Que tal aumentar nossa dependência do resto do mundo?

Acabei de receber a atualização das projeções do banco UBS para este e o próximo ano. O banco, que ainda era um dos otimistas para o crescimento do PIB deste ano, esperava 4% e reduziu esse crescimento esperado para 3,3%. Para 2014 o UBS projeta crescimento de 3,4%. Essas expectativas estão em linha com o mercado, que espera um crescimento de 3,01% do PIB, este ano, e de 3,5% no próximo. A se confirmar essas expectativas do mercado, o governo Dilma terminaria com um crescimento médio do PIB de 2,5% ao ano, muito próximo ao que foi o primeiro mandato do governo FHC.

A propósito, bem que o PT poderia explicar porque aconteceu essa queda tão forte do crescimento do PIB do governo Lula para o governo Dilma. Quando sobe foi mérito do Lula, e quando cai, a culpa é do resto do mundo. Prefiro deixar a explicação furada do PT de lado e acreditar que a real explicação foi uma conjuntura externa mais desfavorável, esgotamento do ciclo de reformas de 1995-2005 e excesso de intervenção, o que se chama de microgerenciamento da economia.

Gráfico – Crescimento médio do PIB – % ao ano – 1995-2014

PIB

Mas há outro problema que vai deixar muita gente de cabelo em pé. A expectativa do UBS é que o déficit em conta corrente no Brasil, em 2014, alcance 3,7% do PIB. No final do primeiro mandato do governo FHC esse déficit havia evoluído para 4,0% do PIB, devido à forte valorização do Real que se seguiu à introdução do Plano Real. As sucessivas crises internacionais nesse período também dificultaram a nossa vida no front externo.  

Gráfico 2 – Déficit em conta corrente – % do PIB (1995-2014)

conta corrente

O problema agora é que começamos a voltar para um déficit em conta corrente elevado, sem perspectiva de redução nos próximos anos. Se de fato a taxa de investimento começa a crescer e caminhar ao longo dos próximos anos para romper a barreira dos 20% do PIB, o déficit em conta corrente vai se aprofundar ainda mais e, possivelmente, vamos romper a barreira dos 4% do PIB novamente.

O pior de tudo isso é que o Brasil ainda é uma economia muito fechada e já estamos com um déficit em conta corrente elevado. Dado o nosso histórico, isso preocupa, até porque um país que cresce com o uso elevado de poupança externa tem câmbio valorizado, algo que o governo e indústria não querem.

Estamos na iminência de uma crise do setor externo? De maneira alguma. Estamos longe disso. O problema é que para crescer mais rápido vamos precisar, cada vez mais, da ajuda do resto do mundo. Uma  estratégia que tem riscos no longo prazo e um modelo que implica uma moeda mais valorizada. Esse é um novo problema para o próximo governo.

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