar desse agente por meio de crédito com taxa de juros abaixo das taxas de mercado pagas por toda sociedade? Se podem se proteger da concorrência com reservas de mercados parciais como a cota da nacionalidade ou participaçãp limitada de capital externo em investimentos internos? Na realidade a baixa inovação no brasil evidencia uma racionalidade total de nossas empresas!! A formiga só trabalha por que não sabe cantar!!!

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