Projeções da LDO 2014

O governo divulgou esta tarde os parâmetros da LDO para 2014 e algumas projeções para 2015 e 2016. As projeções são meros chutes e não há o minimo problema se estiverem erradas. Vamos lá. Alguém acredita em crescimento de 4,5% ao ano com inflação no centro da meta para 2014? e 2015 que será sem dúvida alguma um ano de ajuste: crescimento de 5% e inflação no centro da meta?

E tudo isso com a taxa de juros em 7,25% ao ano – será um ajuste indolor porque o aumento da oferta de novos investimentos (que por sinal é inflacionário no curto prazo) vai resolver o problema da inflação! Não me perguntem como.

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Tem mais novidade. Agora o governo PODE (mas não precisa) compensar o não cumprimento da meta do primário por Estados e Municípios que é de R$ 51 bilhões, em 2014, e pode ainda descontar R$ 67 bilhões de despesas do PAC e desonerações tributárias. Ou seja, a meta do primário no próximo ano poderá ser qualquer número no intervalo de R$ 167,4 bilhões (3,1% do PIB) ou de R$ 49,2 bilhões com os descontos (0,9% do PIB).

Logo, a projeção de queda da DLSP que o governo mostrou na apresentação não é certo. Vai depender da economia fiscal (primário) e da trajetória dos juros que não está dada e nem o próprio BACEN sabe ainda qual será. No mais, o governo quer ainda com a LDO  permitir que 100% das despesas do PAC tenham autorização para gasto mesmo que o orçamento não seja aprovado até o final do ano (isso é novo).

Será que não seria melhor propor não ter orçamento e apenas uma prestação de contas? afinal, para que serve o orçamento se as despesas discricionárias (investimentos) podem ser executadas sem aprovação do Congresso Nacional e o governo pode chutar os parâmetros macreconômicos e depois contingenciar o gasto aprovado?

O processo orçamentário no Brasil está piorando e o governo executivo está ganhando um poder fenomenal de decidir o que vai fazer. Cabe ao Congresso Nacional evitar essa deterioração institucional.

12 pensamentos sobre “Projeções da LDO 2014

  1. O governo sempre faz previsões irrealistas. Nos últimos quatro anos, nos quais examinei, cada ano, a proposta orçamentário do governo, feita pelo MPOG, apoiada em dados irrealistas, já tinha constatado os números totalmente fabulosos que eram usado para PIB, juros, inflação, investimento e outros dados.
    Quem o governo pensa que engana?
    Parece que ele pensa que somos idiotas…

  2. Mansueto, tenho a impressão de que daqui para a frente, vamos faturar o prêmio Nobel de economia todos os anos.

  3. Rapidamente, penso que recente processo de crescimento da inflação veio para ficar, sine die.

    Como a economia é dirigida (não sei se planificada), o sistema de transferência de renda dos menos pobres para os mais pobres e para os sem-quase-nada teve como consequência a ampliação e o estímulo para o consumo.

    Ora, se, e em sendo, a produção consequência de investimentos e estes de poupança e, não havendo poupança interna suficiente, que ocorrerá? a) mais investimento externo direto; b) mais internacionalização da propriedade de indústria pesada; c) mais emissões de moeda; d) mais internacionalização do setor agropecuário, para atender ao “b”; e) mais inflação real, que nenhum economista ou estatístico do mundo poderá confiavelmente calcular. Só isso.

  4. “Ou seja, a meta do primário no próximo ano poderá ser qualquer número no intervalo de R$ 167,4 bilhões (3,1% do PIB) ou de R$ 49,2 bilhões com os descontos (0,9% do PIB).”

    Só acredito nos números fiscais analisados pelo Mansueto.

  5. O senhor Augustin teve a pachorra de dizer que a mais recente picaretagem fiscal — deixar Estados e Municípios livres leves e soltos — faz parte de um desenho de política fiscal anticíclica ! Quero ver quando a outra perna da politica anticíclica — corte de gastos em tempos de PIB melhor — vai acontecer. Talvez eu morra esperando..

  6. Eu só digo uma coisa: a chance de nós, leitores do Mansueto, comermos capim ao tomarmos como verdade tudo que o Mansueto escreve é mínimia!

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  9. Mansueto,
    A última frase do seu post dá a partitura para a banda: o Congresso precisa reagir, analisar, vetar, emendar, propor, votar…
    Até quando avalizarão um faz de conta desses?

  10. Mansueto,

    Você conseguiria reconstruir uma séria histórica mostrando as distâncias entre o planejado no OGU e o realizado desde o governo FH, incluindo parâmetros como crescimento e inflação nas LDOs?

    Abraço,

  11. Alguém andou lendo, com muito atraso, este blog:

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/04/22/bndes-abandona-politica-de-criacao-de-campeas-nacionais-diz-jornal.htm

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